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Cristãos, judeus e aposentados
Comte. Getúlio Brilhante - CCB 


                   A história universal está repleta de registros de fatos indignos praticados pelos humanos contra seus semelhantes. Principalmente quando se trata de governantes e governados.
São uma constante tais acontecimentos. Repetem-se através de décadas, de séculos. Parece até que a história precisa destes fatos cruéis para se fazer notada, marcante, atraente. Inspiração para livros, filmes e outras dramaturgias. É um campo fértil para poetas, produtores cinematográficos e outros tipos de contadores de história.
Nestas narrativas, de fatos verídicos, está sempre presente um tirano, responsabilizando um grupo, raça ou categoria de humanos por seus próprios fracassos e clamando punição para os responsáveis, escalados, pelos tiranos, a pagar os pecados de outrem.
Determinados os culpados, é disparada contra eles toda uma gama de maldades. Perseguições, crueldades as mais diversas. E para tornar o processo perfeccionista e apoiado pela maioria, catalisam opiniões das massas adversas às quais impõem, subliminarmente, o raciocínio conveniente para eles. E a massa, catalisada, passa a compactuar a opinião dos chefes de plantão.
Nero, Imperador de Roma, num repente alucinado, incendiou sua cidade. Quando sentiu o peso de seu desvario e temendo as consequências do mesmo, acusou os cristãos pelo incêndio da cidade. Convenceu a turba anticristã com a sua mentira e livrou-se covardemente dos resultados de seu ato maligno.
Os livros, o cinema, contam o que sucedeu. Os cristãos, jogados literalmente às feras na arena do circo romano, para gáudio da turba sedenta de sangue e diversão tétrica. A platéia deste circo de horrores se sentia, assim, vingada da destruição da cidade, que aceitavam ser culpa dos cristãos.
Rolou o tempo no leito da história e eis que um novo Nero aparece, responsabilizando mais uma vez um grupo humano pelas desgraças sofridas pelo seu povo. Adolf Hitler, no sonho de construir uma réplica do Império Romano, dominador e poderoso, ansioso por ressuscitar uma Alemanha batida na primeira guerra mundial, fez o seu povo acreditar que seu país havia perdido a guerra não por sua fraqueza bélica e, sim, porque fora traído. E quem haviam sido os traidores da Alemanha? Os escolhidos, os escalados, foram os judeus. Os judeus, segundo Hitler, foram os responsáveis pela débâcle alemã com o poder de seu ouro e capital financeiro.

Um sentimento nacionalista e anti-semita tomou conta do povo germânico e a história novamente repetiu-se com as crueldades de sempre, agora sob novo matiz. Não mais leões nas arenas. Gases mortíferos e outras terríveis opções de destruição em massa foram aplicados contra o povo judeu. E este povo, indefeso, foi massacrado marcando a história com mais este tópico da crueldade humana.
Anos após este Holocausto, voltaram os das artes a cantar em prosa, verso e película a agonia do povo israelense.
A marcha do tempo, inexorável, nos traz agora ao Brasil. Um país debatendo-se em sucessivas crises econômicas, fruto único e exclusivo de dirigentes dominados por influências externas. Enfraquecidos e incapazes de resolverem os problemas do país, optaram, como seus similares no passado, a escalarem alguém, um grupo, que pudesse ser responsabilizado pelos seus próprios fracassos. De preferência um grupo fraco e sem poder de barganha ou reação.
E então, como os cristãos e judeus no passado, os agora escolhidos para serem responsabilizados pelos problemas da nação foram: OS APOSENTADOS.
Os velhinhos indefesos, ante o poder governante, recebem a pecha de responsáveis pelas dificuldades financeiras do país. E haja propagandas negativas, subliminares, para incutir na mente popular que a grande massa de aposentados é a vilã da economia nacional.   Desvinculação dos benefícios do salário mínimo; o mais mínimo do mundo; mudança das regras todo tempo, uma verdadeira guerra contra os que não podem mais fazer guerra. É triste, muito triste, e até mesmo anti-crlstão. Só falta aparecer um possesso com a ideia de uma arena ou câmara de gás como solução final. E novos poetas, cineastas, etc., voltarem daqui a algum tempo a cantar e contar essa nova odisséia. Dos velhinhos aposentados de um país chamado Brasil. Será que ao menos eles merecerão Isso?
Gostaria de ver novos governantes que não desejassem passar à história como modernos Neros ou Hitlers. Que não fossem tão insensíveis. Mesmo porque a história tem demonstrado que não há perdão para os crueis. E a vida, dizem, tem dono. E ELE vem cobrar.

Comte. Getúlio Brilhante - CCB
                getuliobrilhante@uol.com.br

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