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A indústria
naval não foi atingida pela crise mundial. A
produção continua estimulada pelos financiamentos do
Fundo da Marinha Mercante (FMM) e pelas encomendas da Petrobras e sua
subsidiária Transpetro. A geração de empregos nos
estaleiros associados ao Sindicato Nacional da Indústria da
Construção e Reparação Naval e Offshore
(Sinaval) registra 32 mil pessoas diretamente empregadas, além
de outros 10 mil postos de trabalhos em estaleiros não
associados e na indústria náutica.
Para o presidente do Sinaval, Ariovaldo Santana da Rocha, a
indústria de construção e reparação
naval brasileira não foi mesmo afetada pela crise internacional.
No mercado mundial, porém, a situação é
diferente, já que há falta de financiamento e
paralisação de encomendas.
"No Brasil, 2009 será marcado pelas ações na
área de desenvolvimento de tecnologia de
construção naval, com recursos da Financiadora de Estudos
e Projetos (FINEP), que é vinculada ao Ministério da
Ciência e Tecnologia, mobilizando universidades do Rio de Janeiro
e de São Paulo. O Brasil está no chamado Triângulo
de Ouro (as outras regiões do triângulo são Golfo
do México e a costa leste da África), que concentra o
investimento na exploração de novos campos offshore. O
pré-sal brasileiro é reconhecido nas
publicações internacionais como a área
petrolífera mais importante, nos próximos anos", explicou
o presidente.
As encomendas de navios até 2015 estão estimadas em 214
embarcações, o que aumentará em 4,3 milhões
de toneladas de porte bruto (TPB) a atual frota mercante sob a bandeira
brasileira. O nível atual de 3,3 milhões de TPB
passará a ser de 7,6 milhões de TPB em 2015. As
encomendas em andamento nos estaleiros brasileiros, com contratos
já assinados, somam mais 3,3 milhões de TPB, somente em
25 navios petroleiros. Encontram-se em construção duas
plataformas semissubmersíveis (P-55 e P-56) e a plataforma fixa
de Mexilhão.
Estão previstos para contratação, ainda em 2009,
mais 23 navios petroleiros, somando mais 1,7 milhão de TPB,
três navios para transporte de bunker e 24 navios de apoio
marítimo, de um lote de 148 anunciado pela Petrobras. Nos
próximos anos, as encomendas já anunciadas são de
124 navios de apoio, oito plataformas semi-submersíveis e FPSOs
(plataforma flutuante de produção, estocagem e
escoamento) e 28 navios sonda para perfuração de
poços em águas profundas.
A principal iniciativa da Transpetro, que anima a indústria
naval brasileira, é o Programa de Modernização e
Expansão da Frota da Transpetro (Promef), com 48
embarcações, e dividido em duas fases. A primeira
prevê a construção de 26 navios. O investimento
total previsto nesta fase é de US$ 2,5 bilhões, com
geração de 22 mil empregos diretos e capacidade de
transporte para 2,7 milhões de TPB. O financiamento do programa
é garantido pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM), operado pelo
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
As encomendas relacionadas ao petróleo representam, segundo a
Transpetro, a possibilidade concreta da contratação da
construção de navios, plataformas, sondas e barcos de
apoio necessários à exploração,
produção e transporte de petróleo e gás
natural retirados das novas jazidas que vem sendo descobertas na costa
brasileira.
Além dos 49 navios para as duas fases do Promef em maio do ano
passado a Petrobras divulgou seu Plano de Renovação da
Frota de Embarcações, visando a construção
de mais de uma centena de embarcações de apoio às
suas atividades offshore. As encomendas serão feitas ao longo dos
próximos anos. Com o desenvolvimento do pré-sal e o
investimento em biocombustíveis, uma demanda adicional por
navios, plataformas, sondas, FPSOs e barcos de apoio está
garantida.
O Promef II (segunda fase do programa) também já teve
seus editais lançados, a partir de meados de 2008. A
geração de empregos diretos é estimada em 18 mil e
no processo de construção serão consumidas 240 mil
toneladas de aço. Uma novidade tecnológica desta segunda
fase é a construção, pela primeira vez no Brasil,
de navios dotados de posicionamento dinâmico (DP, na sigla em
inglês).
O Promef tem como uma de principais premissas a
construção de navios em estaleiros sediados no Brasil. A
Petrobras também está em processo de
colocação da maior parte de suas encomendas vinculadas
à indústria naval também no país.
Uma das principais preocupações da Transpetro é
justamente, por meio das duas fases do Promef, incentivar a
modernização e, dessa forma, aumentar a competitividade
dos estaleiros brasileiros. O Atlântico Sul, em Pernambuco,
é um exemplo disso. O Atlântico Sul será um dos
maiores do Hemisfério. Outros estaleiros do Rio de Janeiro, que
já receberam encomendas da Transpetro, estão iniciando
investimentos em suas plantas.
O Sinaval também destacou que as maiores petroleiras do mundo
(Shell, Chevron, Devon e Petrobras) anunciaram, em seus planos de
negócios e nos relatórios anuais aos acionistas, a
manutenção dos investimentos na exploração
de petróleo nas bacias marítimas brasileiras. Para o
presidente do sindicato, a pauta de importações e
exportações brasileiras aponta que existe mercado para o
transporte marítimo e demonstra a necessidade de o Brasil
investir na sua frota de navios.
"O comércio exterior brasileiro flui 90% através da via
marítima e é processado em 159 portos (34 operados pelo
governo e 125 operados pela iniciativa privada). Em termos de volume,
as grandes quantidades viajam nos navios graneleiros, petroleiros e
químicos. Os produtos de maior valor agregado viajam nos navios
porta-contêineres. Com isso, nos principais itens da pauta
comercial brasileira está descrita a demanda existente por
transporte marítimo", afirmou Rocha.
Nos últimos dois anos, a indústria de
construção e reparação naval passou
novamente a aparecer no ranking mundial com a produção de
navios, principalmente navios de apoio marítimo e petroleiros. A
produção de embarcações para
competição no mercado internacional provocou o aumento da
porcentagem do conteúdo importado nos bens produzidos no
País. Segundo o Sinaval, o conteúdo importado na
produção industrial brasileira é estimado, em
média, em 20% do total de peças, componentes e
matérias-primas utilizadas. O ritmo de produção
dos estaleiros brasileiros estava muito lento antes do crescimento dos
investimentos no setor de petróleo, de acordo com a Transpetro.
Nos anos 1970, o Brasil chegou a ocupar a segunda posição
entre as maiores potências da construção naval no
mundo, mas, na década seguinte, muitas dificuldades quase
causaram a extinção da atividade no País.
O Promef é uma questão de soberania nacional, de acordo
com o setor. A retomada da indústria naval é considerada
estratégica para a recuperação da marinha mercante
brasileira, uma vez que o país gastamos US$ 10 bilhões
por ano em transporte marítimo. Deste total, menos de 4%
são pagos a empresas brasileiras.
No caso da cabotagem, a construção de navios para formar
uma frota moderna começou a ser concretizada com investimentos
da Log-In (Vale), em porta-contêineres e graneleiros (em
construção no estaleiro Eisa) e com as encomendas de
petroleiros da Transpetro para substituir navios de bandeira
estrangeira afretados e petroleiros de idade avançada.
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