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A LEI DOS PORTOS E O “CAP”
CESAR LUIZ PASOLD 1
“Lei
dos Portos – O Conselho de Autoridade Portuária e a busca da
Eficiência” é o título do livro de autoria de
WESLEY
O. COLLYER, recentemente colocado nas livrarias, sob o selo da Lex
Editora.
Wesley COLLYER é Mestre em Ciência Jurídica (Linha
de Pesquisa:- Direito Portuário) pela Univali. Foi Comandante de
navios petroleiros, Juiz suplente do Tribunal Marítimo, Inspetor
de Frota Marítima, Negociador Trabalhista da Petrobrás e
Juiz Federal do Trabalho. É co-autor do “Dicionário de
Comércio Marítimo” que já se encontra em 4ª
edição.
O livro “Lei dos Portos – O Conselho de Autoridade Portuária e a
busca da Eficiência” foi competentemente construído pelo
Autor a partir de sua Dissertação de Mestrado que foi
aprovada, com nota 10 (menção: louvor e
distinção) no Curso de Mestrado em Ciência
Jurídica da Univali.
COLLYER cumpre totalmente, com o texto principal e seus anexos, os dois
objetivos principais que estabeleceu ao início de sua pesquisa,
a
saber:
“a) discorrer sobre a crise dos portos nacionais antes da reforma
do sistema portuário e sobre o processo que deu origem à
Lei dos Portos, com ênfase no Conselho de Autoridade
Portuária; e
b) estudar a atuação dos citados Conselhos e
sugerir meios pelos quais pode ser alcançada, a nosso pensar,
maior eficiência dos mesmos”.
A estrutura capitular foi composta de maneira a, em rigorosa
lógica indutiva, alcançar as finalidades de
conteúdo.
São nove capítulos cujos títulos denotam os
respectivos conteúdos, assim: OS PORTOS BRASILEIROS ANTES DA LEI
DE MODERNIZAÇÃO; O PROJETO DE LEI N° 08/91; A
LEGISLAÇÃO PORTUÁRIA NACIONAL; O CONSELHO DE
AUTORIDADE PORTUÁRIA; AUTORIDADE PORTUÁRIA; A
REGULAÇÃO DO SETOR; RESISTÊNCIAS AO CAP;
POSSÍVEIS CAUSAS DA INEFICIÊNCIA DOS CAPs; EM BUSCA DA
EFICIÊNCIA.
Seguem-se sete anexos, dos quais destaco, aqui o Anexo 1 (com os textos
da Carta Régia de 1808 e do Decreto de 18 de Junho
de
1914), o Anexo 5 (contendo o Decreto de instituição do
Conselho Especial de Usuários), e o Anexo 6
(transcrição do trecho da Lei Nacional dos Portos que
cuida do Conselho de Autoridade Portuária).
De suas Conclusões, ressalto trecho com crítica que o
Autor faz nos seguintes termos: “Autoridades (ou
repartições públicas) fechadas em si, sem
autonomia, sem visão do conjunto, não percebem a
importância global de um porto e, por conseqüência,
não sabem atuar no local pensando no global. Enquanto isso, os
grandes complexos portuários, geridos por profissionais
verdadeiramente conhecedores da atividade portuária, do
transporte marítimo e do comércio exterior, utilizam-se
da
governança corporativa, que harmoniza interesses, media
conflitos
e exige ética em todos os procedimentos.”
E arremata: “Além disso, falta verdadeiramente uma
política nacional para o setor (ou subsetor) portuário.
Sem ela, não se tem atuação uniforme por parte das
diversas entidades que atuam nos portos e, dessa maneira, o progresso e
o desenvolvimento chegam com atraso.”
Especificamente quanto ao tema nuclear do Livro, constata COLLYER que
“passados 15 anos do advento da Lei dos Portos, as competências
do
Conselho de Autoridade Portuária, suas responsabilidades e
limites de atuação, não foram devidamente
discutidos.”
Demonstra: “Apenas dois ou três doutrinadores trataram do tema e
somente os representantes empresariais realizaram, nesse mesmo
período, cinco Encontros Nacionais de seus conselheiros.
Não há registros de encontros nacionais de CAPs; nem de
seminários locais que tenham reunido todas as autoridades que
atuam no porto e, muito menos, de encontros de representantes de todos
os que têm interesse na atividade portuária”.
O livro “Lei dos Portos – O Conselho de Autoridade Portuária e a
busca da Eficiência” é, a meu juízo, de leitura
indispensável por todos os que, direta ou indiretamente, lidam
ou
têm interesse pela atividade portuária no Brasil, com
destaque para os que se preocupam com a teoria e a prática do
Direito Portuário brasileiro.
Lembro – por mais óbvio que possa parecer – como já o fiz
em meu Livro “Lições Preliminares de Direito
Portuário” (Florianópolis: Conceito Editorial,
2007)
que é inegável a influência do Direito
Portuário no devido equacionamento das atividades que dizem
respeito aos Portos e à sua dinâmica tão essencial
ao desenvolvimento social e econômico dos Países e,
portanto, do nosso Brasil.
Extremamente feliz foi Marcos Godoy PEREZ (Diretor da revista Portos e
Navios), prefaciador do livro, que, após arrolar aspectos
polêmicos quanto ao CAP, elogia de maneira muito apropriada: “Ao
se propor deslindar os nós desse tema, Wesley Collyer mergulhou
nos primórdios da elaboração da Lei n° 8.630.
O
resultado é uma obra definitiva, que resgata as idas e vindas no
Congresso até a redação final da lei. Recupera de
maneira reveladora as pesquisas que levaram à
idealização do CAP, mostrando que se trata de uma
criação original e genuinamente nacional. Enfim,
põe um ponto final na discussão sobre ‘ em que modelo foi
baseada”.
PEREZ finaliza seu prefácio, recomendando: “Com sua vasta
experiência jurídica, marítima e acadêmica,
Wesley Collyer não se limita a colocar os ‘pingos nos is’, mas
propõe ações para que a LMP passe à
condição de lei madura, plena. Algumas das
sugestões são tão simples e óbvias que, ao
lê-las, ficamos com a impressão de que não é
possível que ainda não tenham sido implementadas. Leiam e
vejam se não é isso mesmo”.
Ao endossar estas manifestações que considero
integralmente pertinentes, digo ao meu Leitor: dedique-se à obra
“Lei dos Portos – o Conselho de Autoridade Portuária e a busca
da
Eficiência” (São Paulo: Lex Editora, 2008).
Leia-a com atenção, porque, certamente, haverá um
excelente processo de aprendizagem sobre a atividade e o direito
portuário, com acumulação de
informações e, sobretudo, absorção de
fundamentos para uma responsável reflexão teórica
e
prática sobre este relevante tema.
[ Contatos com a Lex Editora: www.lex.com.br ]
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1 Doutor em Direito do Estado pela USP; Pós-doutor em Direito
das Relações Sociais pela UFPR; Mestre em
Instituições Jurídico-Políticas pela UFSC;
Mestre em Saúde Pública pela USP. Advogado – OAB/SC 943.
Autor, entre outros, dos livros: Ensaio sobre a Ética de
Norberto
Bobbio (Florianópolis: Conceito Editorial, 2008); Metodologia da
Pesquisa Jurídica: Teoria e Prática (11. ed. rev.atual.
Florianópolis: Conceito Editorial/Millennium, 2008);
Lições Preliminares de Direito
Portuário(Florianópolis: Conceito Editorial, 2007);
Função Social do Estado Contemporâneo.(3
ed.rev.atual.amp. Florianópolis: OAB/SC Editora
co-edição Editora Diploma Legal, 2003); e O
Advogado e a Advocacia. (3 ed. Florianópolis: OAB/SC Editora,
2001.).
2 Conforme PASOLD, Cesar Luiz. Lições Preliminares
de Direito Portuário. Florianópolis: Conceito Editorial,
2007, p. 22.
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