Não Há Navios Sem Marinheiros



 Rio de Janeiro,    

O Centro dos Capitães
Associados
Cursos & Desenvolvimento
Oportunidades
Relationships

Bem-Vindos a Bordo
Diretoria
Estatuto
Agenda
Confraternização Mensal
Reuniões e Assembléias
Hino da Marinha Mercante
Legislação
Condecorações e Homenagens
Boletim Mensal
Diário de Bordo
Meteorologia
Glossário Marítimo
Arte & Cultura
Links Interessantes
Artigos
“Navegando ao largo da crise”
Jornal do Commercio / 25.5.2009
A indústria naval não foi atingida pela crise mundial. A produção continua estimulada pelos financiamentos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) e pelas encomendas da Petrobras e sua subsidiária Transpetro. A geração de empregos nos estaleiros associados ao Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) registra 32 mil pessoas diretamente empregadas, além de outros 10 mil postos de trabalhos em estaleiros não associados e na indústria náutica.

Para o presidente do Sinaval, Ariovaldo Santana da Rocha, a indústria de construção e reparação naval brasileira não foi mesmo afetada pela crise internacional. No mercado mundial, porém, a situação é diferente, já que há falta de financiamento e paralisação de encomendas.

"No Brasil, 2009 será marcado pelas ações na área de desenvolvimento de tecnologia de construção naval, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), que é vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, mobilizando universidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. O Brasil está no chamado Triângulo de Ouro (as outras regiões do triângulo são Golfo do México e a costa leste da África), que concentra o investimento na exploração de novos campos offshore. O pré-sal brasileiro é reconhecido nas publicações internacionais como a área petrolífera mais importante, nos próximos anos", explicou o presidente.

As encomendas de navios até 2015 estão estimadas em 214 embarcações, o que aumentará em 4,3 milhões de toneladas de porte bruto (TPB) a atual frota mercante sob a bandeira brasileira. O nível atual de 3,3 milhões de TPB passará a ser de 7,6 milhões de TPB em 2015. As encomendas em andamento nos estaleiros brasileiros, com contratos já assinados, somam mais 3,3 milhões de TPB, somente em 25 navios petroleiros. Encontram-se em construção duas plataformas semissubmersíveis (P-55 e P-56) e a plataforma fixa de Mexilhão.

Estão previstos para contratação, ainda em 2009, mais 23 navios petroleiros, somando mais 1,7 milhão de TPB, três navios para transporte de bunker e 24 navios de apoio marítimo, de um lote de 148 anunciado pela Petrobras. Nos próximos anos, as encomendas já anunciadas são de 124 navios de apoio, oito plataformas semi-submersíveis e FPSOs (plataforma flutuante de produção, estocagem e escoamento) e 28 navios sonda para perfuração de poços em águas profundas.

A principal iniciativa da Transpetro, que anima a indústria naval brasileira, é o Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), com 48 embarcações, e dividido em duas fases. A primeira prevê a construção de 26 navios. O investimento total previsto nesta fase é de US$ 2,5 bilhões, com geração de 22 mil empregos diretos e capacidade de transporte para 2,7 milhões de TPB. O financiamento do programa é garantido pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM), operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As encomendas relacionadas ao petróleo representam, segundo a Transpetro, a possibilidade concreta da contratação da construção de navios, plataformas, sondas e barcos de apoio necessários à exploração, produção e transporte de petróleo e gás natural retirados das novas jazidas que vem sendo descobertas na costa brasileira.

Além dos 49 navios para as duas fases do Promef em maio do ano passado a Petrobras divulgou seu Plano de Renovação da Frota de Embarcações, visando a construção de mais de uma centena de embarcações de apoio às suas atividades offshore. As encomendas serão feitas ao longo dos próximos anos. Com o desenvolvimento do pré-sal e o investimento em biocombustíveis, uma demanda adicional por navios, plataformas, sondas, FPSOs e barcos de apoio está garantida.

O Promef II (segunda fase do programa) também já teve seus editais lançados, a partir de meados de 2008. A geração de empregos diretos é estimada em 18 mil e no processo de construção serão consumidas 240 mil toneladas de aço. Uma novidade tecnológica desta segunda fase é a construção, pela primeira vez no Brasil, de navios dotados de posicionamento dinâmico (DP, na sigla em inglês).

O Promef tem como uma de principais premissas a construção de navios em estaleiros sediados no Brasil. A Petrobras também está em processo de colocação da maior parte de suas encomendas vinculadas à indústria naval também no país.

Uma das principais preocupações da Transpetro é justamente, por meio das duas fases do Promef, incentivar a modernização e, dessa forma, aumentar a competitividade dos estaleiros brasileiros. O Atlântico Sul, em Pernambuco, é um exemplo disso. O Atlântico Sul será um dos maiores do Hemisfério. Outros estaleiros do Rio de Janeiro, que já receberam encomendas da Transpetro, estão iniciando investimentos em suas plantas.

O Sinaval também destacou que as maiores petroleiras do mundo (Shell, Chevron, Devon e Petrobras) anunciaram, em seus planos de negócios e nos relatórios anuais aos acionistas, a manutenção dos investimentos na exploração de petróleo nas bacias marítimas brasileiras. Para o presidente do sindicato, a pauta de importações e exportações brasileiras aponta que existe mercado para o transporte marítimo e demonstra a necessidade de o Brasil investir na sua frota de navios.

"O comércio exterior brasileiro flui 90% através da via marítima e é processado em 159 portos (34 operados pelo governo e 125 operados pela iniciativa privada). Em termos de volume, as grandes quantidades viajam nos navios graneleiros, petroleiros e químicos. Os produtos de maior valor agregado viajam nos navios porta-contêineres. Com isso, nos principais itens da pauta comercial brasileira está descrita a demanda existente por transporte marítimo", afirmou Rocha.

Nos últimos dois anos, a indústria de construção e reparação naval passou novamente a aparecer no ranking mundial com a produção de navios, principalmente navios de apoio marítimo e petroleiros. A produção de embarcações para competição no mercado internacional provocou o aumento da porcentagem do conteúdo importado nos bens produzidos no País. Segundo o Sinaval, o conteúdo importado na produção industrial brasileira é estimado, em média, em 20% do total de peças, componentes e matérias-primas utilizadas. O ritmo de produção dos estaleiros brasileiros estava muito lento antes do crescimento dos investimentos no setor de petróleo, de acordo com a Transpetro.

Nos anos 1970, o Brasil chegou a ocupar a segunda posição entre as maiores potências da construção naval no mundo, mas, na década seguinte, muitas dificuldades quase causaram a extinção da atividade no País.

O Promef é uma questão de soberania nacional, de acordo com o setor. A retomada da indústria naval é considerada estratégica para a recuperação da marinha mercante brasileira, uma vez que o país gastamos US$ 10 bilhões por ano em transporte marítimo. Deste total, menos de 4% são pagos a empresas brasileiras.

No caso da cabotagem, a construção de navios para formar uma frota moderna começou a ser concretizada com investimentos da Log-In (Vale), em porta-contêineres e graneleiros (em construção no estaleiro Eisa) e com as encomendas de petroleiros da Transpetro para substituir navios de bandeira estrangeira afretados e petroleiros de idade avançada.

Home
Capitanias dos Portos DPC
DHN
USCG
IMO Cias de Navegação
Sociedades Classificadoras
Av.Rio Branco, 45 Gr.507 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2253-4623
TeleFax: (21) 2518-1638