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Horário de verão
Comte. Luiz Augusto C. Ventura – CLC


 
    Todo ano é a mesma coisa: a implantação do horário de verão, conhecido como   DST, do inglês Daylight saving time, provoca a mesma celeuma. Apesar da comprovada economia de energia que pode chegar no horário de pico de 3,5 a 5,0%, principalmente nos estados do sul, uma grande parcela da população fica insatisfeita e reclama muito com essa pequena alteração na rotina do dia a dia. Como os protestos tendem a fazer barulho e chamar mais à atenção, às vezes se tem a impressão que a maioria abomina essa prática. No entanto, pesquisas demonstram exatamente o contrário: em 2001, 74% da população aprovou o horário de verão com a justificativa não só da economia de energia, como também pelo aumento do convívio familiar entre pais e filhos menores e pelo aumento da segurança das pessoas, ao permitir o retorno do trabalho antes do anoitecer.
    Algumas críticas e comentários publicados na imprensa inflam o ego dos contestadores e espantam os marítimos que conviveram e convivem com esse fenômeno considerado por eles como corriqueiro. Artigos pretensamente baseados em pesquisas científicas atestam fundamentalmente que a alteração de uma simples hora afeta o relógio biológico das pessoas, prejudicando o funcionamento do organismo que possui diversos ritmos sincronizados entre si, como a temperatura, o sono, etc. Concluem esses pesquisadores que essas alterações, chamadas de desordem interna, provocam nas pessoas mal estar, dificuldade para dormir no horário habitual, sonolência durante o dia e alteração no humor e nos hábitos alimentares.
    Pobres de nós, marítimos, que, em trabalho diuturno, passamos a vida mudando de fuso horário. Em linha regular para o Japão, por exemplo, são doze horas adiantadas e doze horas atrasadas em um período aproximado de três meses, duração da viagem redonda (incluindo uma passagem por um porto do Golfo Pérsico, para os marítimos da Petrobras). Ou seja, mudança de horário (uma hora para mais ou para menos) a cada quatro dias aproximadamente. Pra ficar mais na nossa vizinhança, em linha regular para a África, em viagem redonda com duração aproximada de 20 dias (9 de ida, 9 de volta e 2 operando), a alteração no relógio é de 8 horas (adiantando 4 na ida e atrasando 4 na volta), uma hora a cada dois dias. Para a Europa a rotina é quase a mesma com a agravante de que muitas vezes, de um porto para outro, com duração de poucas horas de viagem, é preciso ajustar o relógio para a hora local.
    Confesso que jamais senti ou presenciei qualquer distúrbio provocado por essas alterações. Comandando navios, nunca vi ninguém se queixar de mau humor ou distúrbios alimentares causados por alteração na hora. Jamais tomei conhecimento de que o departamento médico de qualquer empresa de navegação tenha recomendado aos seus marítimos, medidas para prevenir ou atenuar qualquer malefício que mudanças de horário tão freqüentes poderiam causar aos seus organismos. E, sobretudo, nunca soube que qualquer dirigente sindical tenha reivindicado alguma compensação pelos transtornos causados aos seus associados provocados pela alteração do horário de bordo

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