Não Há Navios Sem Marinheiros



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Portos brasileiros, casa-da-mãe-joana                                  08 – 01 - 09
Comte. Luiz Augusto C. Ventura – CLC
 venturalac@yahoo.com.br

A ortografia mudou e pode ser que “casa-da-mãe-joana” agora se escreva   “casa da mãe Joana”, sem hífen. Não sei. 

O que não mudou certamente foi o seu significado, ou seja: lugar onde vale tudo, onde predomina a confusão e a desorganização, onde todos mandam, cada um à sua maneira. E isto se emprega aos nossos portos onde mandam a Saúde dos Portos, a Marinha, a Receita Federal, a Polícia Federal, a Guarda Portuária, etc...

O que também não muda é o tratamento dado aos marítimos e seus familiares na área portuária. Neste final de ano, como já era de se esperar, a Autoridade Marítima (desta vez foi a Receita Federal a “dona da casa”) voltou a exibir o seu poder discricionário contra os marítimos, justamente na semana imprensada entre o Natal e o Ano Novo.

Tratando-se de uma data estratégica, o recém nomeado delegado do Porto de Itaguaí, certamente para não ter seus planos de “trabalho” perturbados, simplesmente resolveu ressuscitar uma portaria de 2001, proibindo que qualquer pessoa estranha aos quadros administrativos da área operacional do porto tenha acesso a ela. A portaria, anterior à implantação do Código ISPS, não menciona marítimos e muito menos seus familiares, mas estes, pra variar, são sempre envolvidos e considerados potencialmente perigosos sem a mínima consideração.

Um dos navios da nossa frota mercante, o “Aliança Brasil”, pegou essa onda de proa (ver artigo indignado do Imediato no nosso site intitulado “Suave, mari magno”). Chegou ao porto no dia 28/12, saiu no dia 29 e, devido a essa ordem absurda e esdrúxula, os tripulantes que não puderam baixar terra em virtude de seus afazeres durante a operação do navio, ficaram impedidos de abraçar seus filhos, suas esposas, seus familiares.

Como é que um funcionário público federal, com curso superior, pago com os nossos impostos, toma uma atitude dessas? Será que esse funcionário não mede a abrangência do seu cargo e dos seus atos? O pior é que essa gente comete contra nós, que estamos gerando divisas para a economia do país, as maiores atrocidades, e ainda tem o desplante de nos chamar de “contribuintes”.

Qual o perigo que o familiar de um tripulante de um navio atracado pode trazer à área portuária? Ele sabe que essa categoria existe? Que prejuízo esse familiar poderia causar aos cofres públicos com uma simples visita a um navio, anda mais autorizada pelo Comandante?

Achamos que alguma coisa tem de ser feita. E com urgência. O que não pode continuar é essa idiossincrasia sem pé nem cabeça.


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