Não Há Navios Sem Marinheiros



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09/07/2010

Marítimos do Reino Unido revelam que a vida no mar não vai de vento em popa.
   
    Uma das principais conclusões de novo estudo da Nautilus revela que a vida no mar de marítimos do Reino Unido não vai de vento em popa.
    O aspecto negativo é que a comida piorou e ainda há muito pouco contacto com a casa e a família. Mas, de qualquer maneira, uma nova pesquisa demonstrou que os marinheiros britânicos estão mais satisfeitos com quase todos os outros aspectos e termos de condições a bordo do que estavam há nove anos atrás.
    No entanto, ao mesmo tempo, há muitas preocupações reais sobre muitas questões cruciais de segurança na profissão de marítimo. O número de profissionais marítimos que acham que o navio em que estão embarcados não é seguro é inaceitavelmente alto
    Depois há queixas adicionais sobre fadiga, pirataria, criminalização, formação de má qualidade, falta de segurança no trabalho, poucas oportunidades de ir para terra e da impossibilidade de relaxar tomando uma ou duas cervejas com seus companheiros quando não estão trabalhando.
    Este é o retrato contraditório apresentado na última pesquisa decenal de termos e condições conduzido por membros da União Marítima Nautilus Internacional, atualização de pesquisas anteriores realizadas pelo seu antecessor Numast em 1991 e 2001. Desta vez o estudo foi adiantado em um ano a fim de repercutir durante este que é o Ano Internacional do Marítimo.
    A Lloyd’s List teve acesso antecipado a uma cópia do relatório que será divulgado em breve. Sim, há muita coisa que deve ser considerada inequivocamente como uma boa notícia. Mas, da mesma forma, há ampla evidência de que a vida marítima não é um mar de rosas.
    Em comparação com o último levantamento, os níveis de satisfação aumentaram nas referências alojamento, segurança no emprego, níveis da tripulação, moral em geral, cuidados médicos a bordo, oportunidades de promoção, remuneração, oferta de treinamento, recreação a bordo, ida a terra, apoio e ajuda a problemas, tempo de sono e descanso, horas e cargas de trabalho.  
    Por outro lado, houve uma redução acentuada no número de oficiais com acesso ao antigo Fundo de Pensão dos Oficiais da Marinha Mercante. Apesar de três quartos dos inquiridos terem considerado que existe um número suficiente de pessoas a bordo para operar com segurança o navio, isto significa que um em cada quatro não concorda. Mais uma vez a condição de segurança global do navio é considerada como boa por um percentual de cerca de 75%. Implicitamente, 25% não concordam.
    O Secretário Geral da Nautilus, Mark Dickinson, é diligente para acolher com prazer a imagem positiva dos elementos em sua introdução. Mas ele teve também o cuidado de destacar o outro lado da moeda.
    “Consideráveis preocupações permanecem com o levantamento mostrando altos níveis de preocupação com a qualidade de vida no mar, e não há espaço para satisfação no momento em que a indústria continua a enfrentar os imensos desafios da contratação a longo prazo e da retenção”, disse ele.
    Ao todo, cerca de 1200 formulários de pesquisa foram devolvidos, o que equivale a cerca de 10% da união anglo-holandesa do Reino Unido de marítimos de alto-mar. A amostra foi trabalhada através de uma ampla gama de setores, companhias e bandeiras.
    A análise por tipo de navio – um indicador interessante de onde os marinheiros britânicos trabalham nos dias de hoje – era: os navios de apoio offshore 23%, ferries de passageiros 9%, navios de passageiros 8%, gaseiros 7%, petroleiros 6%, contêineres 6%, Royal Fleet Auxiliary 5%, cargueiros 3%, grandes e super iates 2%, graneleiros e navios de produtos químicos 1%, carga geral 1%. Para as demais categorias classificadas como “outras”, 29%.
    É importante notar também que a pesquisa foi realizada após um período de avanços radicais na concepção, na operação e nos equipamentos dos navios que tiveram um imenso impacto sobre as práticas de trabalho e nos níveis das tripulações.
    Ela também veio de encontro ao contexto de acordo comum de que o ano não foi bom  para a indústria naval em termos financeiros. No entanto, surpreendentemente, a percepção de segurança no trabalho estava entre a variável que registrou uma pontuação mais elevada.
    Destaque também na versão completa é um número de citações dos próprios marítimos deixados em espaço próprio no formulário para comentários.
    Alguns deles merecem até ser impressos e variam do elogio sincero para alguns empregadores a autênticas pedradas para outros. No entanto, são as críticas que prevalecem.
    Sem dúvida, eles fornecem informações valiosas sobre o modo como as pessoas na linha de frente consideram sua vida profissional. No geral eles apenas tocam muitas verdades e alguns deles devem preocupar os interessados com a garantia de futuro fornecimento de mão de obra marítima. 
    Uma das razões pelas quais a Nautilus conduz tais investigações, claro, é para usá-las para apoiar seus argumentos quando das negociações com os armadores nos diversos fóruns da indústria.
    Assim, a federação acredita que os resultados oferecem importantes indicativos para os armadores, gestores e outros empregadores sobre as medidas com as quais eles devem comprometer-se, se assim o desejarem, para recrutar e manter os marítimos profissionais.
    As melhorias, segundo a federação, têm por base a comparação com um nível muito baixo que serviu de parâmetro à pesquisa original Numast de 1990. Apesar desses progressos, a Nautilus sustenta que há ainda “questões profundamente enraizadas que precisam ser adequadamente abordadas pela indústria e aqueles que a regulamentam”.
    A implicação aqui é que as condições no mar estão ainda sujeitas a deterioração provocando a desmotivação dos trabalhadores de bordo, onde o fator humano é muitas vezes mais importante.
    Como resultado, o relatório culmina em uma longa série de recomendações, a primeira das quais solicita que “armadores, Estados de bandeira e outros devem demonstrar, através de regulamentos e políticas, que os marítimos são considerados como profissionais valorizados, oferecendo-lhes emprego adequado e contínua formação e desenvolvimento profissional”.
    Entre as medidas que podem ser tomadas para que isso aconteça está a rápida ratificação e aplicação da Convenção Internacional do Trabalho Marítimo de 2006 e a dotação de recursos suficientes para as inspeções do Port State Control, para assegurar que essas disposições não sejam letra morta.
    Os marítimos devem ser tratados de forma justa depois de um acidente marítimo e não estar sujeitos a detenção desnecessária ou prolongada como resultado de disputas sobre obrigações ou danos.
    Os Estados de bandeira são instados a apurar todos as perdas, incidentes e denúncias, divulgando os resultados o mais cedo possível e fazer uma investigação completa e sistemática do envolvimento de qualquer elemento humano.
    Devem ser tomadas medidas contra os Estados de bandeira que habitualmente não investigarem ou não divulgarem os resultados das investigações sobre os acidentes envolvendo bandeiras sob seus registros. Eles poderiam estar juntos nesta frente se a indústria ou as autoridades competentes divulgassem as estatísticas compiladas e detalhadas sobre a saúde e segurança dos marítimos.
    Aos Comandantes e Oficiais deverá ser dada uma maior proteção contra a criminalização e as pressões comerciais por ocasião do seu julgamento profissional sobre questões de segurança. Controle mais eficaz contra a fadiga e tripulações insuficientes devem ser introduzidos de preferência por meio da revisão da Convenção das Normas de Formação, Certificação e Serviço de Quarto. 
    Esforços precisam ser feitos para policiar a implementação de concorrência desleal por meio de interpretação abrandada que permanece das regras internacionalmente acordadas sobre os níveis de tripulação e de políticas de emprego. Um código de boas práticas sobre essas questões poderia ser um passo na direção certa.
    Sendo uma federação de sindicatos, a Nautilus acredita que as companhias de navegação devem comprometer-se a uma abordagem de parceria social para melhorar a consulta e o diálogo com os empregados.
    Os governos são instados a adotar propostas da Organização Marítima Internacional e da Organização Internacional do Trabalho para criar um esquema de regime de seguro para marítimos abandonados, incluindo garantia de pagamento de salários em atraso e pagamento de indenização no caso de morte ou ferimento grave de marítimos em acidentes de trabalho.  
    Ou, como o senhor Dickinson conclui: “Nesse sentido, no Ano Internacional do Marítimo, a Nautilus acredita que esse relatório deveria atuar como um catalisador de mudanças por parte dos armadores, gestores, reguladores e todos os envolvidos na definição de normas para a indústria”.
As principais conclusões do novo estudo da Nautilus incluem:
 
• Menos de 50% dos marítimos entrevistados disseram que seus empregadores contribuem para seus planos de pensão.
• Três quartos consideram haver pessoas suficientes a bordo para operar com segurança os navios.
• 30% estão navegando em navios tripulados por seis ou mais nacionalidades (13% em 2001)
• 75% consideram a condição geral de segurança de seus navios como boa. (80% em 2001)
• 84% consideram e-mail a bordo como essencial. 92% possuem.
• 72% consideram telefone a bordo como essencial. 90% possuem.

 



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