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Todos os passageiros do Concordia poderiam ter sido salvos, diz Capitania

Roma, 26 jan (EFE).- O comandante-geral da Capitania dos Portos da Itália, o almirante Marco Brusco, afirmou nesta quinta-feira que se Francesco Schettino, o capitão do navio que naufragou no dia 13 de janeiro em frente à ilha de Giglio, tivesse dado o sinal de alerta a tempo, todos os passageiros teriam sido salvos.

Brusco compareceu nesta quinta ao Senado para explicar a posição da Capitania dos Portos a respeito do naufrágio do cruzeiro Costa Concordia, que por enquanto causou 16 mortes e deixou 22 desaparecidos.

"Se o comandante Schettino não tivesse perdido uma hora preciosa, teria saído tudo perfeito. Os botes de salvamento teriam sido descidos com tranquilidade com todos os passageiros a bordo. No entanto, a primeira hora, que é a mais importante, foi perdida e depois se trabalhou em meio à angústia. Além disso, ele foi embora e só chegavam ordens contraditórias", explicou Brusco.

Um dos principais problemas do resgate dos passageiros foi a impossibilidade de descer os botes, pois uma hora depois do impacto contra as rochas, o navio estava muito inclinado para que pudessem ser descidos.

O responsável da Capitania foi contundente ao afirmar que a culpa "seguramente é do comandante Francesco Schettino", mas também questionou onde estavam os outros oficiais e por que não fizeram nada.

Sobre a manobra de aproximação do cruzeiro à ilha do Giglio, o que causou o impacto com as rochas e fez com que o navio naufragasse, Brusco assegurou que "as rotas são decididas pelo capitão, que tem que assumir toda a responsabilidade".

Segundo o almirante Brusco, "a manobra de aproximação foi algo extravagante, porque foi feita quase em ângulo reto com relação à ilha de Giglio, com uma velocidade elevada".

Além disso, Brusco garantiu que a Capitania dos Portos não tinha sido avisada da chamada "saudação" a Giglio, ou seja, a aproximação a poucos metros da ilha..

Nesta quinta-feira, começarão os exames toxicológicos sobre as amostras biológicas de Schettino, que atualmente está sob prisão domiciliar com a acusação de naufrágio, abandono de navio e homicídio culposo múltiplo. EFE

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3,4 mil vagas  em cursos com salário
Noticiário cotidiano - Indústria naval e Offshore
Qua, 26 de Outubro de 2011 07:09

É a oferta até 2014 do Prominp. Em março, haverá novo ciclo

Em março de 2012, será lançado o novo ciclo do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp).
Será algo perto de 35 mil vagas em todo o Brasil, cerca de 600 no Espírito Santo, para cursos gratuitos em categorias profissionais de níveis básico, médio, técnico e superior.
Até 2014, serão 242 mil qualificados no país e pelo menos 3,4 mil no Estado.

Uma nova rodada está prevista para setembro do ano que vem.
A intenção do governo federal é lançar dois ciclos por ano até 2014. "O número de vagas por ciclo será menor, mas a quantidade de rodadas será maior. Queremos uma por semestre nos próximos três anos. O desafio é qualificar 242 mil em todo o país e, no mínimo, 3,4 mil no Espírito Santo", disse o coordenador executivo do Prominp, José Renato Ferreira de Almeida, um dos palestrantes de ontem da Vitória Oil & Gas.

"No mínimo" porque 84,8 mil das 212 mil vagas previstas para todo o Brasil ainda não estão carimbadas. "Daremos mais foco à base da cadeia de óleo e gás.
Um exemplo são os estaleiros que estão por vir, fazem parte da base, fabricarão plataformas e FPSOs e precisarão de uma mão de obra que hoje é bastante escassa no Brasil. O Espírito Santo terá o estaleiro da Jurong, teremos de qualificar muita gente, novas vagas certamente precisarão ser abertas no Prominp capixaba. Essas 3,4 mil até 2014 não consideram nenhum projeto adicional, serão ampliadas conforme os investimentos forem chegando".

Rodada passada

Nos próximos quatro meses, os coordenadores do Prominp vão se reunir com empresários, governo capixaba e municípios.
O objetivo é identificar as necessidades de momento do Estado. Por isso, ainda não foram definidos os cursos ofertados.
O que já se sabe é que a partir de março começa a funcionar a parte mais avançada do Prominp. "Vamos qualificar quem já está empregado, uma especialização".

Os aprovados que estiverem desempregados durante o curso receberão bolsa-auxílio mensal de R$ 300 para cursos de nível básico, R$ 600 (níveis médio e técnico) e R$ 900 para nível superior.
O aluno matriculado em um dos cursos do Prominp terá seu currículo automaticamente disponibilizado no banco de currículos do www.prominp.com.br.

Com relação aos aprovados nas última rodada do Prominp, em outubro de 2010, que ainda não iniciaram os cursos, Almeida afirmou que a convocação será feita ainda este ano. "Fizemos algumas adequações e os aprovados serão chamados, por e-mail e carta, ainda em 2011".

Chance também para fornecedor

Um dos pontos altos da Vitória Oil & Gas é a rodada de negócios, que põe frente a frente pequenos empresários do Estado, no papel de potenciais fornecedores, e as grandes companhias da indústria do petróleo e do gás natural.

Diante da oportunidade que se abrem, o pequeno empresário capixaba não vem perdendo tempo. Somente na segunda-feira, quando apenas a Petrobras participou da rodada com os pequenos, foram 68 atendimentos com uma perspectiva de negócios para os próximos 12 meses de R$ 8,3 milhões.

Ontem e hoje, com a entrada das demais âncoras na rodada, serão mais 300 atendimentos.
O Sebrae, que coordena o espaço, espera que durante os três dias sejam cerca de R$ 54 milhões em negócios.

Essa movimentação será puxada por empresários como o cachoeirense Hebert França, dono da Sudpar Parafusos e Ferramentas, que desde 2007, ano da última Vitória Oil & Gas, é fornecedor de peças para grandes empresas da cadeia de óleo e gás. "Meu faturamento dobrou de 2007 para cá. Estou aqui novamente porque quero ampliar a clientela".

Cristiano Levone, gerente de contratações de bens e serviços da Petrobras, deu alguns números desse mundo do fornecimento. "Nos últimos 12 meses, o Espírito Santo forneceu R$ 2 bilhões para exploração e produção. Entre abril e outubro, o número de fornecedores capixabas saiu de 85 e chegou a 118".

O Prominp

O que é
Qualificação
Lançado em 2003, o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) visa qualificar a mão de obra nacional para atuar na cadeia do óleo e do gás.

Vagas
Oportunidade
Até 2014, a intenção é qualificar 242 mil trabalhadores de níveis básico, médio, técnico e superior, em todo Brasil.
No Espírito Santo, serão qualificadas pelo menos 3,4 mil pessoas. Os cursos vão das áreas executivas até as áreas administrativas.

Quando
Datas
O anúncio da nova rodada deve sair em março do ano que vem.
Um novo ciclo está previsto para setembro. Serão dois ciclos por ano até 2014.

Bolsa-auxílio
Todos os níveis
Os candidatos aprovados que estiverem desempregados durante o curso receberão bolsa-auxílio mensal no valor de R$ 300 (cursos de nível básico), R$ 600 (níveis médio e técnico) e R$ 900 (nível superior).

Fonte: A Gazeta Vitória( ES)/Abdo Filho

Filipinas exportam homens do mar para o Brasil

Noticiário cotidiano -
Navegação Dom, 21 de Agosto de 2011 19:47

A expansão do setor de petróleo e gás atraiu um número recorde de trabalhadores filipinos ao País para exercer atividades em alto-mar. Com o mercado aquecido e pouco equipamento nacional disponível, a Petrobras e outras empresas petrolíferas de produção e exploração contratam prestadoras de serviço que trazem o "pacote completo", com embarcações e mão de obra estrangeiras.
A admissão de trabalhadores das Filipinas em tarefas que poderiam ser feitas por brasileiros dentro de navios e em plataformas incomoda entidades que representam categorias importantes na indústria nacional de óleo e gás, como petroleiros e oficiais de Marinha Mercante.
Segundo o Ministério do Trabalho, a maior parte das autorizações é concedida para a realização de serviços de curto prazo. Com isso, as empresas ficam desobrigadas de contratarem operários brasileiros. A presença de mão de obra local é exigida quando embarcações e plataformas estrangeiras operam no País por mais de 90 dias contínuos. O número de autorizações do Ministério do Trabalho a filipinos quadruplicou em quatro anos. Passou de 1.532 em 2006 para 6.531 em 2010. No primeiro semestre deste ano, já foram emitidas 2.294 autorizações de trabalho, 32% a mais que no mesmo período de 2010. "Os filipinos em geral fazem o trabalho braçal. Se o contrato é de curto prazo, as embarcações trazem a tripulação.
Nas normas internacionais, os trabalhadores podem ficar mais de um mês embarcados, folgar dez dias e depois embarcar por mais um mês. Se o contrato for de longo prazo, as empresas têm de contratar mão de obra nacional e seguir a lei brasileira", diz o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense Vitor Carvalho, representante da Central Única dos Trabalhadores no Conselho Nacional de Imigração, vinculado ao Ministério do Trabalho.
A legislação brasileira fixa a escala de 14 dias de trabalho embarcado para igual período de repouso em terra. Os petroleiros da Petrobras têm regime de 14 dias de trabalho embarcado para 21 de descanso em terra.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: AE


Navios grandes só aportarão no Mucuripe em 2012
Noticiário cotidiano -
Portos e Logística Dom, 21 de Agosto de 2011 09:52

Aguardados há mais de cinco anos para assegurar a viabilidade econômica do Porto do Mucuripe, até hoje operando com navios de pequeno calado, os grandes navios conteineiros e petroleiros de até 70 mil toneladas só deverão começar a acostar ao cais em meados de junho de 2012.
A estimativa é do presidente da Companhia Docas do Ceará (CDC), Paulo André Holanda, ao anunciar para 30 de setembro próximo a conclusão da dragagem completa do terminal portuário, que passará dos 10,5 metros para 14 metros de profundidade. Prevista para ser concluída em janeiro último e com 95% do aprofundamento do canal de entrada e da bacia de evolução prontos, a operação será retomada na próxima semana, com a draga Virgínia.
Em fase de testes, em Fortaleza, após chegar do Porto de Cabedelo na Paraíba, o equipamento fará uma raspagem "pente-fino" no fundo dos berços de atracação do cais comercial e do pier petroleiro. Primeiro as boias Antes de ser liberado para atracação de grandes embarcações, explicou Holanda, as alterações no terminal ainda precisarão ser homologadas pela Marinha do Brasil, após o que estará liberado para receber as boias de sinalização.
De acordo com ele, esses equipamentos já foram licitados e serão instalados pela empresa CJS Engenharia. "Até o fim do ano, começaremos a operar com os navios da Lubnor (subsidiária da Petrobras), que transportam petróleo e gás, e os demais (companhias de navegação privadas), deverão levar mais uns seis meses", estimou André Holanda. Já em relação ao novo terminal de passageiros, que será construído na Praia Mansa, ele garantiu que a licitação será realizada em 1º de outubro próximo, ao preço estimado de R$ 149 milhões.

Profundidade e logística
O aprofundamento do Porto do Mucuripe será essencial para garantir a competitividade do terminal, frente aos demais portos nordestinos e brasileiros. A observação é do engenheiro, diretor de Sistemas de Informações Portuárias da SEP, Luis Cláudio de Santana Montenegro. Palestrante do seminário Tailor Made Seminar for SEP/PR e Portos do Ceará, encerrado na tarde de ontem, no CVT Portuário, Montenegro disse que a dragagem é o primeiro passo para viabilizar o desenvolvimento do Porto de Fortaleza.
Ele ressaltou na oportunidade, a necessidade da União e do Governo do Estado dotarem o terminal de melhores infraestrutura e logística (vias de acesso, ferrovias, rodovias, novos armazéns e processos operacionais mais ágeis), como condição para atrair os grandes transportadores e armadores. Ele alertou ainda, para o risco do Porto de Fortaleza entrar em competição com o do Pecém, o que na sua avaliação será um erro. Conforme disse, ambos disputam áreas de influência e movimentação de cargas semelhantes, mas, ainda assim, devem operar integrados. "Se não atuarem de forma complementar, poderão prejudicar um ao outro", frisou Montenegro.

Capacitação
Outro aspecto que deve ser cuidado pelos portos brasileiros é a capacitação de mão de obra especializada para operar os terminais. Alerta semelhante foi feita pelo deputado Federal Ariosto Holanda, que destacou a oportunidade do CVT Portuário à capacitação da população do entorno do Mucuripe e consequente operação no terminal. Ao fim do evento, o ministro dos Portos, Leônidas Cristino, e outras seis personalidades cearenses foram agraciados com a Medalha Mérito Portuário.
Fonte: Diário do Nordeste


ANA concede outorga para eclusa de Tucuruí, no Pará
Noticiário cotidiano -
Navegação Dom, 21 de Agosto de 2011 10:01

A Agência Nacional de Águas (ANA) concedeu outorga para que a eclusa de Tucuruí opere no Rio Tocantins, na divisa dos municípios de Tucuruí e Breu Branco, a 250 quilômetros de Belém, no Pará. A autorização foi publicada hoje no Diário Oficial da União, por meio da Resolução nº 558.
A regulamentação trata da outorga pelo direito de uso da água, emitida para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), para a operação das eclusas naquela região. É a primeira outorga concedida pela ANA desde a criação do órgão regulador. Isso porque as outorgas para outras eclusas existentes, como a do Rio Tietê, em São Paulo, foram concedidas por órgãos estaduais, uma vez que a nascente e a foz do rio estão dentro do mesmo Estado.
No caso da eclusa de Tucuruí, porém, por estar inserida em mais de um estado, a outorga teve de ser feita pelo órgão federal. Segundo a ANA, com a construção da barragem de Tucuruí, criou-se um desnível de 72 metros na hidrovia do Tocantins.
Para não interromper a passagem das embarcações, foram construídas as duas eclusas que são interligadas por um canal intermediário com 5,5 quilômetros de extensão e 140 metros de largura. As eclusas são as maiores do País, com capacidade para realizar até 32 operações por dia, 16 em cada sentido, na sua capacidade máxima de operação. A obra permite a navegação entre o Centro-Oeste e o Norte do País, rota com potencial para o escoamento da produção, principalmente, de grãos e minérios.
Fonte: AE


Mão de obra estrangeira desembarca no Brasil
Noticiário cotidiano -
Geral Dom, 21 de Agosto de 2011 19:51

Em abril, a engenheira civil Almudena Olivares Piñera, de 25 anos, trocou a Espanha por Salvador. O motivo foi uma vaga de emprego na empresa responsável pela construção da Arena Fonte Nova, estádio que vai abrigar os jogos da Copa de 2014 na Bahia. As perspectivas para a economia brasileira - principalmente se comparadas ao cenário de crise em países da União Europeia e nos Estados Unidos - tornaram trajetórias como a da jovem engenheira cada vez mais frequentes no País.
No primeiro semestre deste ano, o número de profissionais estrangeiros aumentou quase 20% em relação ao mesmo período de 2010. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), entre janeiro e junho foram concedidas 26.545 autorizações para que profissionais de outras nacionalidades possam trabalhar no País, ante 22.188 nos mesmos meses do ano passado. "O Brasil se tornou um mercado com muitas oportunidades para um profissional qualificado", diz a engenheira Almudena, que chegou ao País por meio da Aiesec, uma organização que promove o intercâmbio entre profissionais.
De acordo com Celso Grisi, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), a "invasão" dos estrangeiros está apenas no início. "Como nos países de origem a situação econômica está muito difícil, a chegada de novos trabalhadores internacionais tende a aumentar nos próximos anos", afirma Grisi.
Ao contrário dos países desenvolvidos, a economia brasileira deve avançar neste ano pelo menos 3,5%, nas estimativas da maior parte dos analistas. Os estrangeiros são atraídos, principalmente, pelas oportunidades nas áreas de engenharia e de segmentos relacionados ao pré-sal. "Não tem muito o que fazer por enquanto, porque as empresas são as primeiras a buscarem profissionais estrangeiros", afirma Grisi, referindo-se à baixa qualificação do brasileiro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: AE


Aprovado primeiro regulamento para as emissões gasosas da marinha mercante
01-08-2011

Os países da Organização Marítima Internacional (OMI) acordaram regular as emissões de gases com efeitos de estufa dos navios. Os ativistas alertam que as medidas são pouco ambiciosas uma vez que só serão aplicadas aos navios construídos a partir de 2013.
Na reunião da Organização Marítima Internacional que ocorreu em Londres, foi aprovado um regulamento que obrigará a redução do consumo de energia em navios com mais de 400 toneladas construídos a partir de 2013.
A partir desse ano os navios terão de melhorar a sua eficiência energética em 10%. O aumento da eficiência energética será gradual pelo que em 2020, aumentará para 20% e em 2024 para 30%.
“A decisão tomada hoje pode resultar em poupanças de combustível de 5 mil milhões de dólares e redução da emissão de 22 milhões de toneladas de CO2 por ano. É uma oportunidade econômica e ambiental sem precedentes e a OMI deu um grande passo em frente”, refere Peter Boyd da Carbon War Room. “Se os mesmos padrões fossem aplicados à frota já existente constituída por mais de 30 mil navios poderia poupar-se 50 mil milhões de dólares em combustível e 220 milhões de toneladas de CO2.”
Alguns países em desenvolvimento como a China, Brasil, Arábia Saudita e África do Sul negociaram um atraso de 6 anos e meio na aplicação do novo regulamento. Na prática, esta medida só entrará em vigor nesses países em 2019.
Os armadores têm tido uma grande resistência ao desenvolvimento de instrumentos de regulação nesta área apesar do aumento da pressão dos grupos ambientalistas. Dado o caráter de exceção dos países em desenvolvimento, há o perigo de alguns armadores optarem por registar os seus navios nesses países.
A Marinha Mercante contribui para cerca de 3 a 4% do total das emissões de gases com efeito estufa originários das atividades humanas. As organizações não governamentais de ambiente saudaram esta medida, denominada energy efficiency design index (EEDI). Contudo, alertaram que os seus impactos positivos só serão sentidos após um longo período porque só se aplica a navios novos.
A Comissão Européia é mais ambiciosa uma vez que tem a intenção de levar o transporte marítimo ao Comércio de Emissões.

Fonte: www.guardian.co.uk/Isabel Palma


Fórum discute soluções para desburocratizar a cabotagem e a navegação fluvial no país

Na abertura do evento, o diretor executivo do Centronave - Centro Nacional de Navegação -, Elias Gedeon, fala sobre os desafios na contratação da praticagem no Brasil. O gargalo gerado pela escassez de mão-de-obra qualificada para o segmento também será tema da palestra ministrada pelo vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Roberto Galli, e pelo coordenador de gestão portuária do Porto de Vitória (Codesa), Enildo Moreira Ferreira. O Codesa tem um programa de formação profissional para suprir a demanda de mão-de-obra, e a experiência será relatada na apresentação.
Para falar sobre os desafios para o desenvolvimento do modal aquaviário, a IBC convidou o presidente do conselho de administração da Logz -- Ports and Logistics Investments, Nelson Carlini, e o diretor-presidente da Companhia Docas de São Sebastião, Casemiro Tércio Carvalho. Ainda sobre o incremento do transporte hidroviário e suas vantagens sobre o modal ferroviário e rodoviário, falará o engenheiro João Gomes Ribeiro Neto, consultor da diretoria de planejamento da Codesp.

ESTUDOS DE CASO
Ponto alto do evento, o painel de estudos de caso mostrará como grandes empresas já utilizam com sucesso o modal hidroviário, reduzindo custos e obtendo vantagens competitivas. A primeira experiência será apresentada pelo gerente de logística da Braskem, Vinicius Patel. Em seguida, o gerente de tráfego hidroviário da Vale, Angelo Maranho, mostrará como a empresa faz uso da Hidrovia Paraguai-Paraná. Finalmente dois executivos da Raízen, o gerente de desenvolvimento logístico, Daniel Amorim de Almeida, e o gerente corporativo de logística agrícola, Mario José Cerqueira Jr., mostram como se dá o transporte de cana de açúcar pela Hidrovia Tietê-Paraná.
No segundo dia, o Fórum abre espaço para debates sobre a engenharia de riscos, traçando uma comparação entre os diversos modais usados no Brasil, as oportunidades de negócios em cabotagem, além da tributação e burocracia envolvidas no transporte fluvial e de cabotagem. O Fórum se encerra com um workshop sobre o "Green Shipping" - a sustentabilidade no transporte aquaviário.
O Fórum de Navegação 2011 é uma iniciativa da IBC, empresa do mesmo grupo do Lloyd´s List e tem o patrocínio da Mercosul Line.
Informações no site www.informagroup.com.br/navegacao ou pelo telefone (11) 3017-6808
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Fonte: Portal



Novo Canal do Panamá vai mudar rotina da navegação

31-05-2011

A expansão do Canal de Panamá, com custo estimado em US$ 5,25 bilhões, pode ser considerada um dos megaprojetos em curso no mundo. E não só pela ótica da engenharia, dado o porte da obra, que requer trabalhos simultâneos em países das Américas, Europa e Ásia. Mas, sobretudo pelo potencial impacto no transporte marítimo internacional, em especial no segmento de contêineres, a partir do fim de 2014, quando, se espera, a expansão do canal esteja concluída. O programa consiste na instalação de um terceiro jogo de eclusas, que funcionam como elevadores para navios.

Hoje o Canal de Panamá - cuja extensão, entre os oceanos Atlântico e Pacífico, é de 80 quilômetros - é formado por duas linhas de navegação equipadas com eclusas. Será construída uma terceira linha com um novo conjunto de eclusas. A obra também prevê novos leitos fluviais de navegação e alargamento dos leitos existentes, além do aprofundamento do canal de navegação do chamado "Corte Celebra", ponto mais estreito do canal, e do lago Gatún, próximo ao Atlântico. A partir do fim de 2014, empresas de navegação poderão implantar linhas de navios de maior tonelagem para operar através do canal. Hoje o Canal de Panamá está limitado, nos contêineres, a navios de 4,6 mil TEUs (equivalente a 20 pés).

Essa capacidade será multiplicada por mais de duas vezes. A Autoridade do Canal de Panamá (ACP), que administra a via, diz que a expansão permitirá a passagem de navios de até 13,6 mil TEUs, mas entre armadores há quem entenda que essa capacidade poderá ficar em cerca de 10 mil TEUs, considerando o tamanho dos navios que cruzarão pela nova linha, que poderão ter até 366 metros de comprimento e transportar, ao largo, 19 fileiras de contêineres. Nos graneleiros, cujo limite hoje é de 60 mil toneladas, poderão passar pelo canal embarcações de até 170 mil toneladas. Navios gaseiros poderão cruzar pelo istmo do Panamá, com impactos na produção tanto do lado do Atlântico quanto do Pacífico, disse Alberto Alemán Zubieta, administrador da ACP. A mesma lógica vale, segundo ele, para embarcações de carvão, que terão a opção de transitar pelo canal com navios maiores, obtendo ganhos de eficiência.

O uso de navios maiores para atravessar o canal vai representar economias de escala, com redução de custos. Zubieta prevê que o programa de expansão mudará as regras do jogo do transporte marítimo, com influência sobre a América Latina. "O Brasil pode usar o Panamá como plataforma de distribuição de seus produtos para o Pacífico, assim como a Amazônia pode usar o canal e a infraestrutura portuária de nosso país para conectar-se ao mundo", afirmou Zubieta. A ACP e empresas de navegação concordam que o uso de navios maiores para atravessar o canal vai representar economias de escala, com redução de custos de transporte. Navios maiores tornam o transporte mais competitivo em grandes distâncias, disse Luiz Felipe Assis, chefe do departamento de engenharia naval da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "O tempo de trânsito entre a Costa Leste do Atlântico e a Ásia vai diminuir e, em função disso, haverá redução de custos para as companhias de navegação", previu Si-Hyun Park, gerente de navegação da sul-coreana STX Brasil. Michael Kristiansen, diretor sênior de operações para a América Latina da dinamarquesa Maersk Line, maior armador de contêineres do mundo, disse que a possibilidade de os armadores utilizarem navios maiores para atravessar o canal tem diversas implicações.

 "Os navios mais modernos, que hoje servem a rota entre a Ásia e a Costa Leste dos Estados Unidos através do Canal de Suez, provavelmente vão se mover em direção ao Canal de Panamá, com ligeira redução do tempo de trânsito." Em entrevista por email, Kristiansen disse que a expansão possibilitará que navios de contêineres mais modernos atendam os fluxos de comércio da Costa Oeste da América do Sul para a Costa Leste dos Estados Unidos e para a Europa. Esses serviços com navios maiores poderão acelerar a migração de carga de embarcações frigoríficas convencionais para porta-contêineres, disse Kristiansen. A Maersk tem cinco serviços pelo canal de Panamá.

Em 2011, os navios da empresa devem fazer entre 475 e 500 travessias pela área. Segundo o executivo, ao ampliar a capacidade de carga o canal pode criar demanda adicional para operações de transbordo em um porto concentrador. "Essa capacidade está amplamente disponível em vários locais do Mar do Caribe." O Panamá quer aproveitar a expansão para transformar o país em um centro importante de transbordo de cargas e logística. Em 2010, o sistema portuário panamenho movimentou 5,7 milhões de TEUs, número que poderá crescer com a expansão do canal. Esse volume é mais do que o dobro de contêineres movimentados no porto de Santos, no ano passado, que atingiu 2,643 milhões de TEUs, segundo a Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres de Uso Público (Abratec).

Para Elias Gedeon, diretor-executivo do Centronave, entidade que representa as empresas de navegação no Brasil, existe a possibilidade de novo cenário para a navegação a partir da conclusão das obras do canal. Segundo ele, os navios "cape size" (acima de 80 mil toneladas) que trafegam para a Costa Leste da América do Sul via Cabo da Boa Esperança (na África do Sul) poderão chegar ao continente sul-americano pelo norte. "Isso tende a incrementar a movimentação nos portos do Norte e Nordeste do Brasil, que terão de se preparar melhor para a nova fase de grandes navios na rota leste-oeste-leste, os chamados serviços de volta ao mundo, incluindo Ásia, Europa e América do Sul", disse Gedeon. A ACP não fala sobre os preços dos pedágios para atravessar o canal a partir de 2014. Zubieta diz que a ACP está sempre atenta aos preços uma vez que, dependendo onde se origina a carga, o canal enfrenta concorrentes de peso.

Se a carga for originada na Ásia e se destinar ao mercado americano, por exemplo, o produto pode chegar à costa oeste dos EUA e seguir dali para a costa leste via sistema intermodal (trem e caminhão). Hoje, para cruzar o canal, um navio de contêineres de 4,6 mil TEUs paga US$ 82 por caixa cheia, disse Zubieta. Um armador afirmou que esse valor é maior e, se forem consideradas todas as sobretaxas, a média de preço pode ficar entre US$ 125 e US$ 150 por TEU, dependendo do navio e da rota. Os navios de contêineres contribuem com cerca de 28% do trânsito do canal, mas respondem por 58% das receitas, segundo o armador.
Fonte: Valor Econômico.

Lei e ética
30-05-2011


Severino Almeida
Presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante - Sindmar

Há algum tempo as companhias de navegação, representadas pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), tentam afastar as garantias legais do mercado de trabalho para os oficiais da Marinha Mercante.

Em 2008, alertaram para a iminência de um “apagão marítimo” em 2010, numa profecia que não se concretizou.
Agora, usando o pré-sal, voltam a propagar um cenário de falta de oficiais mercantes para o apoio às plataformas.

O verdadeiro intuito do Syndarma, com o apoio da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam), é abrir o mercado de trabalho a estrangeiros. Para tanto pretendem que o governo “suspenda” dispositivos das Resoluções Normativas 72 e 80, que regulam o trabalho de estrangeiros.

Com a manobra, poderiam contratar mão de obra mais barata e menos qualificada. É sabido que marítimos de países de escassa proteção ao trabalho, como Filipinas, e de baixa qualificação, submetem-se a salários inferiores aos praticados no Brasil, sem apresentar, contudo, o mesmo desempenho. Eis por que Syndarma e Abeam projetam outro “apagão”, com infundada previsão de déficit de 1.300 oficiais mercantes até 2016. Sintomaticamente, nada comentam sobre o “apagão” de 2010, que não aconteceu.

É mais grave se considerarmos que a Abeam é uma entidade em que a maioria dos filiados é de estrangeiros. Se o intuito prosperar, explorarão negócios do petróleo sem gerar empregos e renda para brasileiros. A nova previsão de déficit do Syndarma parte do pressuposto irreal de que 250 novos navios entrarão em operação nos próximos três anos.

Nem metade dessas embarcações poderá ser entregue nesse prazo, tendo em vista os atrasos nos financiamentos. Ressalte-se que 80% dos financiamentos sequer foram definidos.

Além disso, o número de oficiais mercantes formados a cada ano mais que triplicou na última década para atender – como tem ocorrido – à demanda. A projeção do Syndarma é, portanto, obra de ficção. A busca pelo lucro deve ser meta de qualquer empresa, desde que respeitando a lei e a ética.

Fonte: O Globo – 30/05/2011


Petroleiro está 'encalhado' há um ano
29-05-2011

Considerado marco da retomada da indústria naval brasileira, o João Candido nunca deixou estaleiro em Pernambuco, onde sofre reparos

Apontado há um ano como marco da recuperação naval brasileira, o petroleiro João Candido, lançado ao mar na presença do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da, à época, pré-candidata petista Dilma Rousseff, jamais deixou o cais do Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no litoral de Pernambuco.

Fracassou a previsão do EAS e da Petrobrás Transporte S.A. (Transpetro) de que a partir de agosto do ano passado o João Candido estaria pronto para realizar viagens de longo curso.

Desde a solenidade de lançamento ao mar, em 7 de maio de 2010, a embarcação passa por reparos. Não há ainda uma data para a entrada em operação do petroleiro, o primeiro dos 22 encomendados ao EAS pela Transpetro.

Em nota, o estaleiro limitou-se a informar que o início do emprego naval da embarcação deverá ocorrer no próximo semestre. Além de criar tensão na Petrobrás e na Transpetro, que cobram a entrega do primeiro navio da encomenda, o atraso gerou uma crise sem precedentes no estaleiro, cuja construção foi simultânea ao do João Candido.

Controlado pelas empreiteiras nacionais Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, pela PJMR Empreendimento e pela sul-coreana Samsung Heavy Industries, o EAS demitiu neste ano a maior parte dos executivos responsáveis pela construção do petroleiro.

 Perderam o emprego o presidente Ângelo Alberto Bellelis; o diretor industrial, Reiqui Abe, e seu adjunto, Domingos Edral; e o diretor de Planejamento, Wanderley Marques. Na indústria naval, entre o lançamento ao mar e a entrada em operação de um navio, passam-se, em média, três meses, período de realização de testes.  Tanto que o EAS anunciou no lançamento que em agosto de 2010 o navio estaria apto a navegar.

O lançamento do navio foi uma festa única na cidade-sede do estaleiro, Ipojuca (PE). Lula e a ex-ministra Dilma abraçaram operários, distribuíram autógrafos, posaram para fotografias - atividade comum naquela pré-campanha presidencial.

A embarcação foi batizada em homenagem ao célebre marinheiro João Candido (1880-1969), líder da Revolta da Chibata, em que liderou, em 1910, cerca de 2.000 marinheiros negros rebelados contra os maus-tratos a que eram submetidos pelos comandantes da Marinha. "Novo Ciclo".

Em discurso na cerimônia, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, anunciou que o João Candido abria um "novo ciclo" para a indústria naval brasileira. Afinal, a última encomenda da Petrobrás a um estaleiro do Brasil para a construção de um navio daquele porte ocorrera em 1987. E o navio só foi entregue dez anos depois.

Especialistas e profissionais da indústria naval e da Marinha Mercante creditam o atraso na entrega à construção simultânea do navio e do estaleiro. Apontam ainda a precariedade da mão de obra local como um dos fatores determinantes para o não cumprimento dos prazos.

Embora defenda o empreendimento e sustente que a embarcação estará apta a navegar em poucos meses, o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar), Severino Almeida, afirma que já eram esperados problemas. "Não houve surpresas. Muita coisa no navio foi feita de forma adaptada ao crescimento do estaleiro. Houve falta de equipamentos no estaleiro para a montagem do navio. Isso seguramente ocorreu. Como houve a decisão de iniciar a construção do navio concomitantemente à construção do estaleiro, ficou claro, para quem conhece o setor, que haveria problemas", disse Almeida.

Um dos equipamentos a que o presidente do Sindmar se referiu são os guindastes do tipo goliath. Os dois primeiros só chegaram, desmontados, em julho de 2009, um ano de atraso, conforme revelou, antes de ser demitido, o presidente Bellelis.

Os goliaths têm 100 m de altura, vão de 164 metros e capacidade para içar 1.500 toneladas. O navio começou a ser construído sem o auxílio vital dessas máquinas. A questão da mão de obra foi abordada por um experiente projetista naval, que pediu para não ter o nome identificado.

O especialista disse que um atraso tão grande não é comum. Na Coreia do Sul, dois meses costumam separar o lançamento ao mar do início da operação. O operário sul-coreano é extremamente bem treinado. Apesar de dizer que o brasileiro também recebe bom treinamento, o projetista argumenta que nosso profissional não tem grande experiência, especialmente em Pernambuco, Estado sem tradição na indústria.

A experiência dele no setor indica que, para tornar-se eficiente e rápido, um operário naval precisa de quatro ou cinco anos de serviços ininterruptos, o que não ocorre no Brasil.

Fonte: O Estado de São Paulo


Novo porto inicia operações em Santa Catarina
29-05-2011

Itapoá será tocado pela iniciativa privada e torna-se alternativa para o congestionado porto de Paranaguá.
Novo terminal de cargas suscita debate sobre a eficácia do modelo de investimento público no setor portuário.

Santa Catarina começa a operar nesta semana seu sexto porto, forçando a concorrência com Paranaguá e Antonina, no Paraná, e consolidando seu perfil portuário. O porto de Itapoá, no litoral norte do Estado, é tocado pela iniciativa privada e tem foco na exportação de cargas em contêineres.

Por causa de sua localização (divisa entre PR e SC), deve atrair parte das empresas paranaenses que hoje exportam e importam via Paranaguá, que fica especialmente congestionado na época da safra de grãos. Itapoá terá capacidade inicial para movimentar cerca de 300 mil contêineres por ano -pouco mais da metade do que passa pelo porto de Itajaí, o maior do Estado.

"Paranaguá evoluiu muito, mas o problema lá é o excesso de mercadorias", afirma o presidente do Sindiavipar (Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas do Paraná), Domingos Martins. Segundo ele, o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP, também da iniciativa privada) - uma das unidades do porto de Paranaguá- tem boa estrutura, mas sofre com o excesso de demanda.

O TCP já se prepara para a concorrência e vai investir R$ 180 milhões para ampliar em 70% a capacidade de movimentação de contêineres. As obras dependem de licença ambiental, mas o plano é concluí-las até o fim de 2012. PÚBLICO x PRIVADO Itapoá também coloca em dúvida o modelo de investimento público no setor portuário. "A iniciativa privada é mais competitiva. É melhor negociar com eles", afirma Martins, do Sindiavipar.

Para Silvio dos Santos, consultor do Laboratório de Transportes da Universidade Federal de Santa Catarina, a diferença é que a iniciativa privada "tem urgência". Provocado pela expansão do Estado vizinho, o governo do Paraná pretende estimular o investimento privado no setor portuário, e está discutindo uma nova lei de PPPs (parcerias público-privadas).

"O empresariado hoje tem recursos e quer investir", afirma o secretário de infraestrutura do Paraná, José Richa Filho. Para ele, conseguir recursos do Tesouro estadual é difícil devido à concorrência com outras áreas.

Fonte: Folha de São Paulo


Ministério do Trabalho manda interditar plataforma P-65 da Petrobras
26-05-2011

Depois de uma vistoria que começou quarta-feira e terminou nesta quinta, na Plataforma P-65, na Bacia de Campos,auditores fiscais do Ministério do Trabalho interditaram a plataforma, segundo informações do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

O documento de interdição já foi entregue à Petrobras, mas passará a valer de fato, após a comunicação à Superitendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego do Rio e publicação por edital. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) confirmou a interdição da plataforma P-65. Segundo o ministério, a plataforma "foi interditada por apresentar risco iminente à saúde do trabalhador.

Detalhes da interdição dependem da apresentação do relatório à Secretaria de Inspeção do Trabalho do MTE, que deve ocorrer nesta sexta-feira". O sindicato fez denúncia, apontando 34 itens irregulares na plataforma. A P-65 é a antiga S-06, primeira plataforma a operar no Campo de Enchova na década de 70. Atualmente, a plataforma trata o petróleo produzido na área sul da Bacia de Campos, nas Plataformas P-07, P-08, P-12, P-15 e PCE1.

Ela separa a água do óleo, reenvia para PCE1, que manda para o Terminal de Cabiúnas. Pelo documento estão interditados setores de serviços realizados com vasos de pressão em espaços confinados e do acendimento manual do queimador de gases descartados do processo industrial. Interdição não terá impacto sobre produção de petróleo, diz Petrobras A Petrobras informou que a plataforma P-65 já estava parada para manutenção desde segunda-feira, dia 23.

A estatal explicou que a P-65 não é produtora de petróleo, apenas auxilia no tratamento do óleo de outras unidades, em processo complementar ao da plataforma PCE-1. Segundo a Petrobras, a plataforma foi adquirida em 2009, e apesar do projeto do antigo operador da plataforma atender a todos os requisitos da legislação brasileira, "a P-65 desde então vem recebendo pequenas modificações para seguir o padrão de projeto das demais plataformas da Petrobras." A Petrobras afirma em nota que as não conformidades apontadas pela vistoria da STRE/RJ já haviam sido identificadas anteriormente pela companhia "e encontra-se em fase de conclusão pela equipe técnica.

Outras estão sendo antecipadas visando cumprir as determinações da Superintendência." A companhia destacou os profissionais que atuam na P-65 são qualificados. A não conformidade apontada pela SRTE/RJ, segundo a estatal, se refere apenas à manutenção de cópia física dos certificados de treinamento a bordo da plataforma. A parada programada para manutenção da plataforma que está sendo feita, não tem impacto sobre a produção de petróleo, garantiu a Petrobras.

E conclui: "A Petrobras adotará todas as exigências da Superintendência, mas reafirma que suas plataformas operam dentro dos mais rigorosos padrões de segurança da indústria do petróleo."

Fonte: O Globo


Aberta seleção pública para emprego com salários que podem chegar a R$ 100 mil
25/05/2011

Começa hoje (25) o prazo de inscrições para o concurso público que vai selecionar 81 pessoas para um dos empregos mais bem remunerados do país, o de prático, profissional encarregado de orientar os comandantes dos navios que chegam ou saem de um porto ou navegam por determinados rios e cujo rendimento mensal pode chegar a R$ 100 mil, dependendo da movimentação do porto.

Além de dominar as técnicas de navegação, os práticos, ou “homens-guia”, como já foram conhecidos, devem conhecer muito bem a área onde trabalham, pois são eles que orientam as embarcações de grande porte através de trechos da costa, baías, estuários, lagos, rios, terminais ou canais portuários, locais que mudam de acordo com a ação dos ventos, correntezas, marés e assoreamento do fundo, o que reduz o calado.

Para concorrer a uma vaga o candidato deve ter formação superior completa (em qualquer área) e possuir, até o fim do prazo de inscrições (13 de junho deste ano), habilitação para navegar com embarcações de esporte ou lazer (mestre amador).
A prova, contudo, é considerada extremamente difícil. Em geral, o profissional não recebe nada além de uma ajuda de custo até concluir o programa de treinamento e ser aprovado no exame de habilitação final.

As inscrições custam R$ 200. Todas as informações sobre o processo seletivo e a ficha de inscrição estão disponíveis no site www.dpc.mar.mil.br

Apesar de admitidos por meio da seleção organizada pela Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha, os práticos não são servidores públicos nem militares.

Após passar por todo o processo seletivo, que dura no mínimo 12 meses e no máximo 20 meses, o profissional se torna sócio de uma das várias associações de praticagem do país. As associações são geridas como empresas e é justamente a condição de sócio, com participação nos lucros, que garante aos práticos, além de um rendimento mínimo mensal, os atraentes ganhos extras que tornam a profissão tão cobiçada.

Em Santos (SP), onde funciona o maior porto da América Latina e trabalham 41 práticos, o ganho mínimo mensal é R$ 16 mil. O Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), contudo, destaca que como os ganhos provêm das taxas de serviço pagas pelas empresas proprietárias dos navios, os ganhos da categoria variam conforme a movimentação de cada porto.

A assessoria do DPC informou que compete ao departamento organizar o processo seletivo porque a função está subordinada à Lei de Segurança Aquaviária e atende às normas estipuladas pela Marinha do Brasil e pela Organização Marítima Internacional.

Fonte: Economia & Negócios.

'Bandeira de conveniência' e ações navais criminosas
24-05-2011

Prática de usar os 'registros abertos', que não vinculam o navio ao país de origem,
é adotada por 60% dos expedidores marítimos

Quatro iatistas americanos mortos; uma família dinamarquesa de cinco e dois membros da tripulação sequestrados: esses eventos no espaço de uma semana no início deste ano poderiam, enfim, provocar um consenso de que alguma coisa precisava ser feita sobre a pirataria no Oceano Índico e no Golfo de Áden. E alguma devia ser feita: além dos iatistas, quase 700 marinheiros, na maioria filipinos, bengalis e russos, estão sendo mantidos reféns. Obrigados com frequência a operar seus navios capturados sob a mira de armas, com pouca comida ou água, alguns deles são prisioneiros há meses.

Mas a ilegalidade marítima não se resume aos piratas. Graças a um sistema de registro de navios conhecido como "bandeiras de conveniência", é muito fácil donos de navios inescrupulosos livrarem-se de comportamentos criminosos. Eles se livram de acusações por danos ambientais como vazamentos de petróleo, e também de impor condições de trabalho precárias quando obrigam tripulações a trabalhar como escravos sem pagamento ou descanso adequado. Mas, diferentemente da pirataria, que parece intratável, as condições estarrecedoras de alguns navios mercantes podem ser evitadas.

Proteção. Antigamente, os navios costumavam representar seu país. Eles eram pedaços flutuantes de seu país natal em mares ingovernáveis, com todas as vantagens e desvantagens da supervisão governamental: se as coisas dessem errado, os marujos eram protegidos por seus governos. Se agissem mal, podiam ser punidos.

Mas, no início do século 20, isso começou a mudar. O Panamá, procurando atrair navios americanos que evitavam as leis da Proibição, permitiu que não panamenhos usassem a sua bandeira por um preço. A Libéria e outros países seguiram o exemplo. Hoje, esses "escritórios de registro abertos" são usados por cerca de 60% dos expedidores marítimos, ante 4% nos anos 50.

No sistema das bandeiras de conveniência, os registros foram divorciados da fiscalização governamental. A Coreia do Norte tem um próspero registro, assim como a Mongólia, que não tem saída para o mar.

O registro da Libéria, o segundo maior do mundo, prosperou mesmo durante uma dezena de anos de guerra civil. Alguns registros permitem que os donos de navios mudem as bandeiras que registraram num prazo de 48 horas; alguns exigem pouco mais que uma assinatura ou o preenchimento de um formulário online pelo proprietário. Muitos nem sequer pedem que os donos revelem suas identidades.

Esse anonimato fácil é perigoso Em 1999, um petroleiro de nome Erika encalhou na costa da Bretanha e poluiu 400 quilômetros do litoral da França. O governo francês não conseguiu penetrar numa rede de empresas de fachada em sete países que se erguia entre o navio e seu dono. O dono acabou se apresentando voluntariamente e, quando questionado pela BBC sobre os complexos acordos de propriedade, disse: "Essa é a prática padrão no transporte marítimo". Não deveria ser.

Muitos registros estatais não têm a capacidade ou a vontade de monitorar a segurança e as condições de trabalhos em navios, ou de investigar acidentes.

Ao contrário, os certificados de segurança de navios são concedidos por sociedades de classificação privadas. Os proprietários podem escolher a sociedade que quiserem - e os piores, previsivelmente, escolhem as menos exigentes. Esse autopoliciamento foi comparado a registrar um carro em Bali para dirigi-lo na Austrália com freios defeituosos.

Abusos. O custo humano desse sistema é inaceitavelmente alto. Longas horas e cronogramas portuários extenuantes raramente permitem que os marinheiros tenham tempo suficiente para descansar; alguns regulamentos internacionais permitem jornadas semanais de 98 horas.

Os salários, com frequência, não são pagos: a International Transport Workers Federation, que representa os marinheiros, recuperou US$ 30 milhões em salários não pagos no ano passado. Quando o Most Sky, um navio turco registrado no Panamá, atracou num porto britânico em novembro, sua tripulação não recebia pagamento havia meses.

Eles tiveram de fazer uma "vaquinha" para comprar pão e não havia luz nem aquecimento em suas cabines.

Há muitos navios administrados por proprietários decentes. Mas a delinquência é fácil demais com os registros abertos, quando os donos podem sair impunes e sem nenhuma a responsabilidade. O mundo da marinha mercante é inegavelmente complexo. Quase a metade de todas as tripulações é formada atualmente por quatro ou mais nacionalidades. Em um navio de contêineres no qual naveguei por cinco semanas no último verão, me sentei no refeitório dos oficiais ao lado de um engenheiro birmanês, na frente de um romeno e um moldavo. Os homens na mesa atrás da nossa eram chineses, filipinos e escoceses. O refeitório da tripulação na porta ao lado só abrigava filipinos. Tínhamos um retrato da rainha Elizabeth II na parede.

Mas a globalização não é uma razão para países não assumirem a responsabilidade pelos navios que registram. No papel, a Convenção das Nações Unidas sobre a Lei do Mar especifica que deve haver um "vínculo genuíno" entre o navio e sua bandeira. Mas o debate prossegue sobre qual deve ser esse vínculo. No mínimo, ele deveria envolver a possibilidade de o país fazer inspeções e monitoramentos efetivos de seus navios, em vez de tolerar os formulários de pedido online e a política de não fazer perguntas. Mas, mesmo que a ONU definisse um vínculo, não está claro se seus membros estariam dispostos ou seriam capazes de aplicá-lo quando bandeiras de conveniência são tão lucrativas tanto para os países quanto para os donos de navios, que com isso podem economizar milhões de dólares anuais em salários e impostos.

Uma solução mais imediata, embora parcial, seria as autoridades portuárias, que têm o poder de reter navios inseguros ou infratores, dar uma atenção extra a navios registrados sob países notoriamente complacentes. Para evitar esse escrutínio extra e a possibilidade de taxas de detenção, os navios poderiam pressionar os registros a elevar seus padrões.

Por fim, o escrutínio público não faria mal. Nós boicotamos alimentos produzidos por companhias que maltratam seus trabalhadores, mas sabemos pouco sobre as condições por vezes atrozes sobre os navios que carregam os alimentos. Uma campanha chamada Salvem Nossos Marinheiros, organizada por sindicatos e expedidores para aumentar a consciência sobre pirataria, também poderá lançar luz sobre as mazelas do próprio setor.

Mas os membros da tripulação de meu navio, que vivem em padrões superiores em comparação com muitos, não estavam muito esperançosos.

"Ninguém liga para a marinha mercante", disse o capitão. "Somos a escória da terra, Sempre fomos, sempre seremos."

Fonte: Rose George, do The International Herald Tribune - O Estado de S.Paulo (Tradução)



Amazônia Ribeirinha
21-05-2011


Onde os rios levam vidas em percurso Canoas, avistadas ao longe, se aproximam.
Proliferam-se com rapidez.
Mulheres remam para alcançar o navio. Junto delas, crianças.
Num implorar amazônico, os curumins soltam gritos agudos e balançam os bracinhos como se fossem asas.
Dá-se início a um ritual de solidariedade feito sem palavras.
Passageiros e tripulantes arremessam sacos plásticos com roupas usadas.
Os sacos caem no rio e logo vão para as mãos de novos donos.
A velha roupa de uns, vira roupa nova para outros.


Fonte: O Estado de Tapajós / Guilherme Guerreiro Neto

OS NAVIOS DA VALE E O FIM DA HISTÓRIA

05/05/2011

A Vale recebeu este mês o VALE BRASIL, primeiro de sete super-navios encomendados ao estaleiro Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering Co, da Coréia do Sul. Com 362 metros de comprimento e 65 metros de largura, a embarcação tem capacidade para 400 mil toneladas e é o maior do mundo em sua categoria. Dinheiro que poderia ficar aqui se a Vale tivesse decidido – a exemplo da Petrobras - construir grandes navios no Brasil, contribuindo decisivamente para a recuperação da indústria naval e a geração de empregos em solo brasileiro.

Pode-se alegar que as siderúrgicas da Coréia do Sul – e por extensão, seus estaleiros - são clientes da Vale na compra de minério de ferro. Mas com certeza não foi mandando construir seus navios no Brasil que os sul-coreanos se transformaram em um dos países mais industrializados do mundo ao longo dos últimos 25 anos. Os Tigres Asiáticos, começando pelo Japão, ainda no final do Século XIX, e assim como está acontecendo com a China hoje, só cresceram por causa da decisão política de estabelecer uma indissolúvel e permanente aliança estratégica entre governo e iniciativa privada de capital nacional, para a competente substituição de importações e a conquista de mercados externos, agregando continuamente valor aos seus produtos e exportações. Lá fora, essa é a regra. Aqui, quando o governo tenta fazer a mesma coisa, todo mundo cai de pau no “perigo de reestatização” e no “nacionalismo anacrônico”, como se algum grande país do mundo – como o próprio Japão, os Estados Unidos, a Alemanha, a China – tivesse chegado a algum lugar sem zelar por seus interesses e sem uma postura nacionalista clara por parte da sua população.

Só pode ser ingênuo – ou canalha - quem anuncia que o nacionalismo acabou em um mundo em que os países mais fortes se impõem aos mais fracos pela força das armas. Ou em que, como acontece na Europa, o nacionalismo é tão exacerbado que já se transformou em racismo – pergunte-se aos brasileiros que são rotineiramente revistados, humilhados e enviados de volta ao Brasil dos aeroportos espanhóis, por exemplo, – ou, ainda, no qual, como está acontecendo agora nos Estados Unidos, milhões de pessoas saem para as ruas carregando bandeiras e gritando USA ! USA ! USA ! para comemorar, como se fosse carnaval, a morte de um único homem. O nacionalismo não morreu, como não morreu a História. Ao contrário do que escreveu Francis Fukuyama depois da queda da União Soviética, essa velha senhora está vivíssima - e de vez em quando explode violentamente, como uma bofetada, na cara de quem defende a “pax americana”, a “governança global” e o fim das fronteiras - como aconteceu naquele fatídico 11 de setembro, quando o primeiro avião carregado de passageiros atingiu a Torre Sul do World Trade Center.

Postado por Mauro Santayana


01-04-2011

As empresas de navegação que operam no Brasil estão preocupadas com a possibilidade de um "apagão" de mão de obra. Como medida de emergência, querem que navios e plataformas de bandeira estrangeira possam operar no país, de forma provisória, sem a necessidade de ter parte da tripulação brasileira, como determina resolução do Ministério do Trabalho. Os armadores, representados pelo Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), pretendem aprofundar essa discussão com o governo federal a partir deste mês.

O tema é polêmico e enfrenta resistência dos trabalhadores, reunidos no Sindicato Nacional dos Oficiais de Marinha Mercante (Sindmar). As duas entidades discordaram publicamente sobre o assunto quando, em 2008, o Syndarma publicou estudo que apontou risco de déficit no número de oficiais para atender à expansão da frota até 2013. Em contrapartida, o Sindmar encomendou outro trabalho que indicou que iriam sobrar oficiais de marinha mercante, profissionais de nível superior formados nas duas escolas da Marinha: uma no Rio e outra no Pará.

Não satisfeito, o Syndarma reviu o estudo de 2008. A revisão considerou o crescimento da frota, iniciativa sustentada pelas encomendas de navios e plataformas do sistema Petrobras - Transpetro. O novo trabalho, válido para 2010-2020, indica que a falta de profissionais tende a se agravar de forma gradual até atingir o pico em 2014, quando faltariam 1.339 oficiais de marinha mercante para atender a demanda.

O Syndarma considera o estudo conservador uma vez que o trabalho não inclui projeções relacionadas ao aumento de demanda de profissionais como resultado da exploração e produção na camada pré-sal.

Ronaldo Lima, vice-presidente do Syndarma, diz que a proposta da entidade é flexibilizar o artigo 3º da resolução normativa nº 72, de 2006, do Conselho Nacional de Imigração, do Ministério do Trabalho. Segundo o artigo, quando embarcações ou plataformas estrangeiras operarem em águas jurisdicionais brasileiras por prazo superior a 90 dias deverão ser admitidos marítimos e outros profissionais brasileiros, observadas uma série de condições. Na prática, se adotada, a proposta faria com que navios estrangeiros ficassem desobrigados, temporariamente, a chamar oficiais brasileiros.

A mudança permitiria, na visão do Syndarma, melhorar o equilíbrio entre oferta e demanda de oficiais. Os armadores também têm interesse em discutir o artigo 1º da resolução nº 80, de 2008, do Conselho Nacional de Imigração, segundo a qual o Ministério do Trabalho pode conceder autorização para obtenção de visto temporário ao estrangeiro que venha ao Brasil com vínculo empregatício, "respeitado o interesse do trabalhador brasileiro". A ideia seria eliminar temporariamente a obrigação de que o Ministério do Trabalho tivesse que ouvir os sindicatos antes de conceder visto de trabalho para oficial estrangeiro.

O Syndarma vai enviar correspondências sobre a questão da mão de obra na marinha mercante para os ministérios do Trabalho, Transportes, Minas e Energia, Educação e Defesa. Também começa a pedir audiências com alguns ministros. Severino Almeida, presidente do Sindmar, criticou a proposta dos armadores. Disse que as empresas não olham o Brasil com visão de empresas brasileiras de navegação: "Querem praticar uma abertura que seja vantajosa para elas", afirmou. Segundo ele, não é preciso mexer na resolução normativa 72 uma vez que o artigo 3º oferece flexibilidade para deixar de contratar brasileiros quando a medida for necessária.


O estudo do Syndarma prevê a entrada em operação de 488 novas embarcações até 2020, incluindo navios-tanques, graneleiros, porta-contêineres, barcos de apoio às atividades de petróleo e plataformas. Para atender essa frota, serão necessários no período 5.437 oficiais, uma média de cerca de 11 profissionais por navio (cada embarcação divide os trabalhadores em equipes que se revezam a bordo).

O Conselho Nacional de Imigração não quis se pronunciar sobre a proposta do Syndarma pois ainda não a recebeu. Dados do Ministério do trabalho mostram que, em 2010, foram concedidas 3.715 autorizações para profissionais estrangeiros trabalharem em navios de outras bandeiras no Brasil, aumento de 54% em relação ao ano anterior.

A Transpetro, dona da maior carteira de navios de bandeira brasileira hoje em construção no país, também não quis comentar o assunto. A Transpetro disse, em nota, que acredita que ações conjuntas com a Marinha vão garantir a formação de tripulantes brasileiros para as embarcações da empresa. A Transpetro citou o esforço de todos os elos da marinha mercante para ampliar e melhorar os dois centros de formação de oficiais no país. A Transpetro tem hoje 2.232 marítimos e prevê contratar outros 1.700 até 2013. Em 2011, a empresa abriu concurso com 728 vagas para contratar oficiais, suboficiais e guarnição de marinha mercante.

Roberto Galli, vice-presidente executivo do Syndarma, disse que uma das contribuições do estudo revisado foi o conceito usado para medir a evasão profissional, um dos grandes problemas do setor. Galli disse que o trabalho considerou que existe uma curva de evasão ao longo da carreira do oficial. De acordo com esse critério, o estudo considerou que um ano depois de formados, 11% dos oficiais abandonam a carreira. Como é um curso superior, muitos oficiais optam por fazer concursos públicos em vez de trabalhar embarcados, longe da família.

O percentual de evasão cai nos anos seguintes até chegar a 2% no sexto ano, mas volta a crescer e no 11º ano depois da formatura a evasão atinge 10%. O estudo original considerava uma taxa de evasão fixa de 65% ao longo de toda a carreira do oficial. Ainda de acordo com o estudo, as escolas da Marinha devem formar 825 oficiais em 2011. Se for considerada a taxa de evasão de 11%, significa que em 2012 continuariam na profissão 735 dos 825 oficiais que se formaram um ano antes.

Fonte: Valor Econômico/Francisco Góes | Do Rio


Cai diretor da Vale

O governo venceu, depois de quase dois anos e meio de campanha contra o presidente da Vale, maior empresa privada do Brasil, segunda maior mineradora do mundo e líder mundial na extração de minério de ferro.
Roger Agnelli deixará o posto, afinal, porque o Bradesco desistiu de enfrentar a pressão do Palácio do Planalto. Sem a rendição do banco, o governo federal não teria os votos necessários para forçar a mudança na cúpula da empresa. O acordo foi concluído em reunião do ministro da Fazenda, Guido Mantega, com o presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão, na sexta-feira. O resultado já era dado como certo por fontes do governo e, portanto, não surpreendeu. Mas a disputa em torno da presidência da mineradora foi muito mais que um embate entre dois grandes acionistas. Este é o ponto mais importante, não só para os diretamente envolvidos nesse confronto, mas, principalmente, para o País.
Se houve algo surpreendente, não foi a rendição do Bradesco, na semana passada, mas sua longa resistência. Há uma enorme desproporção de forças entre o governo federal e uma instituição financeira privada, mesmo grande. Os dirigentes do banco acabaram levando em conta seus interesses empresariais e os possíveis custos de um longo confronto com as autoridades. A pressão exercida a partir do Palácio do Planalto foi "massacrante", segundo uma fonte do banco citada pelo jornal O Globo.
Ao insistir no afastamento de Roger Agnelli, a presidente Dilma Rousseff seguiu no caminho aberto por seu antecessor. Derrubar o presidente da Vale foi um dos grandes objetivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde o agravamento da crise internacional, em 2008, quando a Vale anunciou a demissão de cerca de 1.300 funcionários, as pressões contra os dirigentes da empresa foram abertas. Além de se opor às dispensas, o presidente da República passou a exigir da Vale maiores investimentos em siderurgia.
Seria preciso, segundo ele, dar menos ênfase à exportação de minério e realizar um maior esforço de venda de produtos processados. Em sua simplicidade, o presidente Lula nem sequer levou em conta a enorme capacidade excedente da indústria siderúrgica, não só no Brasil, mas em escala mundial.
Mas nem é o caso de examinar o mérito das ações defendidas pelo presidente da República e por seus estrategistas. Se essa discussão valesse a pena, os argumentos teriam ocupado espaço na imprensa e os principais dirigentes da Vale com certeza os teriam examinado, com a mesma competência demonstrada ao promover o crescimento da empresa desde sua privatização. O ponto importante é outro.
O presidente Lula agiu como se fosse atribuição de seu gabinete administrar tanto as estatais quanto as grandes companhias privadas. Deu ordens a diretores da Petrobrás e censurou-os publicamente. A imprudente associação da Petrobrás com a PDVSA para construir a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. é fruto do cumprimento de uma dessas ordens. Aliás, nem sempre os dirigentes da estatal conseguiram seguir as determinações de Lula - a preferência a fornecedores nacionais, por exemplo - porque isso comprometeria seu trabalho.
Um presidente sensato não se meteria sequer na administração de uma estatal grande e complexa. Muito menos se atreveria a ditar políticas para empresas privadas também grandes, complexas e bem-sucedidas como a Vale e a Embraer, mas a autocrítica e o sentido de proporção nunca foram grandes atributos do presidente Lula. Além do mais, sentimentos como esses acabariam facilmente sufocados pelo objetivo maior: comandar de seu gabinete várias da maiores empresas brasileiras. Se bancos federais se meteram onde não deveriam, comprando, por exemplo, participação no Banco Panamericano, foi para atender a essa concepção de poder.
A presidente Dilma Rousseff já mostrou, em mais de uma ocasião, diferenças importantes em relação a seu antecessor e grande eleitor. Neste caso, no entanto, quando se trata da fome de poder e da ambição centralizadora, a continuidade da política anterior parece garantida.
Pena.
Fonte: O Estado de São Paulo – 29/03/2011


07-10-2010

Os supernavios de guerra da Vale.

    Na disputa contra os australianos pelo mercado chinês, a mineradora brasileira monta uma frota com 35 dos maiores navios do mundo.
    O maior navio de guerra do mundo é um porta-aviões americano chamado Enterprise, que mede 342 metros de uma ponta a outra e pode carregar 85 caças. Os dois maiores transatlânticos em atividade no mundo, da Royal Caribbean, têm 360 metros de comprimento e transportam mais de 5 mil pessoas cada. Em breve, uma empresa brasileira vai estrear nesse clube: é a mineradora Vale, maior companhia privada do País, que está construindo sua própria frota de supernavios.
    São 35 navios que, uma vez prontos, serão os maiores em operação no mundo. Iguais a eles, só haverá os outros dois da Royal Caribbean. Eles vão custar US$ 4 bilhões. Com 360 metros de comprimento, cada navio terá capacidade para 400 mil toneladas, o equivalente ao peso de 470 mil carros Fiat Uno. Um cargueiro comum não chega à metade disso. No passado, até havia algumas embarcações maiores, mas foram desativadas e viraram sucata ou tanques para estocar petróleo em alto mar.
    A frota da Vale está sendo montada para brigar com as mineradoras australianas na Ásia, principalmente no mercado chinês. A Vale deve vender este ano 140 milhões de toneladas de minério de ferro para a China, quase metade da produção total da empresa, mas quer ampliar esse volume. Para isso, os brasileiros precisam anular a vantagem geográfica dos australianos, que estão bem mais perto da Ásia.
    O minério brasileiro demora 45 dias para chegar à China, enquanto os australianos precisam de apenas 15 dias de navegação. "Cada tonelada que mandamos para a China paga 30 dias de frete a mais do que o minério da Austrália. Os novos navios farão nosso produto chegar mais barato", afirma José Carlos Martins, diretor executivo de Marketing, Vendas e Estratégia da Vale.
    Dependência. A missão da frota gigante será entregar grandes quantidades de minério com maior rapidez e, principalmente, acabar com a dependência dos armadores internacionais. A Vale está construindo seus navios na China e na Coreia do Sul. Os primeiros ficam prontos no ano que vem e os outros serão entregues aos poucos até o fim de 2014.
    Nem todos serão propriedade da mineradora. Das 35 embarcações, 19 foram encomendadas diretamente pela Vale e as demais por armadores que irão trabalhar com exclusividade para ela durante 25 anos - a vida útil desses navios.
    Eles são tão grandes que só conseguem atracar nos portos da própria Vale, no Maranhão e no Espírito Santo, e nos principais portos da China. O detalhe é que a empresa tem projetos prontos para fazer navios ainda maiores, com capacidade para 500 mil e 600 mil toneladas, mas desistiu de fazê-los agora porque não haveria portos com capacidade de recebê-los. "Seria preciso investir muito em dragagem e em equipamentos. Mas no futuro eles serão feitos", afirma Martins, da Vale.
    Os supercargueiros chamam a atenção, mas eles são parte de uma empreitada mais ambiciosa. Desde o ano passado, a Vale vem montando, discretamente, uma das maiores frotas privadas do mundo. Entre navios novos, usados e petroleiros convertidos para graneleiros, o mercado estima que a mineradora brasileira tenha comprado cerca de 100 embarcações de 2009 para cá. A Vale não confirma esse número. Mesmo no caso dos supernavios, até agora a companhia só tinha falado das primeiras 12 encomendas. Os outros 23 só estão aparecendo agora.
    Espionagem. Dois motivos levam a empresa a ser discreta. O primeiro é a concorrência. A Vale atua num mercado de poucas empresas, que fica mais concorrido a cada ano. Maior mineradora de ferro do mundo, a Vale e suas rivais ficam se espionando o tempo todo, uma tentando atrapalhar o caminho da outra.
Por isso, a companhia não quer que os concorrentes conheçam todos os seus passos. "A Vale já tem o melhor produto do mundo (o minério de Carajás, no Pará)", diz o consultor Sérgio Alves, que trabalha para mineradoras asiáticas no Brasil."Quando ela passa a controlar também o transporte marítimo, ganha enorme competitividade, já que o frete é tão importante quanto o preço do minério. Os australianos devem estar preocupados." De acordo com a mineradora, só com os navios já comprados houve uma economia de US$ 3 bilhões em relação ao que teria sido pago em fretes a terceiros.
    O outro motivo é político. O governo e os fabricantes nacionais de navios e equipamentos fizeram pressão para que a Vale construísse seus navios no Brasil. Antes de fazer as encomendas, a mineradora fez uma tomada de preços junto aos estaleiros locais.
    A maioria já estava comprometida com encomendas para a Petrobrás, além de embarcações menores para a própria Vale. Os únicos dois estaleiros com agenda disponível para atender ao pedido cobravam, segundo a mineradora, quase o dobro do preço dos fabricantes da Ásia. "Seria interessante fazer esses navios no Brasil, mas não havia como", diz o consultor Sérgio Alves. "Além disso, não tinham preço competitivo. Não era uma questão de querer ou não."
Fonte: O Estado de S.Paulo

26/09/2010

Oficial de marinha mercante torna-se profissão cada vez mais atraente

    Salário atraente, possibilidade de conhecer muitos países, intercâmbio com outras pessoas e culturas, sensação de contribuir com seu trabalho para o comércio exterior e o desenvolvimento econômico, além de um dia a dia que envolve o contato com equipamentos e tecnologias de ponta são alguns dos principais atrativos da carreira de oficial de marinha mercante.
    A área, aquecida pelo grande aumento no volume de cargas transportadas por via marítima nas últimas duas décadas, no bojo do processo de globalização, tem estado cada vez mais aquecida.
    No Brasil, em particular, esse mercado de trabalho está em faze de crescimento, em função dos projetos de ampliação da frota nacional de cargueiros e petroleiros para fazer face ao aumento da demanda por transportes - lembrando que 90% das exportações e importações brasileiras são feitas pelo mar.
    O mercado também está em expansão por força do desenvolvimento do setor de petróleo offshore, devendo ganhar a partir de agora um grande impulso em função da prospecção de petróleo na camada do pré-sal. O segmento offshore já vem crescendo a uma taxa anual média de 10% nos últimos anos, mesmo sem a entrada em operação dos poços do pré-sal.
    Assim como os grandes cargueiros portacontêineres, os graneleiros, as embarcações de carga geral e os petroleiros, os navios de apoio às plataformas de petróleo são tripulados por oficiais de marinha mercante. De acordo com o Sindicato Nacional dos Oficiais de Marinha Mercante (Sindmar), entidade que reúne cerca de 7 mil associados em todo o País, o mercado de trabalho tem capacidade para empregar cerca de 300 novos profissionais a cada ano, sem risco de déficit ou gargalo.
    E as perspectivas tendem a melhorar. A Transpetro, maior armadora nacional, tem em encomenda cerca de 26 petroleiros, navios que demandarão novos tripulantes. A cabotagem – navegação entre portos nacionais – e o longo curso também apresentam perspectivas de crescimento, já que a crise global iniciada em 2008 começa a ser superada.
 
Perfil e rotina
 
    Os oficiais de marinha mercante são formados por dois centros/escolas mantidos pela Marinha: o Centro de Instrução Almirante Graça Aranha - Ciaga (Rio de Janeiro) e Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar – Ciaba (Belém/Pará). O ingresso é feito por meio de concurso público seletivo que obedece ao preceito constitucional de igualdade de sexos. O percentual de mulheres vem aumentando desde 2000, ano da primeira turma feminina, e hoje elas já representam 40% dos alunos.
    O curso tem duração de quatro anos e o oficial mercante formado recebe o título de bacharel em Ciências Náuticas. Esses profissionais, depois de formados, também passam a integrar a Reserva da Marinha de Guerra. O vencimento básico inicial (segundo oficial, que é a primeira patente) é de cerca de R$ 3 mil. A ascensão ao posto máximo de comandante leva cerca de 10/12 anos, com vencimentos que chegam a R$ 12 mil.
    O regime de trabalho em geral é de três meses embarcado para um de repouso nos navios petroleiros (e também nos gaseiros e quimiqueiros); e de até cinco meses de embarque e um de folga nos navios de granéis e portaconteineres. Já no segmento off shore, onde a rotina operacional é mais intensa, os tripulantes permanecem até 43 dias embarcados para um mês de descanso em terra. As jornadas duram de 8 horas (granéis, petroleiros, portacontêineres) a 12 horas (off shore). O Sindmar, que tem índice de sindicalização de 90% entre a categoria, mantém acordos coletivos com mais de 40 empresas de navegação, contribuindo para a melhoria das condições de trabalho.
    Para driblar a saudade de casa, os navios mercantes oferecem aos tripulantes hoje uma gama de atividades que vão desde o acesso à internet e salas de jogos até a improvisação de jogos de futebol e vôlei a bordo. Assim, a rotina inclui a criatividade brasileira, mesmo em águas internacionais e portos distantes da costa brasileira.
Fonte: A Tribuna on-line.
05/09/2010


Cinco mil contêineres bloqueiam portos.


    Produtos não liberados pela Receita ou abandonados por importadores se acumulam em 5 mil contêineres e congestionam terminais do País
    O volume de cargas apreendidas pela Receita Federal ou abandonadas pelos importadores provocou um congestionamento de 5 mil contêineres encalhados nos portos brasileiros. Se fossem colocados um atrás do outro, formariam uma fila de 50 quilômetros de extensão - quase a mesma distância entre São Paulo e a cidade de Jundiaí, no interior do Estado.
    Os equipamentos estão espalhados pelos principais terminais do País à espera de uma destinação por parte da alfândega, que não tem conseguido atender ao forte aumento do comércio exterior. Além dos prejuízos aos donos dos contêineres, o acúmulo das chamadas "cargas em perdimento" (apreendidas ou abandonadas) compromete a capacidade de armazenagem dos portos, que sofrem há muito tempo com a falta de espaço em seus pátios e armazéns.
    "Esse problema virou um grande entrave para o sistema portuário brasileiro", afirma Elias Gedeon, presidente do Centro Nacional de Navegação (Centronave), responsável pelo levantamento do número de contêineres parados nos terminais. Ele explica que o avanço das cargas em perdimento é decorrente de fatores interligados. Um deles é o aumento das importações, que avançaram quase 50% no primeiro trimestre deste ano. O segundo ponto é mais estrutural e está ligado à falta de capacidade da Receita Federal para atender à demanda crescente.
    Os empresários do setor avaliam que a Receita não tem mão de obra suficiente para todas as intervenções necessárias e ainda encontrar uma destinação para as mercadorias apreendidas. De acordo com a legislação, toda carga não liberada ou retirada do porto dentro de 90 dias é declarada "em perdimento".
    A partir daí, a Receita Federal fica autorizada a dar um destino para as mercadorias. Elas podem ser leiloadas, doadas, incorporadas por empresas públicas ou destruídas. "Mas esses processos não têm tido a agilidade que o momento exige", afirma Gedeon. Ele destaca que algumas mercadorias levam mais de um ano para serem liberadas.
    Foi o que ocorreu com cerca de 20 contêineres carregados de pneus usados, no Porto do Rio de Janeiro, afirma o secretário-geral da Câmara Brasileira de Contêineres (CBC), Alex Rotmeister. O executivo conta que a Receita demorou um ano para decidir o destino das mercadorias, que agora estão sendo usadas na produção de asfalto. "Há casos absurdos de uma carga esperar cinco anos para ser liberada."
    Durante todo esse tempo, completa Rotmeister, os contêineres ficam inutilizados, causando prejuízos aos seus donos. Isso quando não precisam ser destruídos por causa da carga que está dentro, como ocorre no caso de mercadorias perecíveis. Cada equipamento frigorificado custa, em média, US$ 35 mil.
    A lista de cargas apreendidas ou abandonadas nos pátios dos terminais é extensa. Pode ser um produto pirateado, como tênis, celulares, óculos, cigarros e roupas, e até objetos de desejo da maioria da população, como veículos de luxo (Ferrari, Mustang e Porsche) e jet ski.
    No caso dos pirateados, a maioria das mercadorias é destruída. Já no segundo caso, boa parte vai a leilão.
    Os equipamentos eletrônicos muitas vezes são doados ou incorporados por empresas, explica o superintendente-adjunto da Receita Federal em São Paulo, Marcos Fernando Prado de Siqueira.
    Mas há também cargas inusitadas. O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, lembra que alguns caminhões de bombeiros ficaram anos sem definição e mais tarde foram doados. Segundo ele, o acúmulo de contêineres com cargas apreendidas ou abandonadas é mais um item do chamado custo Brasil - considerado um dos maiores do mundo. "Em alguns terminais do Rio, por exemplo, esse tipo de mercadoria chega a comprometer 30% da área disponível para movimentação."
    Por ser o maior da América Latina, Santos é o porto com maior volume de contêineres com cargas em perdimento. Apenas um terminal chega a acumular mais de 200 equipamentos parados. Em todo o porto, há pelo menos cinco áreas destinadas à movimentação de contêineres.
    O superintendente da Receita em São Paulo conta que o volume de apreensões no primeiro semestre deste ano cresceu 18,92% em relação a igual período do ano passado, especialmente por causa do aumento do comércio exterior. Junta-se a isso o fato de algumas empresas terem abandonado mercadorias no porto por causa de problemas financeiros, especialmente depois da crise de 2008.
    Com isso, o volume de contêineres aumentou bastante e exigiu uma atuação mais firme da Receita na realização de leilões e outras destinações dos produtos.
    Até o mês de agosto, foram realizados sete leilões em Santos, que arrecadaram cerca de R$ 60 milhões. Apesar disso, os representantes do setor avaliam que o reforço não tem sido suficiente para aliviar os terminais portuários e reivindicam mais mudanças.
    Há movimentos favoráveis à transferência da realização dos leilões para a iniciativa privada. "A Receita não pode concentrar todos os serviços. Ela tem de se concentrar na sua atividade-fim, que é fiscalizar as operações", afirma Gedeon. O diretor do comitê de assuntos jurídicos da Câmara Brasil-China, Fábio Gentil, especialista em direito marítimo, acredita que a "presunção de abandono de uma carga" deva ser reduzida de 90 para algo em torno de 45 dias, o que daria mais agilidade ao fluxo das importações e fôlego aos terminais.
    Ao mesmo tempo, destaca ele, o processo de destinação das mercadorias (leilões, doações, destruição) também deve ser reformulado, já que hoje é considerado moroso e incompatível com a demanda. Em algumas localidades, afirma o advogado, a Receita realiza apenas um leilão por ano.
    Ele critica também o custo das operações para a retomada de uma mercadoria. Quando uma empresa deixa uma carga no porto porque não tem dinheiro para retirá-la, diz Gentil, é muito difícil voltar atrás, mesmo dentro de 90 dias, que é o prazo para a carga não entrar em perdimento.
    "Isso porque os custos chegam a 110% do valor da carga. Tenho recebido semanalmente uma série de empresas que fizeram importações legais, mas cuja carga entrou em perdimento. Os custos são elevadíssimos", destaca ele.

GLOSSÁRIO

*Cargas em perdimento
São declaradas em perdimento todas as cargas não liberadas e não retiradas dos portos dentro do prazo de 90 dias. A partir daí, a Receita Federal fica autorizada a encontrar uma destinação para as mercadorias, que normalmente são apreendidas ou abandonadas por importadores.

*Destinação
As cargas têm quatro destinações possíveis. Elas podem ser leiloadas, doadas, destruídas ou incorporadas por alguma empresa, normalmente pública. As mercadorias destruídas são aquelas pirateadas ou que representam algum risco ao consumidor brasileiro.

Leilões
Os produtos que mais vão a leilão são os objetos de luxo, como Ferraris, Mustangs e Porsches, além de jet-skis e lanchas.


Fonte: O Estado de S. Paulo.
Autor: Renée Pereira


17-08-2010

Petrobras vai abrir três portos e três aeroportos até 2016

    Novas inaugurações em vários Estados estão sendo programadas para dar suporte às operações do pré-sal
    Para dar suporte às operações do pré-sal, a Petrobrás pretende inaugurar três novos portos e três aeroportos entre 2014 e 2016, disse o gerente geral de Exploração e Produção da companhia, Ricardo Albuquerque Araújo, em palestra na Rio Oil & Gas.
    Pelo cronograma da companhia, em 2014 serão inaugurados o aeroporto New São Tomé (RJ) e o porto de Ubu (ES). Em 2015, a expectativa é de que entrem em operação um aeroporto e um porto em Santos (SP). E, em 2016, deverão ser inaugurados um aeroporto em Itaguaí (RJ) e um porto em Itajaí (SC).
    "A perspectiva de crescimento da logística da Petrobrás nos próximos cinco anos é de 100%", afirmou, destacando que a logística tem de acompanhar o ritmo de crescimento da produção, que vai passar dos atuais 2,7 milhões de barris por dia para 5,3 milhões em 2020, um aumento de 7,1% a cada ano.
    Araújo comentou ainda que para deslocar funcionários e equipamentos para as operações no pré-sal da Bacia de Santos - que está a 300 quilômetros da costa - a companhia vai apostar no uso de hubs logísticos, que funcionam como centros de distribuição.
    Segundo ele, o número de passageiros transportados anualmente pela companhia vai passar de 800 mil para 1 milhão, até 2016, e o volume de carga vai subir de 400 mil toneladas por ano para 1 milhão até 2020.
Fonte: O Estado de S.Paulo/Kelly Lima/RIO



06-09-2010

Comissão mista será criada para definir preço do prático

    O governo federal prepara um decreto para ser publicado ainda neste ano que criará uma comissão multissetorial para "deliberar sobre os preços de praticagem", informou o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito. O serviço de praticagem consiste na manobra dos navios na entrada e saída dos portos e, por questão de segurança, é obrigatório por lei. Sem a subida do prático a bordo, o comandante da embarcação fica impedido de atracar ou desatracar o navio do porto.
    Hoje, os valores das manobras são definidos em negociações livres entre o prestador e o tomador do serviço - os práticos (profissionais concursados habilitados pela Marinha) e os armadores, respectivamente. Quando não há consenso entre as partes, a autoridade marítima arbitra os preços.
    As companhias de navegação representadas prioritariamente pelo Centro Nacional de Navegação (Centronave, que reúne 29 armadores responsáveis por movimentar 98% do comércio exterior brasileiro) alegam que os valores são altos demais e chegam a responder por até 50% de seus custos numa atracação. Daí que reivindicam mais transparência na formação dos preços, com a abertura das planilhas de custos das associações de práticos - pela lei, os valores devem remunerar o prático, a lancha (que leva o profissional até a embarcação) e a atalaia (base de operações em terra).
    O assunto é controverso e vem sendo debatido há mais de dois anos no governo, que, por meio do decreto, tentará uma saída consensual: flexibilizar a formação dos preços sem retirar da Marinha a prerrogativa do treinamento e segurança da atividade.
    Segundo o ministro Pedro Brito, teriam assento no comitê para definir os preços a própria Marinha, a Casa Civil, o Ministério da Fazenda, as praticagens, agentes e armadores. "Essa comissão, entre outras atribuições, teria o poder de deliberar sobre os preços e abrir as planilhas que, na verdade, são o principal motivo da discussão, porque não há crítica em relação à qualidade e segurança do serviço."
    O diretor do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), Otávio Fragoso, afirma que a discussão é perfeitamente legítima. "Está dentro de interesse do Estado brasileiro tentar melhorar ainda mais o serviço de praticagem que existe". Para ele, porém, a fixação dos preços - em não havendo acordo entre armadores e práticos - deve permanecer com a Marinha.
    "A questão é: qual o preço que pode custar de forma que remunere adequadamente o serviço dentro dos parâmetros internacionais e que não seja excessivo de forma que prejudique a competitividade do Brasil?", questiona.
    Um dos métodos mais utilizados no mundo, destaca Fragoso, é o "benchmarking", por meio da comparação de amostras de portos com características semelhantes às dos complexos brasileiros. Os valores seriam ancorados num "price cap", sustenta ele, um preço limite.
    Sobre a argumentação de armadores de que os preços de praticagens no Brasil são altos demais, ele afirma que existem preços "muito abaixo dessa lógica e alguns, acima". Tanto um lado como outro já contrataram estudos para provar suas teses, mas a Marinha disse em entrevista ao Valor que nenhum deles é conclusivo.
    Na semana passada, a Diretoria de Portos e Costas (DPC, órgão ligado à Marinha) publicou a Portaria nº 184 no Diário Oficial da União fixando novos valores a serem cobrados por associações de práticos do Rio de Janeiro para manobrar os navios de alguns armadores associados ao Centronave, por falta de acordo. No mês passado, pela mesma razão, a DPC reajustou os preços do serviço da Praticagem de Santos para operar as embarcações das companhias de navegação ligadas à mesma entidade de classe.

Fonte: Valor Econômico


23-08-2010

Navegação: Armadores filiados ao Centronave dizem que vão recorrer do índice de aumento em Santos
Reajuste de 21,25% na tarifa reacende debate sobre custo do prático

    A Marinha do Brasil fixou aumento de 21,25% nos valores do serviço da Praticagem do Porto de Santos prestado aos 32 armadores associados ao Centro Nacional de Navegação (Centronave). O prático é um profissional concursado e vinculado à marinha mercante que tem por lei a prerrogativa de subir a bordo e assessorar o comandante na condução do navio em águas restritas, basicamente na entrada e saída do porto. A contratação do serviço é obrigatória e existe em todos os portos do mundo. Com o aumento, a manobra de uma embarcação com capacidade para transportar 3,5 mil contêineres saiu de R$ 7.315 para R$ 8.869,28, por exemplo.
    O reajuste recém-anunciado corresponde ao IGP-M entre janeiro de 2007 e o fim de julho deste ano e tem como base o último acordo firmado entre o Centronave e a Praticagem de Santos naquele ano, informou ao Valor a Diretoria de Portos e Costas (DPC), órgão da Marinha.
    Assinado em 2007, o acordo previa atualizações anuais no mês de janeiro, mas argumentando perdas inéditas em razão da crise mundial, os armadores pleitearam, no fim de 2008, o congelamento dos preços por seis meses. A Praticagem concordou e estendeu a medida durante todo o exercício passado. Em janeiro deste ano haveria a nova atualização, que só veio a ser aplicada em abril: 13%, considerando a variação do IGP-M e do IPCA de janeiro de 2008 até março deste ano.
    "Os armadores pediram que segurássemos por seis meses, mas entendendo que a crise era um fato, decidimos postergar o reajuste por 13 meses. Só em abril deste ano a Praticagem aplicou a atualização de 13% prevista no acordo que, no nosso entender estava vigente. No entender do Centronave, não", disse o assessor da diretoria da Praticagem de Santos, Marcos Jorge Matusevicius.
    O Centronave não concordou com a revisão de 13%, razão pela qual entrou na Justiça e solicitou a arbitragem da DPC, publicada na semana passada. A intervenção da autoridade marítima ocorre quando não há consenso na negociação de preços entre o tomador do serviço (os armadores) e o prestador (o prático). Mas a associação de empresas de navegação esperava que a decisão da DPC fosse pela redução e não aumento no que considera preços abusivos e se disse surpresa com o resultado final e vai recorrer da decisão.
    "Não ficamos satisfeitos porque não está justificado como se chegou a estes valores", destaca o diretor-executivo do Centronave, Elias Gedeon. De fato, a Portaria nº 167, publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 16, não especifica os critérios que levaram ao aumento de 21,25%.
    Segundo Gedeon, o cerne da questão é que o armador é obrigado por lei a contratar o serviço mas não sabe exatamente pelo que está pagando. "Nosso propósito é que a DPC abra os custos da praticagem para que tenhamos uma visão clara do que estamos pagando e possamos fazer uma reavaliação dos preços. Apesar de lutarmos pela redução dos valores, o mais importante é promover um relacionamento justo e isso só acontecerá quando os custos forem abertos, quando se sair desse subjetivismo", afirma.
    "A lei fala que os preços de praticagem estão fixados para remunerar o prático, a lancha (que leva o profissional até a embarcação) e a atalaia (centro de operações). Então é preciso que esses custos sejam abertos", defende Gedeon. Ele afirma que, se ao final se chegar à conclusão de que o percentual para remunerar o prático deve ser até maior, "paciência". Hoje, os serviços de manobra dos navios representam quase 50% das despesas dos armadores numa escala no porto de Santos, segundo o executivo.
    Matusevicius rebate dizendo que, em qualquer porto, os maiores custos na operação portuária residem na atividade de rebocagem e dos práticos, e que, portanto, tal indicador não serve de parâmetro para mensurar se os valores são altos ou não. Segundo ele, a quantificação dos preços cobrados depende dos riscos gerenciados.
    "Existe uma parte do custo dos serviços de praticagem que é comum: a lancha, o centro de operações, a parte administrativa - esse eu diria que não muda de porto para porto, independentemente das dificuldades do canal de navegação. Já a parte específica do prático vai do conhecimento necessário para gerenciar os riscos de cada manobra naquele local", afirma o representante dos práticos. "Então, via de regra, num porto cujo tráfego é mais fácil e que tem mais recursos de manobra, normalmente o preço de praticagem será menor", afirma Matusevicius.
    Ele compara a forma como os práticos chegam aos seus eventuais preços à maneira como advogados definem seus honorários. "Os custos de dois advogados são mais ou menos os mesmos, e por que um cobra um valor e outro cobra menos? Porque o conhecimento de um naquele assunto é diferenciado. Existe uma parte do serviço que depende do conhecimento, do feeling, da expertise daquele profissional que está embarcado naquele momento".
    Os armadores do Centronave representaram 5,34% das 599 companhias ou operadores de navegação presentes no porto de Santos em 2009. Mas os associados à entidade têm, juntos, mais de US$ 40 bilhões de ativos (entre navios e equipamentos) no país e respondem por 80% do comércio exterior brasileiro - levando em conta apenas as cargas em contêineres, o percentual sobe para 98%. Essas empresas atuam com cerca de 400 porta-contêineres escalando portos brasileiros.
    A portaria da Marinha não se aplica às demais empresas de navegação, que fecharam acordo com os práticos nos termos do reajuste de 13% em vigor desde abril.
Fonte: Valor Econômico





 


Imprensa
Navegando ao largo da crise  -  Jornal do Commercio / 25.5.2009
Entrevistas
Setembro - 2009
Petro-sal terá poder para vetar decisões de consórcios privados
    O país terá uma nova empresa estatal para cuidar dos interesses da União, nas áreas do petróleo encontrado depois das camadas de sal, com poderes até para vetar decisões dos consórcios privados formados para explorar essas reservas. A Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A (Petro-sal), inspirada na estatal Petoro, da Noruega, terá até 130 funcionários, e seus dirigentes serão nomeados pelo presidente da República. Sua principal função será gerir os contratos de partilha para exploração do petróleo.
    A estatal, que será constituída assim que tiver sua criação aprovada pelo Congresso Nacional, terá bem mais poder que a norueguesa que a inspirou, já que terá 50% de todos os comitês operacionais a serem criados para a gestão dos poços de exploração em regime de partilha. Cinco ministérios terão representantes em seu conselho de administração, que será presidido por alguém indicado pelo Ministério de Minas e Energia. O ministério também indicará os dirigentes da empresa. Ela poderá participar, como sócia, nos contratos de partilha a serem celebrados com a Petrobras e empresas petrolíferas estatais e privadas.
    A Petro-sal terá o "capital mínimo" necessário para sua operação, segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Ela será remunerada para gerenciar, pela União, os contratos de partilha e a comercialização de gás e petróleo, e poderá ter um percentual do bônus de assinatura devido pelas empresas ao governo (o bônus é uma espécie de adiantamento a ser pago pelas empresas, a ser abatido dos pagamentos devidos pelo contrato). A estatal, segundo Lobão, poderá ter menos funcionários que os 130 previstos. A escolha será por concurso, e a empresa também poderá contratar funcionários temporariamente, por, no máximo quatro anos, mas esses temporários não poderão exercer cargos de confiança.
    Embora deva atuar em todos os blocos de exploração, em contratos de partilha com as empresas petrolíferas, a Petro-sal não será uma empresa operadora, mas gerenciadora dos interesses da União, inclusive a fiscalização das exigências de conteúdo local. "Passou a época em que achávamos ótimo, maravilhoso, comprar plataformas e navios no exterior", comentou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que se disse preocupada com a necessidade de desenvolver capacidade industrial no país para atender às necessidades de exploração das camadas do pré-sal.
    A Petro-sal fará, ainda, a avaliação técnica e econômica dos planos de exploração, avaliação de reservas e produção do petróleo e gás, e representará os interesses da União também nos casos em que for necessária a individualização d a produção, em reservas que se estendam para blocos ainda não licitados ou explorados em regime diferente do regime de partilha.
    A semelhança com a estatal norueguesa é tal que, ontem, em entrevista à imprensa, o ministro das Minas e Energia chamou a estatal brasileira, por engano de Petoro, logo depois de ouvir Dilma garantir que as duas estatais são muito diferentes. "A Petoro é do rei (da Noruega)", repreendeu Dilma, em tom de brincadeira. "Temos o Gabrielli, que é um príncipe", respondeu Lobão, mencionando o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli.
    Como na Noruega, o principal propósito da Petro-sal é "diminuir a assimetria de informações" que haveria entre o governo e as empresas operadoras, caso o Estado não tivesse um representante direto nos consórcios e nos comitês operacionais.
    Como explicou a ministra, em um contrato de petróleo, os custos de exploração são decisivos para determinar a lucratividade da extração do óleo; a Petro-sal se encarregará de evitar gastos excessivos, investimentos indevidos, ou decisões que possam afetar a parcela de direito da União. Essa tarefa é semelhante à executada pela Petoro norueguesa.
    Dilma garantiu que, como em casos semelhantes no exterior, o poder de veto da Petro-sal sobre decisões dos comitês operacionais é definido já no contrato de partilha. Essa norma deve ser seguida no Brasil.
(Fonte: Valor Econômico/Sergio Leo, de Brasília




Sinaval: estaleiros estão prontos para o pré-sal
    O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, garantiu que os estaleiros brasileiros têm condições de atender a demanda que a exploração de petróleo na camada pré-sal deve gerar por embarcações e equipamentos. Rocha acompanhou ontem o anúncio do marco regulatório do setor, feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão. O projeto será enviado para votação no Congresso Nacional.
    "Os estaleiros brasileiros estão preparados para o desafio de produzir navios-sonda, plataformas de produção, navios de apoio marítimo, petroleiros e todos os equipamentos necessários para essa nova fase do Brasil na produção de petróleo nas camadas profundas do subsolo marinho, conhecidas como o pré-sal", afirmou o presidente do Sinaval.
    Ariovaldo lembrou que novos estaleiros estão sendo construídos e outros estão investindo em ampliação, destacou a geração de mais de 45 mil empregos nestas unidades e a capacidade da indústria naval brasileira de realizar acordos com fornecedores internacionais que incluem a transferência de tecnologia.
    "A Construção Naval brasileira trabalha com uma carteira de encomendas de três milhões de Tpb, praticamente duplicando a frota brasileira de navios. É o momento da construção no Brasil de navios de grande porte (petroleiros de157 mil tpb), levando o setor a um novo patamar industrial e tecnológico. Além dos navios, os 28 estaleiros atuais e quatro novos estaleiros em instalação irão construir oito cascos de navios-plataforma de produção de petróleo e 28 navios-sonda de perfuração", disse.




Prefeito corta isenção da Portonave.
    Um decreto publicado ontem pela prefeitura de Navegantes confirmou o cancelamento das isenções municipais ao Porto de Navegantes, administrado pela Portonave, garantidos em 2005 por uma lei municipal.
    A partir de agora, o empreendimento terá de contribuir com encargos dos quais estava isento, entre eles Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), Taxa de Contribuição de Melhoria, Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (TBI) e Taxa de Licença para Locação e Verificação de Funcionamento Regular de Estabelecimento.
    A Procuradoria do Município alega que o texto da Lei Municipal n° 1.942/05, aprovado há quatro anos, fere pelo menos sete artigos da Constituição Federal. Como a lei beneficiava também empresas contratadas pela Portonave desde a construção do porto, a procuradoria estima que a renúncia de receita para Navegantes tenha ultrapassado R$ 10 milhões.
    De acordo com a procuradora Adjunta, Ana Caroline Serafim, a arrecadação de ISSQN do Porto de Navegantes corresponde a cerca de R$ 170 mil por mês.
Lei afrontaria o princípio da isonomia tributária
? A lei afronta o princípio da isonomia tributária, o limite mínimo de 2% de ISSQN e há desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, já que a renúncia não foi considerada nas leis orçamentárias do município ao longo dos anos ? declarou a procuradora.
    De acordo com Ana Caroline, um parecer jurídico elaborado pela procuradoria ajuda a embasar o decreto recém-publicado. Segundo a procuradora, para conquistar novos incentivos fiscais, a Portonave pode apresentar um projeto ao município. No entanto, a solicitação deve estar em acordo com a Lei Municipal nº 1185/97, que regulamenta a concessão de benefícios fiscais para todas as empresas em Navegantes. A Portonave encaminhou cópia do decreto ao departamento jurídico da empresa para a verificação da legalidade da anulação.
Fonte: Diário Catarinense)




Guarita finaliza nova embarcação
    Navio custou aproximadamente R$ 32 milhões e é destinado ao transporte de derivados de petróleo
    A Navegação Guarita está prestes a concluir seu mais novo navio: o Guapuruvu. A embarcação, que será destinada ao transporte de líquidos derivados do petróleo, absorverá um investimento de cerca de R$ 32 milhões. Parte desse montante, cerca de R$ 25 milhões, conta com o financiamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) e da CaixaRS.
    O diretor-executivo da Navegação Guarita, Werner Barreiro, informa que o navio deverá descer da carreira (onde se faz a montagem) amanhã e, depois de realizados alguns acabamentos, deverá ser batizado no dia 13 de outubro.
    O processo de construção da embarcação foi dividido. Em Canoas, eram feitos, pela Cooperativa dos Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas (CTMC), os blocos que comporiam o navio. Já no estaleiro da Guarita, em Triunfo, a empresa Intecnial realizava a integração dos módulos.
    Barreiro relata que o tempo de implantação do empreendimento foi de cerca de 20 meses. O navio terá capacidade para transportar até 4,3 mil toneladas e atingir até 10 nós de velocidade. A embarcação terá cerca de 100 metros de comprimento e uma boca (largura máxima) de 16 metros.
    O valor do investimento no Guapuruvu é elevado para uma embarcação que fará a navegação fluvial. Porém, Barreiro explica que isso se deve aos cuidados tomados para o transporte de uma carga perigosa como é o caso de derivados de petróleo. O navio possui, por exemplo, casco duplo. ?É uma plataforma de petroquímicos que flutua?, compara o dirigente.
    Ele enfatiza que a embarcação atenderia às condições para realizar o transporte de derivados de petróleo em qualquer via fluvial do planeta. A perspectiva é de que o Guapuruvu realize o trajeto entre o porto do Rio Grande e a Região Metropolitana da Capital gaúcha.
    Ainda não estão definidas quais serão as companhias que usarão os serviços da nova embarcação. No entanto, possíveis contratantes são a Braskem e a refinaria Alberto Pasqualini (Refap), que já são clientes da Guarita. O Guapuruvu será o décimo oitavo navio da empresa, entre próprios e afretados.
(Fonte: Jornal do Commercio/RS/Jefferson Klein)



Libra negocia implantação de megaterminal de contêineres.

    A Libra Terminais S.A. negocia com as autoridades do setor portuário a unificação de suas áreas para construção de um megaterminal especializado na movimentação de contêineres no Porto de Santos ¬ o projeto Libra-Santos. Essa nova configuração permitirá à empresa duplicar sua capacidade operacional, podendo escoar 2,1 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano. O desafio da Libra, no momento, é convencer os intervenientes do processo de concessão de que o empreendimento é bom para o Porto e para o País.
    Uma vez concluídas as negociações para a junção de seus terminais, a firma estima concluir as obras em até 18 meses.
    O primeiro passo foi dado no último dia 30 de julho, com a compra do Terminal 33, anteriormente administrado pelo Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá (Teag).     Uma área de 33mil metrosquadrados, 220 metros de cais e dois armazéns dedicados a carga geral com 9 mil metros quadradoscadapassaram aser controlados pela Libra, que pagou R$ 65,37 milhões na negociação. O valor não é confirmado pela empresa, mas consta no ato de concentração aprovado peloMinistério da Fazenda, documento de domínio público.
    A negociação envolveu a compra não só da superestrutura, mas também dos direitos do contrato de arrendamento assinado em 2000, com vigência de 20 anos. O documento permite a movimentação de carga geral ¬ seu objetivo inicial, uma vez que a especialização em açúcar ensacado ocorreu ao longo dos anos, por influência de uma demanda de mercado atendida pelo Teag. A Libra planeja operar também cargas de projeto ¬ como grandes motores, transformadores e materiais para a atividade offshore.
    A área do Terminal 33 fica ao lado dos terminais 35 e 37, controladospela empresa. No total, são 105 mil metros quadrados deárea já à disposição da operadora portuária. Dopontodevista prático, a empresa possui atualmente três terminais na mesmaregião, mas segregados.
    "Hoje operamos com seis gates (portões de entrada). A carga sai de um terminal e entra em outro, sai de outro e entra em um. Esses procedimentos operacionais, necessários devido à separação física, desaparecem (com a unificação) e nós passamos a ter um terreno mais adequado", detalhou o presidente da Libra Terminais, Gustavo Pecly.
    O executivo afirmou que os momentos de crise não costumam ser impeditivos aos investimentos em infraestrutura, porque este é um setor que exige melhoria contínua."Estaaçãode comprar o T-33 e estruturar um terminal com maior capacidade visa ao futuro. Do jeito que está, na crise em que estamos, de repente ficaria normal permanecermos no tamanho atual".
    O presidente da Libra acredita que a turbulência financeira não terá vida longa. "A crise vai passar, seja em 2009, 2010 ou 2011. Vem o crescimento na sequência e nós não podemos ficar parados esperando a carga chegar para investir".
CAIS LINEAR
    O desejo de unificação dos terminais é antigo, mas pela primeira vez a empresa vai a público defender a construção de um cais linear ligando suas áreas. Se aprovada a junção ¬ que consiste, basicamente, no aterramento de todo o trecho do Canal do Estuário que separa os terminais 35 e 37, na Ponta da Praia ¬, a área controlada pela Libra pularia para cerca de 140 mil metros quadrados, com um cais de 1.700 metros. A via interna, construída em paralelepípedo e atualmente utilizada para o acesso de carretas ao pátio de contêineres, se incorporaria ao projeto. Já a malha ferroviária que corta a mesma via seria deslocada para fora do terminal e passaria a acompanhar a Avenida Mário Covas Júnior (Portuária).
    A concretização do plano depende do aval da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Também precisam consentir a Polícia Federal, que mantém no local a Delegacia de Polícia Marítima de Santos (Depom), e a empresa Fabiana Transportes, que oferece serviços de travessia do Estuário de Santos e está instalada na área.
    Na defesa do projeto, Pecly diz esperar "que autorizem o mais rápido possível". "É a chance que temos de, numa reversão do mercado, apresentarmos um porto menos congestionado e menos traumatizado que vimos em 2008".
(Fonte: A Tribuna/Santos,SP/SAMUEL RODRIGUES)






Libra inicia operação no Terminal 33

    O Terminal 33 do Porto de Santos iniciou, na manhã de ontem, sua primeira operação com cargas sob a administração da Libra Terminais S.A., empresa que, em 30 de julho passado, comprou os direitos contratuais de exploração da área do Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá.
    O cargueiro norte-coreano Zang Za San Chong Nyon Ho atracou no cais da instalação para embarcar 4 mil toneladas de açúcar, em uma operação que, segundo a Libra, deve ser concluída amanhã ou sexta-feira.
    De acordo com o presidente da companhia, Gustavo Pecly, até o final do ano, serão realizados apenas carregamentos de açúcar pelo terminal. As operações com cargas gerais devem começar no ano que vem. Conforme a Libra, nos últimos 30 dias foram recrutados 85 colaboradores para a operação. Sob a administração do Teag, a instalação empregava cerca de 150 funcionários.
    A aquisição do T-33 faz parte do plano da Libra de construir um superterminal para movimentação de contêineres na Margem Direita. Este projeto inclui a junção dos terminais 35 e 37 (vizinhos ao 33), atualmente segregados.
(Fonte: A Tribuna/Santos,SP/SAMUEL RODRIGUES)



Vale e Bunge exportarão etanol pelo Maranhão
    Uma parceria entre Vale e Bunge vai inaugurar uma nova rota para exportação de etanol, pelo porto de Itaqui, em São Luis, no Maranhão. A informação é do gerente de combustíveis da Vale, Ney Fontes Filho. Segundo ele, através da ferrovia Norte-Sul, a Vale irá exportar etanol produzido em Tocantins a partir do segundo semestre de 2010. "Serão 100 milhões de litros no primeiro ano, devendo expandir para 300 milhões de litros até 2012", disse Fontes Filho.
    Esse etanol será produzido por usinas da Bunge que no momento estão sendo construídas em Tocantins. A Bunge tem projeto de construir três usinas na cidade de Pedro Afonso. A primeira deve entrar em operação em 2010 e moer 1,4 milhão de toneladas de cana, com investimentos estimados em US$ 350 milhões.
    Fontes Filho diz também que o embarque será feito no pátio da empresa em Guaraí, no Estado de Tocantins, onde os cliente da Vale terão tanques. "De Guaraí, o etanol será escoado através de 25 vagões de 100 mil litros cada até o porto de Itaqui pela ferrovia Norte-Sul", disse. A Vale não será responsável pelo armazenamento nem embarque do produto em Itaqui. Segundo gerente de combustíveis da empresa, a armazenagem ficará a cargo da Granel Química.
    O trecho da Norte-Sul entre São Luis e Guaraí já está pronto. Um outro trecho, entre Guaraí e Palmas, deve ser entregue até março de 2010 pela Valek, empresa responsável pela construção da ferrovia. A Vale tem a concessão da via.
Segundo Fontes, quando o novo trecho ficar pronto, a produção de outras usinas poderá ser exportada por esta rota. "Estimamos que por volta de 2014 estaremos exportando entre 800 milhões a 1 bilhão de litros por Itaqui", disse.
    Fontes afirma que a rota torna-se competitiva à medida que os custos de frete caem de forma expressiva, principalmente os marítimos. "Itaqui é muito mais próximo da Europa do que os portos de Santos e Paranaguá e também tem acesso aos mercados do Caribe e mesmo do Pacífico, mais facilmente via Canal do Panamá", disse.
    Além disso, o executivo explica que a Vale também poderá levar o etanol de Tocantins até São Luis e de lá, por uma conexão com a ferrovia Transnordestina, levar este etanol para abastecer o Nordeste. Atualmente, a Vale não tem nenhuma operação de logística para exportar etanol. "Embora estejamos aparelhados para exportar via porto de Santos e de Vitória, temos nos concentrado no mercado interno", disse Fontes Filho. A Vale deve transportar 350 milhões de litros de etanol em 2009, um volume 118% superior ao registrado em igual período do ano anterior.
(Fonte: Jornal do Commercio/RJ/Eduardo Magossi/Da Agência estado)


Petrobras prevê dez novas plataformas para o pré-sal até 2016
    Para agilizar os trabalhos de produção da maior província petrolífera já descoberta no país, a Petrobras está contratando dez novas unidades de plataformas flutuantes que produzem, estocam e escoam petróleo para as áreas do pré-sal na Bacia de Santos.
    Segundo a estatal, as duas primeiras plataformas serão fretadas, terão alto índice de conteúdo nacional e serão destinadas aos projetos-piloto de desenvolvimento. ?A capacidade de produção diária de cada unidade será de 100 mil barris de petróleo e 5 milhões de metros cúbicos de gás natural, e elas serão instaladas em 2013 e 2014, em locações ainda por definir, na área do pré-sal?, informou a empresa. As outras oito unidades de produção serão de propriedade da Petrobras e terão capacidade de produção diária de 120 mil barris de petróleo e 5 milhões de metros cúbicos de gás natural e serão instaladas entre 2015 e 2016.
    As plataformas, segundo a Petrobras, serão fabricadas em série, começando com a construção dos cascos no dique-seco do Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul, já alugado pela estatal pelo período de dez anos. ?Os módulos de produção a serem instalados sobre os cascos serão definidos futuramente, após a implantação dos projetos-piloto e do teste de longa duração?, explicou a companhia.
    As dez plataformas vão operar em águas ultraprofundas, entre 2.400 e 3.000 metros, e se destinam ao início da implantação do sistema de produção definitivo na área do pré-sal da Bacia de Santos. Para o segundo semestre de 2010, está prevista a instalação do segundo projeto na Bacia de Santos, que será um piloto de produção para 100 mil barris por dia, também na área de Tupi. Para esse projeto, já foi contratado o frete de um navio-plataforma, também do tipo que produz, estoca e escoa o petróleo.
    O navio será convertido no Estaleiro Cosco, na China, e levará o nome de FPSO Cidade de Angra dos Reis. A embarcação será convertida a partir do navio-tanque de grande porte denominado M/V Sunrise 4, e terá capacidade para produzir 100 mil barris/dia de óleo e 35 milhões de metros cúbicos diários de gás natural. A unidade está programada para chegar ao Brasil no quarto trimestre de 2010 e será instalada em lâmina d´água de 2.150 metros. A meta da Petrobras é iniciar o teste piloto em dezembro de 2010.
    A produção de petróleo será escoada por navios e o gás natural por um gasoduto de 250 quilômetros de extensão até a plataforma de Mexilhão, que está em construção e será instalada em 2009 na Bacia de Santos.
(Fonte: Jornal Agora/Rio Grande,RS)



Antaq quer ampliar uso de transporte aquaviário
    A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) defende uma melhor distribuição da matriz de transportes no País. Para o órgão, há necessidade de que a participação aquaviária seja ampliada de 7% para 29%.
    A proposta foi manifestada pelo diretor-geral da Antaq, Fernando Fialho, durante sua participação no Santos Export 2009 - Fórum Nacional para Expansão do Porto de Santos, realizado na semana passada, na Cidade. O seminário foi uma iniciativa do Sistema A Tribuna de Comunicação.
    Segundo Fialho, a meta terá de ser atingida até 2024, conforme detalhado no Plano Nacional de Logística de Transportes (PNLT).
    A mudança noperfil do transporte, essencialmente rodoviarista, depende de incentivos à cabotagem e à migração das cargas para as hidrovias, explicou o diretor-geral. "Quando a carga é transferida para o modal aquaviário, o custo da logística fica menor. Então, deixa mais dinheiro no campo, ficando na mão de quem produz", comentou.
Fernando Fialho ainda avaliou que a mudança na matriz de transportes também é benéfica do ponto de vista ambiental. "A redução de CO2 tem que ser uma oportunidade para os nossos portos e nosso sistema logístico. A Antaq se propõe a instigar os setores a essas soluções".
     Entraves
    A manifestação de Fialho ecoou nas palavras do presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, que também participou do Santos Export. Ele defendeu uma redução nos custos portuários para impulsionar o modal aquaviário.
Segundo Manteli, uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que, entre 900 empresas, 41,5% apontaram os preços portuários e aeroportuários como entraves às exportações. E 49,1% atribuíram alguma responsabilidade às autoridades por dificuldades nas operações. "Burocracia significa tempo improdutivo. E tempo improdutivo significa mais custos".
    Para o executivo, se o País reduzir 10% dos custos logísticos poderá aumentar em torno de 20% as suas exportações.
(Fonte: A Tribuna/Santos,SP/DIOGO CAIXOTE)



Adece planeja projeto que assegure estaleiro Ceará
    O considerado "Havaí" de Fortaleza para os praticantes de surfe da cidade poderá mudar de endereço. A ideia é apenas uma proposta, e será apresentada aos moradores das proximidades do Titanzinho, praia por trás do Mucuripe, na próxima sexta-feira pelo Governo do Estado. Surfistas e representantes comunitários se reunirão às 11 horas na sede da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece) para analisar como é possível a construção de um projeto que permita a implantação do Estaleiro Ceará na localidade e ainda manter uma área com vocação para o surfe em região próxima.
    O Estado já possui concluso um protocolo de intenções a ser assinado com a empresa Estaleiro Ceará com o objetivo de garantir a infraestrutura necessária para a viabilização da nova indústria naval na enseada no Mucuripe. Entretanto, como a construção no estaleiro poderá inviabilizar a prática esportiva nos mares do Titanzinho, a alternativa de criar um novo polo de surfe está sendo pensada.
    "O Titanzinho é um local artificial, cuja vocação foi possível com a construção do paredão na área. Desta forma, temos condições de fazer um outro quebra-mar em área assemelhada nas proximidades, e poder, inclusive, gerar ondas grandes, ao invés de médias. Assim, nós podemos gerar emprego com o estaleiro e ainda preservar a vocação para o surfe naquela região", garante o presidente da Adece, Antônio Balhmann.
    Ainda não existe um estudo técnico mostrando como poderá ser o projeto, mas Balhmann afirma ser uma medida viável. Além da construção de um novo quebra-mar, o governo se responsabilizaria pela implantação de uma "estrutura moderna para treinamento de surfe".
    "Na área do Titanzinho, seria criado um complexo de formação de mão-de-obra especializada para trabalhar no estaleiro, nos moldes do que ocorre em Pernambuco, com o Estaleiro Atlântico Sul. Isso seria para garantir que mais gente daquela área possa ser empregada no estaleiro", diz Balhmann. As medidas a serem tomadas não estão, contudo, fechadas. "Nós vamos começar a discutir agora.
    O Estaleiro Ceará é uma empresa virtual que concorre para a construção de 8 navios gaseiros para a Transpetro, através do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). Até o fim do ano, sairá o resultado da licitação, que possui outros 18 concorrentes. O estaleiro só será construído no Ceará, na enseada do Mucuripe, caso saia vencedor no processo.
    Para que possa ser construído, seriam investidos R$ 220 milhões, sendo R$ 60 milhões de responsabilidade do Governo do Estado que seria um dos sócios da empresa , a serem destinados a ações de infraestrutura do local. A indústria tem potencial para gerar 1.500 empregos diretos e outros 6 mil indiretos.
(Fonte: Diário do Nordeste/CE/SÉRGIO DE SOUSA)



Brasil desenvolve hidrelétrica-plataforma
    O Brasil está desenvolvendo um projeto pioneiro de hidrelétricas construídas como se fossem plataformas marítimas de exploração de petróleo, informou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, o esboço do projeto já chegou a ser apresentado "até em Nova York". O projeto descrito por Lula fica no Complexo do Rio Tapajós, no Pará, e está em estudo pela Eletrobrás.
    "Esse é um projeto que eu penso que será uma revolução na construção e produção de energia no mundo. Esse modelo me foi apresentado pelo ministro Lobão (de Minas e Energia). Tivemos a oportunidade de, num debate em Nova York, apresentar o primeiro esboço desse projeto e achamos que ele vai revolucionar toda a construção de hidrelétricas em qualquer pais do mundo", afirmou Lula.
    De acordo com o presidente, o projeto vai se chamar hidrelétrica-plataforma e não deve gerar impactos significativos para o meio ambiente. "Vai fazer o desmatamento apenas para construir e depois será tudo reflorestado para não ter ocupação. Eu penso que essa será uma novidade que a gente vai discutir quando estiver discutindo a questão climática", acrescentou o presidente.
    As chamadas hidrelétricas-plataforma, mencionadas pelo presidente, são a grande aposta do governo para vencer as resistências da área ambiental à construção de usinas nos rios amazônicos. Trata-se de um conceito ambicioso que envolve a remoção, depois que a usina estiver pronta, das estradas que foram construídas para dar acesso ao canteiro de obras. Assim, com o reflorestamento de toda a região ao redor da barragem, a usina passaria a ficar isolada e os poucos funcionários que vão trabalhar na operação da hidrelétrica chegarão para cumprir seus turnos de helicóptero, assim como acontece com as plataformas marítimas de petróleo.
    A ideia foi elaborada pelo secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, técnico de confiança da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ao deixar a hidrelétrica isolada e dentro de uma área de preservação, a área energética espera facilitar a obtenção de licenças ambientais para que o imenso potencial hidrelétrico da região Norte possa ser explorado. As primeiras usinas que deverão seguir esse novo conceito são as do Complexo de Tapajós.
(Fonte: Jornal do Commercio/RJ/Alberto Komatsu e Leonardo Goy Da Agência Estado)



Docas encomendará estudo sobre ligação entre as margens do cais
    A Codesp planeja iniciar nas próximas semanas uma licitação para a contratação dos estudos de viabilidade do projeto de ligação seca entre as regiões do Saboó e da Ilha Barnabé, no fundo do Canal do Estuário, unindo as duas margens do Porto de Santos. As análises terão de avaliar a melhor opção para a região: um túnel submerso ou uma ponte.
    O primeiro passo para a abertura da licitação deve ser dado na próxima sexta-feira, com a aprovação da concorrência pública na reunião da diretoria colegiada da estatal.
Serra destacou que as análises terão de indicar qual a opção de engenharia que oferece o melhor custo-benefício ao Porto de Santos. Ele garantiu que serão avaliados os potenciais e os custos tanto de uma ponte como de um túnel.
    "Depois de ter os estudos de viabilidade aprovados pela diretoria, vamos trabalhar na questão técnica dos projetos. Inúmeros fatores terão de ser levados em consideração, desde a engenharia e a parte ambiental, até o impacto nas operações da Base Aérea (localizada às margens do Canal do Estuário e onde funcionará o Aeroporto Metropolitano) para não afetar o espaço aéreo de aterrissagem e decolagem de aeronaves", disse Serra.
NEGOCIAÇÃO
    A construção de uma ligação seca no fundo do Canal do Estuário interessa ao grupo Ecorodovias, que controla a Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes.
O presidente da Codesp explicou que os estudos poderão ser compartilhados com a holding e, também, com o Governo do Estado. Este último vislumbra a implantação de uma ponte estaiada na entrada do estuário, unindo os bairros Santa Rosa, em Guarujá, e Ponta da Praia, em Santos.
    A Ecorodovias anunciou o desejo de elaborar um levantamentos e até construir o empreendimento na última edição do Santos Export 2009 ¬ Fórum Nacional para a Expansão do Porto de Santos, seminário realizado na última semana, na Cidade. Uma das possibilidades levantadas pelo presidente da Ecorodovias, Marcelino Rafart de Seras, é a inserção da obra no contrato do SAI ou a abertura de uma concessão específica.
    O projeto idealizado pelo Estado é polêmico. Primeiro porque a altura prevista originalmente, de 70 metros, poderá limitar a expansão do cais santista, quando o ideal seria a partir de 80 metros, conforme a Codesp. Em segundo lugar, porque a Secretaria Estadual de Transportes sequer discutiu o assunto com as autoridades do setor portuário.
    Até agora não houve um contato formal entre a Codesp e a Ecorodovias, disse Serra. Mas ele contou que as discussões poderão ocorrer durante a execução dos estudos. "Primeiro, temos que estar com o nosso dever de casa feito, para depois começar a discutir a construção", concluiu.(Fonte: A Tribuna/Santos,SP/DIOGO CAIXOTE)



Libra negocia implantação de megaterminal de contêineres
    A Libra Terminais S.A. negocia com as autoridades do setor portuário a unificação de suas áreas para construção de um megaterminal especializado na movimentação de contêineres no Porto de Santos ¬ o projeto Libra-Santos. Essa nova configuração permitirá à empresa duplicar sua capacidade operacional, podendo escoar 2,1 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) por ano. O desafio da Libra, no momento, é convencer os intervenientes do processo de concessão de que o empreendimento é bom para o Porto e para o País.
    Uma vez concluídas as negociações para a junção de seus terminais, a firma estima concluir as obras em até 18 meses.
    O primeiro passo foi dado no último dia 30 de julho, com a compra do Terminal 33, anteriormente administrado pelo Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá (Teag).     Uma área de 33mil metrosquadrados, 220 metros de cais e dois armazéns dedicados a carga geral com 9 mil metros quadradoscadapassaram aser controlados pela Libra, que pagou R$ 65,37 milhões na negociação. O valor não é confirmado pela empresa, mas consta no ato de concentração aprovado peloMinistério da Fazenda, documento de domínio público.
    A negociação envolveu a compra não só da superestrutura, mas também dos direitos do contrato de arrendamento assinado em 2000, com vigência de 20 anos. O documento permite a movimentação de carga geral ¬ seu objetivo inicial, uma vez que a especialização em açúcar ensacado ocorreu ao longo dos anos, por influência de uma demanda de mercado atendida pelo Teag. A Libra planeja operar também cargas de projeto ¬ como grandes motores, transformadores e materiais para a atividade offshore.
A área do Terminal 33 fica ao lado dos terminais 35 e 37, controladospela empresa. No total, são 105 mil metros quadrados deárea já à disposição da operadora portuária. Dopontodevista prático, a empresa possui atualmente três terminais na mesmaregião, mas segregados.
    "Hoje operamos com seis gates (portões de entrada). A carga sai de um terminal e entra em outro, sai de outro e entra em um. Esses procedimentos operacionais, necessários devido à separação física, desaparecem (com a unificação) e nós passamos a ter um terreno mais adequado", detalhou o presidente da Libra Terminais, Gustavo Pecly.
    O executivo afirmou que os momentos de crise não costumam ser impeditivos aos investimentos em infraestrutura, porque este é um setor que exige melhoria contínua."Estaaçãode comprar o T-33 e estruturar um terminal com maior capacidade visa ao futuro. Do jeito que está, na crise em que estamos, de repente ficaria normal permanecermos no tamanho atual".
    O presidente da Libra acredita que a turbulência financeira não terá vida longa. "A crise vai passar, seja em 2009, 2010 ou 2011. Vem o crescimento na sequência e nós não podemos ficar parados esperando a carga chegar para investir".
CAIS LINEAR
    O desejo de unificação dos terminais é antigo, mas pela primeira vez a empresa vai a público defender a construção de um cais linear ligando suas áreas. Se aprovada a junção ¬ que consiste, basicamente, no aterramento de todo o trecho do Canal do Estuário que separa os terminais 35 e 37, na Ponta da Praia ¬, a área controlada pela Libra pularia para cerca de 140 mil metros quadrados, com um cais de 1.700 metros. A via interna, construída em paralelepípedo e atualmente utilizada para o acesso de carretas ao pátio de contêineres, se incorporaria ao projeto. Já a malha ferroviária que corta a mesma via seria deslocada para fora do terminal e passaria a acompanhar a Avenida Mário Covas Júnior (Portuária).
    A concretização do plano depende do aval da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Também precisam consentir a Polícia Federal, que mantém no local a Delegacia de Polícia Marítima de Santos (Depom), e a empresa Fabiana Transportes, que oferece serviços de travessia do Estuário de Santos e está instalada na área.
    Na defesa do projeto, Pecly diz esperar "que autorizem o mais rápido possível". "É a chance que temos de, numa reversão do mercado, apresentarmos um porto menos congestionado e menos traumatizado que vimos em 2008".
 (Fonte: A Tribuna/Santos,SP/SAMUEL RODRIGUES)

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