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Aos
aprendizes do mar.
Comte. Juarez Oliveira Lima
– CLC
cmtjolima@uol.com.br
Quaisquer que tenham sido os motivos que os levaram a ingressar na
nossa Marinha Mercante, que os acolheu de braços abertos,
certamente ainda não houve tempo para entender, em toda sua
amplitude, a importância dessa decisão e todas as
possibilidades de progresso profissional e intelectual que se abriram
no momento de sua escolha.
A Marinha Mercante se revela efetivamente só a quem se dedica
com seriedade, sinceridade, fervor, absoluta lealdade, firmeza e
perseverança ao estudo e à prática quotidiana da
vida no mar.
Isso se consegue alcançar por meio do trabalho quando embarcado.
Aquele que se deixa vencer pelo desalento e decepção
não conhecerá, por certo, tudo o que a Marinha Mercante
pode oferecer no sentido do aperfeiçoamento profissional
marítimo.
O tesouro mercante se acha profundamente escondido no mar. Somente
explorando-o, ou seja, buscando conhecer a sua amplitude e magnitude
é que poderemos encontrá-lo. Quem ingressa na Marinha
Mercante imaginando-a como uma atividade qualquer, não pode
alcançar conhecimento. Só persistindo nela com vontade
inalterada, esforçando-se para ser verdadeiramente um “Lobo do
Mar” e tendo consciência clara dessa característica
é que o marítimo encontrará seu real valor a
bordo.
Ser um bom profissional a bordo, ativo, que se esforça por
navegar no rumo certo, pondo em prática os ensinamentos
acumulados no período escolar é, sem dúvida,
melhor que ostentar vaidade pessoal, permanecendo na odiosa
ignorância dos que nada conhecem da profissão
marítima.
A condição de vocês, aprendizes do mar, se refere
à nossa “capacidade de aprender”. Assim como vocês,
também somos eternos aprendizes, enquanto nos fazemos
receptivos, nos abrindo interiormente e dirigindo nosso empenho no
sentido de nos aproveitarmos construtivamente de todas as nossas
experiências de vida marítima e de todos ensinamentos que,
pelas mais variadas formas, nos são passados. A intensidade do
desejo de progredir é que determina nossa capacidade.
O esforço individual de cada um a bordo é
condição “sine qua non” para esse progresso.
O aprendiz do mar não deve se contentar em receber passivamente
as ideias, conceitos e teorias que lhes são apresentadas no seu
dia a dia embarcado. Há que trabalhar todo esse material e, com
ele, formar sua própria opinião.
Uma das coisas mais importantes que caracterizam nossa profissão
de marítimo é a perfeita compreensão da
existência harmônica dos princípios de liberdade e
autoridade.
Cada um a bordo, independentemente de sua função, deve
progredir por meio de suas próprias experiências e
compreensões e, claro, de seus próprios esforços,
ainda que aproveitando, mediante seu critério, as
experiências daqueles que os precederam no mesmo caminho.
Lograrão assim, através do conhecimento, da virtude e da
prática de vida no mar dos mais antigos, obter a
orientação que servirá de guia a cada um de
vocês, enquanto não puderem tomar, por si mesmos, o longo
caminho a percorrer na profissão que abraçaram.
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