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Setor de navegação é duramente atingido pela crise financeira global

Thomas Schulz

           O setor de navegação é  mais beneficiado do que qualquer outro pela globalização. Mas isto também o  tornou mais vulnerável à crise econômica global. As taxas de afretamento despencaram, as companhias de navegação estão demitindo e muitos navios  permanecem atracados por meses a fio.

A ansiedade teve início no  verão, quando as longas filas desapareceram: filas de caminhões, com quilômetros de extensão, que aguardavam para entrar nos terminais de  contêineres na região de Los Angeles, um dos gargalos mais críticos da  globalização nos últimos anos, ou longas filas de navios porta-contêineres  que disputavam espaço na barra do porto de Hong Kong, aguardando muitas vezes  vários dias para atracar.

 Mas agora o que se acumula são as  mercadorias que costumavam ser freneticamente procuradas, e os produtos  eletrônicos e têxteis empilham-se em fábricas chinesas, já que o consumo  caiu, primeiro entre os norte-americanos e agora entre os europeus. Minério  de ferro e outros minerais acumulam-se nas minas sul-americanas, porque os  chineses não precisam mais tanto de recursos naturais para a fabricação de  produtos.

 Atualmente muitos navios navegam carregados pela metade.  Isso quando chegam a deixar o porto. As companhias de navegação estão tirando  cada vez mais navios de circulação, devido à falta de demanda, e ancorando-os  por tempo indefinido. Os especialistas calculam que um quarto de todos os  navios usados para transportar matérias-primas pelo Oceano Pacífico  encontra-se parado.

 Até recentemente a navegação era  indubitavelmente uma próspera indústria da globalização, o pulso acelerado  desse processo, injetando cada vez mais mercadorias no mundo em um ritmo cada vez mais acelerado. Mas a crise financeira fez com que essa atividade  sofresse uma paralisação inesperada. Embora a pulsação do setor continue  existindo, não se trata mais do pulso rápido e poderoso de um corredor. Ao  contrário, lembra mais o pulso de um paciente em coma.

           Durante  meses, os preços vêm caindo no setor. Na primavera deste ano, grandes  companhias de navegação comercial como a Maersk e a Hapag-Lloyd ainda estavam  cobrando cerca de US$ 2.000 (€ 1.600) para transportar um contêiner da Ásia  para a Europa. Atualmente, algumas companhias ganham apenas US$ 500 (€ 400)  pelo mesmo serviço. Na primavera, o preço diário do afretamento de um navio  contendo 2.500 contêineres standard (TEU) era US$ 30 mil (€ 24 mil). Hoje  esse valor caiu para menos de US$ 12 mil (€ 9.600). Em junho, a taxa diária de afretamento para o transporte de commodities na classe Panamax era de US$  64 mil (€ 52 mil). Atualmente paga-se diariamente por esse serviço menos de  US$ 11 mil (€ 8.800).

             Executivos de companhias de navegação e  proprietários de navios, procurando reduzir os temores, argumentam que nessa  indústria são comuns as fases de booms substanciais seguidas de quedas  acentuadas. No entanto, nos bastidores ala-se a respeito de uma "tempestade perfeita", o que significa que tudo que podia dar errado, acabou de fato  dando, culminando no pior desastre possível. "As condições negativas que  estamos presenciando no mercado não têm precedentes na história do setor",  afirma Ron Widdows, diretor-executivo da companhia de navegação NOL. Bertram  Rickmers, um armador alemão, conclui: "A festa  acabou".
Hora de mudar o SOLAS sobre gás inerte.
Tom Mascot (*) – Tradução livre

O gás inerte é feito quando os gases de exaustão do motor do navio passam através de um pulverizador (scrubber) para criar uma mistura não explosiva à base de gás nitrogênio que é soprado para o interior dos tanques de carga dos petroleiros para reduzir o risco de explosão. De acordo com a Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS), isto é obrigatório para navios a partir de 20.000 Tpb.
     A Sun Oil começou a usar o gás inerte como resultado de uma explosão na casa de bombas do SS Bidwell que matou 17 homens em 1932. Investigando a explosão e o incêndio resultante dela, a Sun Oil concluiu que seus efeitos teriam sido minimizados se os tanques estivessem inertizados. Esse fato provavelmente salvou 32 dos 33 homens desse mesmo navio quando ele foi torpedeado, em 1942, ao largo do Cabo Look Out.
Desde 1985 todos os navios-tanque inertizam seus tanques de carga. Como a demanda de petróleo gira em torno de 80 milhões de barris por dia, e considerando que dois terços desse petróleo é transportado por navios, isso significa que mais de 12 milhões de metros cúbicos de gás inerte estão sendo ventilados diretamente para a atmosfera em nome da segurança.
Com certeza um tanque inertizado é mais seguro que um tanque não inertizado, mas a que preço nós estamos fazendo isso?
Com as mudanças nas tecnologias e na concepção dos navios, a inertização ainda seria necessária para garantir a mesma margem de segurança? Talvez esteja sendo preciso voltar a examinar os fatos.
Em 1979 os navios de casco duplo não foram sequer considerados. Petróleo e água de lastro eram carregados nos mesmos tanques e bombeados para dentro e para fora pelas mesmas linhas. Algum gênio descobriu que a lavagem de tanques com o próprio petróleo (Crude Oil Washing) era melhor idéia do que a segregação de lastro, porque permitiria uma receita adicional na capacidade cúbica do navio ao invés de utilizá-la sem gerar frete.
Mas o COW exige a inertização dos tanques. Mais ou menos ao mesmo tempo o tamanho dos navios foi crescendo exponencialmente.
Em 1955 um supertanque tinha 40000 Tpb e estava entre os navios de maior dimensão do mundo. Vinte anos mais tarde passaram a ser construídos petroleiros muito maiores, e quando eles eram baldeados pelo método convencional, eles também tinham o costume de ventilar os tanques. O gás inerte parecia ser a resposta lógica. Quem poderia argumentar que um navio com GI não era mais seguro?
Que navio explodiu carregando, transportando ou descarregando petróleo? Todos os navios que explodiram foram fora destas três condições. Afinal de contas estamos cercados de combustível, desde os ônibus escolares às ambulâncias, sem gás inerte.
Então por que inertizar apenas por inertizar? A razão é porque o regulamento SOLAS 62 obriga. Gostaria de sugerir que é tempo de mudar a regra 62. Petroleiros não necessitam andar inertizados o tempo todo. Quando fazendo COW ou baldeando com água faz sentido, mas por que transportando petróleo?
A cada dia há mais carros com energia suficiente em seus tanques de combustível capazes de explodir e fazer um pequeno buraco no chão e eles não explodem. Afirmo mais uma vez: talvez seja a hora para repensar a regra 62, pelo menos na forma como ela se aplica apenas aos navios tanque que transportam carga. Até 1980, quando entrei na Sun Oil, devo ter descarregado 1000 tanques sem o uso de gás inerte e sem acidentes.
Na Sun Oil nós inertizamos por uma questão de hábito. Mas, a necessidade do GI, vale por si só o seu custo? Qual é o dano causado pelo bombeamento de 12 milhões de metros cúbicos diários para a atmosfera? E o que dizer dos efluentes dos pulverizadores (scrubbers) bombeados para o mar? Por que estamos utilizando uma tecnologia ultrapassada que traz custos à indústria e prejuízos ao meio ambiente? 
Minha última pergunta é: que problemas vamos criar por não inertizarmos como rotina de viagem os tanques de carga? O único problema é a necessidade do GI para o COW. Mas isso é uma outra questão.

(*) Tom Mascot é o pseudônimo de um gerente de operações de uma grande empresa petroleira com mais de 30 anos de experiência na indústria.
Fonte: Lloyd’s List

(
>>> Radar de Longo-Curso)
Rio, 09/12/2008
INGLATERRA

Capitães devem recusar-se a navegar em zonas de pirataria.

(Carta de um Comte. inglês à revista Lloyd’s List - Tradução livre)

Senhor, lemos na Lloyd's List (6 de novembro), que um petroleiro, pela segunda vez em um dia, esteve sob ataque de três barcos com quatro homens em cada um utilizando "pequenas armas capazes de sustentar uma barragem de fogo”.
Para dissuadi-los, uma aeronave da coalizão lançou bombas de efeito moral, insuficientes para o grau de ataque e, a seguir, presumivelmente decolou para procurar outra vítima indefesa.
A reportagem adverte que “não é sensato supor que a CTF150 (Força-Tarefa Combinada) será capaz de prestar assistência a um navio que possa ser ameaçado ou agredido” e que “continua a ser responsabilidade dos Comandantes tornar seus navios menos vulneráveis ao ataque”. 
Nesta página também se lê: “A responsabilidade fundamental do Comandante é a segurança do seu navio e da sua tripulação” não obstante “ter de cumprir as instruções de terra que muitas vezes ignoram os problemas que enfrentam face às implicações de segurança”.
Será que alguém realmente acredita que o Comandante do navio no desempenho de sua função em uma área de risco conhecida, deliberadamente expondo sua tripulação a risco de morte ou lesão e seu navio e carga a risco de danos e perdas - quando existe uma alternativa - está agindo no melhor interesse de alguém que contestaria que o Comandante tenha abdicado de sua “fundamental responsabilidade?”.
Além disso, no caso de um acidente a bordo, se o Comandante não seguir as instruções, ele será acusado de negligência criminosa e não os indivíduos de terra que o orientam a transitar em áreas de alto risco, sem garantir as salvaguardas adequadas, apesar de estarem conscientes do perigo.
Esta é a hora dos Comandantes chamarem para si próprios o exercício de suas “fundamentais responsabilidades” e se recusarem terminantemente a navegar em áreas de extremo perigo até que sejam dadas garantias positivas de proteção, tornando-os “menos vulneráveis aos ataques”.
A Svitzer Marine e os outros operadores que estão preparados para retornar à rota em torno do Cabo Good Hope têm demonstrado que uma alternativa segura está disponível a preço acessível, e eles merecem ser elogiados por sua resposta humanitária a uma mortal e rápida escalada do problema, improvável de ser resolvida com o uso de bombas de efeito moral.
Captain C. R. (Rtd).

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