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Passei a me conhecer
melhor depois de um episódio que vivenciei ao me dirigir a uma
criança em uma quitanda onde havia ido comprar frutas.
- Onde está
sua mãe? – indaguei à menina que devia ter por volta de
cinco anos.
- Mãeeee... tem um velho aqui lhe
procurando.
Surpreso e com o ego um pouco
abalado - por que não dizer? - me dei conta de que, aos meus
setenta e dois anos, mesmo reconhecendo que estava com a idade
avançada, precisava entender melhor o significado da palavra –
velho. Na verdade não me sentia imprestável, não
dependia de outra pessoa para me locomover e muito menos usava muleta
ou bengala. Por que aquele “velho” de supetão? Deduzi que a
menina, na sua inocência, associou meus cabelos brancos à
velhice.
Cabelos brancos denunciam
velhice? Claro que não.
Ninguém envelhece por
ter vivido algumas décadas e sim por ter desistido do seu ideal
e dos seus sonhos. O tempo enruga a pele enquanto a renúncia ao
seu ideal e seus sonhos enruga a alma. As preocupações,
as dúvidas, as desesperanças e os temores, são
fatores que nos alquebram, antes que a morte nos arrebata a vida.
Jovem é aquele que
desafia e questiona os acontecimentos do dia-a-dia e encontra alegria
no prazer de viver. Posto à prova, agiganta-se, galvaniza-se e
se sente capaz de dar mais um passo à frente, desafiando o
tempo. Os fracassos o tornam mais forte e o triunfo um gigante.
Serás jovem
enquanto tiveres dúvidas e vontade de aprender, e mais jovem
ainda se tiveres confiança nos conhecimentos adquiridos;
serás velho quando te sentires abatido.
Permanecerás
jovem enquanto te sentires generoso e capaz de dar e ajudar o teu
próximo; enquanto a ação de dar valer mais do que
receber.
Permanecerás
jovem enquanto fores receptivo a tudo que é belo, bom e
grandioso.
Mas, se um dia,
qualquer que seja tua idade biológica, sentires teu
coração mordido pelo egoísmo e corroído pelo
abatimento, podes ter a certeza, nesse dia serás
incontestavelmente um VELHO.
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