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Comandante Herói
02-03-09
Comte. Álvaro José de Almeida Júnior - CLC
Encontrava-me no comando do N/M “Maringá” da Empresa de
Navegação Aliança, demandando o Canal da Mancha
com destino ao porto de Londres, quando recebemos pedido de socorro de
um navio de bandeira inglesa.
Como nos encontrávamos a cerca de 20 milhas do navio citado e o
nosso “Maringá” desenvolvia a excepcional velocidade de 22
nós, rumamos para o local indicado cumprindo o sagrado
compromisso da solidariedade marinheira.
Ao chegarmos ao ponto mencionado, observamos um helicóptero
sobrevoando a área e um navio guarda-costa inglês se
aproximando.
Fizemos contacto com o comandante do navio patrulha que nos informou
estar a unidade inglesa com água aberta e sem chance de
salvamento; o naufrágio era iminente. Acrescentou que estava
recolhendo a tripulação e esperava retirar todos de bordo
antes do inevitável afundamento. Em seguida dispensou-nos para
prosseguirmos viagem.
Eram 20 horas de uma noite escura de outono.
No dia seguinte aportamos na capital inglesa e os jornais locais
estampavam na primeira página o naufrágio do navio com o
salvamento da tripulação, exceto do comandante que, para
surpresa nossa, havia se recusado a abandonar o navio.
Corria o ano de 1981 quando testemunhamos um bravo comandante afundar
com o seu navio, lembrando os tempos em que os Capitães
não sobreviviam à perda de sua nave.
Como dizia um conhecido almirante inglês: “O oceano é o
único túmulo de marinheiros bravos”.
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