Portos brasileiros, luz amarela acesa.
13 – 06 - 08
Comte. Carlos Nardin Lima – CLC
carlos.nardin@gmail.com
Atenção
autoridades portuárias! Muita atenção! O
título deste artigo é um brado de alerta para aqueles que
legislam sobre a vida portuária brasileira; para aqueles que
carregam sobre os ombros o peso da responsabilidade de gerir vultosas
riquezas que circulam diariamente pelos portos do Brasil; para as
autoridades a quem cabe manter a ordem e o bom desempenho operacional
dos portos.
Os tempos mudaram.
Antigamente a Marinha Mercante vivia sob a ameaça de greve dos
marítimos, de estivadores etc. que tinham como objetivo, quase
sempre, a melhoria salarial.
Hoje a ameaça provém da saturação dos
marítimos. Para ser mais explícito, recomendo a leitura
do último número da Revista UNIFICAR do Sindicato dos
Oficiais da Marinha Mercante - Sindmar e o artigo do Comandante
Ventura, a meu ver um manifesto, publicado no Boletim Informativo do
Centro dos Capitães dia 26/05/2008.
Aqueles artigos retratam a revolta, a insatisfação, o
constrangimento e o grau de saturação a que chegou a
classe marítima em face do tratamento que há
décadas vem recebendo nos portos do Brasil.
Antigamente os meios de comunicação eram muito
precários. Uma carta enviada do Rio de Janeiro para Belém
do Pará, por exemplo, chegava (quando chegava) em dois,
três dias.
Hoje, com um minúsculo telefone celular, pode-se mobilizar uma
classe
ou interromper a operação de um ou vários navios,
de norte a sul do Brasil, e até mesmo de navios que se encontrem
no exterior.
Os Sindicatos dispõe de comunicação imediata com
os navios mesmo que estes estejam em viagem de cabotagem ou longo curso.
Hoje a disciplina a bordo dos navios brasileiros é bem mais
rigorosa que antigamente e o preparo acadêmico dos oficiais,
muito maior. Os Oficiais da Marinha Mercante tem nível superior,
imunidades previstas em lei, são Oficiais da Reserva da Marinha
de Guerra, têm salário e regime de trabalho quase sempre
compatíveis com o sacrifício da vida que levam e o
reconhecimento de parte da sociedade brasileira.
Cabe às autoridades entenderem também que a classe
marítima, além de exercer uma atividade de alto risco e
reconhecida abnegação, representa um elo de fundamental
importância para o bom andamento operacional dos nossos portos.
Seria inútil relembrar constrangimentos por mim sofridos quando
ainda na ativa, mas gostaria de citar apenas um ocorrido com um
Comandante da Fronape, meu amigo, no terminal de minério de
Tubarão, que sintetiza o que poderá ocorrer num futuro
próximo.
Esse Comandante foi barrado juntamente com sua esposa e duas filhas no
portão de acesso ao terminal, sob a alegação que
não era permitido o ingresso de mulher. O Comandante não
teve dúvida, pediu para usar o telefone do terminal (não
existia celular naquela época), ligou para o seu Imediato a
bordo e ordenou que fosse interrompida a operação
já que ele não podia ingressar com sua família.
Uma proibição absurda teve uma resposta radical.
Não é preciso dizer que a situação foi
rapidamente resolvida e a operação do navio retomada.
Por incrível que pareça, ordens absurdas como essa emanam
de pessoas que
dirigem a atividade portuária. Talvez porque nunca tenham se
deparado com resposta tão incisiva.
Essa mentalidade deve ser revista sob pena de, num futuro
próximo, começarem a surgir os resultados nocivos
à operação portuária.
Não esperem que a luz vermelha se acenda. Sentem em volta de uma
mesa com representantes de todos os segmentos marítimos e
portuários, discutam exaustivamente o problema e vislumbrem uma
solução consensual, do contrário, a
radicalização no futuro será inevitável.