Afinal, o que queremos ser?
16 – 10 - 08
Comte. Carlos Nardin Lima – CLC
carlos.nardin@gmail.com
Antes de discorrer sobre esse tema, permitam-me transcrever a
fábula da "Águia e a Galinha", citada por Leonardo Boff
em seu livro “O Despertar da Águia”:
Era uma vez um camponês que foi
à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo
cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia.
Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e
ração própria para galinhas. Embora a águia
fosse o rei/a rainha de todos os pássaros.
Depois de cinco
anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista.
Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista:
- Esse
pássaro aí não é galinha. É uma
águia.
- De fato – disse o
camponês. É águia. Mas eu criei-a como galinha. Ela
não é mais uma águia. Transformou-se em galinha
como as outras, apesar das asas de quase três metros de
envergadura.
- Não –
retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma
águia. Pois tem um coração de águia. Este
coração a fará um dia voar às alturas.
- Não,
não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais
voará como águia.
Então
decidiram fazer uma prova... O naturalista tomou a águia,
ergueu-a bem alto e desafiando-a disse:
- Já que
você de fato é uma águia, já que você
pertence ao céu e não a terra, então abra suas
asas e voe!
A água ficou
sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava
distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá em baixo, ciscando
grãos. E pulou para junto delas.
O camponês
comentou:
- Eu lhe disse, ela
virou uma simples galinha!
- Não -
tornou insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma
águia será sempre uma águia. Vamos experimentar
novamente amanhã.
No dia seguinte, o
naturalista subiu com a águia no telhado da casa.
Sussurrou-lhe:
- Águia,
já que você é uma águia, abra suas asas e
voe!
Mas quando a
águia viu lá em baixo as galinhas, ciscando o
chão, pulou e foi para junto delas.
O camponês
sorriu e voltou à carga:
- Eu lhe havia
dito, ela virou galinha!
- Não –
respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia,
possuirá sempre um coração de águia. Vamos
experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.
No dia seguinte, o
naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a
águia, levaram-na para fora da cidade, longe das casas dos
homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das
montanhas.
O naturalista
erguendo a águia para o alto ordenou-lhe:
- Águia,
já que você é uma águia, já que
você pertence ao céu e não à terra, abra
suas asas e voe!
A águia
olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não
voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na
direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da
claridade solar e da vastidão do horizonte.
Nesse momento, ela
abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kan-kan das
águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a
voar, a voar para o alto, a voar cada vez para mais alto. Voou, voou...
até confundir-se com o azul do firmamento...
Podemos associar
essa fábula à ação dos poderosos.
Principalmente daqueles que adquiriram poder atropelando a maior
eficiência de seus oponentes por meios escusos e indevidos;
daqueles que fazem da sua mediocridade, ineficiência e
incapacidade a justificativa para conseguirem seus objetivos por
ações antiéticas.
E você,
companheiro!...O que está esperando?
Faça
despertar a águia que existe em você. Agigante-se, abra
suas asas, grasne, imponha sua condição de águia.
Acredite no seu potencial.
A metáfora usada por Leonardo Boff é oportuna. No momento
que o Brasil se agiganta e se apresenta ao mundo como uma das
eventuais potências econômicas do futuro, possuidor da
energia limpa e renovável mais barata do planeta, das
gigantescas reservas petrolíferas do pré-sal, de
infra-estrutura habilitada a produzir alimentos para abastecer o mundo
e com o potencial energético capaz de suportar as demandas
futuras, cabe a nós acreditarmos que o Brasil é
águia e não galinha. Alçará vôo e
ganhará as alturas.
À Marinha Mercante brasileira, como integrante do poder
marítimo e aos homens e mulheres que tripulam nossos navios,
cabe a difícil tarefa de manter o fluxo de nossas riquezas com
alto padrão de operosidade e segurança.
Cabe mostrar que somos um país de vocação
marítima capaz de operar não só na cabotagem como
também voltar a integrar o comércio de longo curso.
Cabe, em última análise, mostrar ao mundo que somos
águia, capaz de voar cada vez mais alto.