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A navegação de cabotagem no
Brasil
27 – 11 - 08
Comte. Luiz Augusto C. Ventura – CLC
venturalac@yahoo.com.br
É difícil entender como um país
como o Brasil, detentor de 8000 km de litoral, não desenvolve a
Cabotagem no seu território, incentivando o transporte de
mercadorias por via aquaviária, sabidamente o meio mais
eficiente não só pela segurança da carga como pelo
custo mais baixo do frete.
Aliado ao fato de possuir um imenso litoral, uma
faixa dele com 200 km de largura abriga a grande maioria das cidades e
capitais brasileiras com acesso ao mar e próximas dos principais
portos de norte a sul ou de Porto Velho a Porto Alegre.
Os Estados unidos exploram muito bem essa
condição. A soja produzida lá, a preços
muito mais altos do que no Brasil, é exportada a preços
mais baixos, graças à racionalidade do transporte da
“commodity” que é transferida do interior para os portos por
meios ferroviários e hidroviários, muito mais baratos do
que o rodoviário.
Essa vantagem, no entanto, não está sendo por nós
aproveitada. Para se ter uma idéia, o transporte de cargas na
cabotagem equivale a um pouco mais de 13% de toda a carga transportada
(na década de 50 eram 28%) devendo-se levar em conta que a maior
parte dessas cargas entre os portos brasileiros é de
combustíveis e minérios, com a carga geral participando
de apenas 4.5% da tonelagem geral.
Clamam uns pela melhoria da infra-estrutura
portuária e os esbarros são enormes como a sempre alegada
falta de verbas e, quando elas existem, os entraves burocráticos
para execução das obras, haja vista o aprofundamento do
porto de Santos.
É preciso aumentar a capacidade da frota de cabotagem, apregoam
outros, mas os armadores relutam em encomendar navios devido à
falta de financiamento e, sobretudo, da obrigatoriedade de
fazê-los em estaleiros nacionais onde os preços, segundo
eles, são muito mais altos do que China, Cingapura, Hong-Kong ou
Coréia.
Ainda outro fator que contribui para o empecilho do desenvolvimento do
setor, gritam os transportadores, é o preço do
combustível utilizado nos navios de cabotagem, sem
subsídios.
Como atenuante, temos a informação da
Secretaria Especial de Portos de que está estudando medidas para
a correção dessas anomalias levando em conta iniciativas
que visam: estimular a navegação de cabotagem reduzindo o
custo de abastecimento dos navios, adequar e regulamentar a
legislação, estimular a ampliação e
modernização da indústria da
construção naval e reorganizar a atividade
portuária.
Estas e outras medidas são bem-vindas e
precisam realmente ser implantadas, do contrário corremos o
risco de ver nossa cabotagem entregue aos grandes conglomerados
internacionais que estão de olho, sobretudo, no nosso transporte
de granéis líquidos. Insinuações não
faltam como a tentativa de prolongar na cabotagem os navios procedentes
do longo curso.
Os navios de passageiros já fazem turismo no nosso litoral, com
milhares de passageiros, enquanto nossos empresários e
autoridades marítimas discutem o sexo dos anjos.
A coisa é tão mais grave quando se
vê um Ministro de Estado, Reinhold Stephanes, contestar o fato de
que é mais barato enviar um produto do Porto de Santos para a
China do que mandá-lo para o nordeste e apontando como
solução para esse disparate a quebra do monopólio
da nossa cabotagem e da construção naval, um outro
disparate.
Mas temos indícios de que o bom senso vai
acabar prevalecendo.
Um deles é a disposição da Secretaria de Portos em
apontar medidas razoáveis; outra é o vislumbre de parte
da armação nacional que, ao invés de ficar se
lamentando, investe no potencial do país a exemplo, dentre
outras, da Aliança, que continua crescendo e investindo cada vez
mais na Cabotagem e a Log-in, que acaba de contratar a
construção de cinco navios porta-contêineres ao
Estaleiro EISA com financiamento do BNDES de R$ 625,2 milhões.
Isto sem falar na Transpetro que tem sido o esteio da nossa Cabotagem e
um exemplo a ser seguido pelo empresariado nacional.
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