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Todo ano é a mesma coisa: a
implantação do horário de verão, conhecido
como DST, do inglês Daylight saving time, provoca a
mesma celeuma. Apesar da comprovada economia de energia que pode chegar
no horário de pico de 3,5 a 5,0%, principalmente nos estados do
sul, uma grande parcela da população fica insatisfeita e
reclama muito com essa pequena alteração na rotina do dia
a dia. Como os protestos tendem a fazer barulho e chamar mais à
atenção, às vezes se tem a impressão que a
maioria abomina essa prática. No entanto, pesquisas demonstram
exatamente o contrário: em 2001, 74% da população
aprovou o horário de verão com a justificativa não
só da economia de energia, como também pelo aumento do
convívio familiar entre pais e filhos menores e pelo aumento da
segurança das pessoas, ao permitir o retorno do trabalho antes
do anoitecer.
Algumas críticas e comentários
publicados na imprensa inflam o ego dos contestadores e espantam os
marítimos que conviveram e convivem com esse fenômeno
considerado por eles como corriqueiro. Artigos pretensamente baseados
em pesquisas científicas atestam fundamentalmente que a
alteração de uma simples hora afeta o relógio
biológico das pessoas, prejudicando o funcionamento do organismo
que possui diversos ritmos sincronizados entre si, como a temperatura,
o sono, etc. Concluem esses pesquisadores que essas
alterações, chamadas de desordem interna, provocam nas
pessoas mal estar, dificuldade para dormir no horário habitual,
sonolência durante o dia e alteração no humor e nos
hábitos alimentares.
Pobres de nós, marítimos, que, em
trabalho diuturno, passamos a vida mudando de fuso horário. Em
linha regular para o Japão, por exemplo, são doze horas
adiantadas e doze horas atrasadas em um período aproximado de
três meses, duração da viagem redonda (incluindo
uma passagem por um porto do Golfo Pérsico, para os
marítimos da Petrobras). Ou seja, mudança de
horário (uma hora para mais ou para menos) a cada quatro dias
aproximadamente. Pra ficar mais na nossa vizinhança, em linha
regular para a África, em viagem redonda com
duração aproximada de 20 dias (9 de ida, 9 de volta e 2
operando), a alteração no relógio é de 8
horas (adiantando 4 na ida e atrasando 4 na volta), uma hora a cada
dois dias. Para a Europa a rotina é quase a mesma com a
agravante de que muitas vezes, de um porto para outro, com
duração de poucas horas de viagem, é preciso
ajustar o relógio para a hora local.
Confesso que jamais senti ou presenciei qualquer
distúrbio provocado por essas alterações.
Comandando navios, nunca vi ninguém se queixar de mau humor ou
distúrbios alimentares causados por alteração na
hora. Jamais tomei conhecimento de que o departamento médico de
qualquer empresa de navegação tenha recomendado aos seus
marítimos, medidas para prevenir ou atenuar qualquer
malefício que mudanças de horário tão
freqüentes poderiam causar aos seus organismos. E, sobretudo,
nunca soube que qualquer dirigente sindical tenha reivindicado alguma
compensação pelos transtornos causados aos seus
associados provocados pela alteração do horário de
bordo
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