INGLATERRA
Capitães
devem recusar-se a navegar em zonas de pirataria.
(Carta de um Comte. inglês à revista Lloyd’s List -
Tradução livre)
Senhor, lemos na Lloyd's List (6 de novembro), que um petroleiro, pela
segunda vez em um dia, esteve sob ataque de três barcos com quatro
homens em cada um utilizando "pequenas armas capazes de sustentar uma
barragem de fogo”.
Para dissuadi-los, uma aeronave da coalizão lançou bombas
de efeito moral, insuficientes para o grau de ataque e, a seguir,
presumivelmente decolou para procurar outra vítima indefesa.
A reportagem adverte que “não é sensato supor que a
CTF150 (Força-Tarefa Combinada) será capaz de prestar
assistência a um navio que possa ser ameaçado ou agredido”
e que “continua a ser responsabilidade dos Comandantes tornar seus
navios menos vulneráveis ao ataque”.
Nesta página também se lê: “A responsabilidade
fundamental do Comandante é a segurança do seu navio e da
sua tripulação” não obstante “ter de cumprir as
instruções de terra que muitas vezes ignoram os problemas
que enfrentam face às implicações de
segurança”.
Será que alguém realmente acredita que o Comandante do
navio no desempenho de sua função em uma área de
risco conhecida, deliberadamente expondo sua tripulação a
risco de morte ou lesão e seu navio e carga a risco de danos e
perdas - quando existe uma alternativa - está agindo no melhor
interesse de alguém que contestaria que o Comandante tenha
abdicado de sua “fundamental responsabilidade?”.
Além disso, no caso de um acidente a bordo, se o Comandante
não seguir as instruções, ele será acusado
de negligência criminosa e não os indivíduos de
terra que o orientam a transitar em áreas de alto risco, sem
garantir as salvaguardas adequadas, apesar de estarem conscientes do
perigo.
Esta é a hora dos Comandantes chamarem para si próprios o
exercício de suas “fundamentais responsabilidades” e se recusarem
terminantemente a navegar em áreas de extremo perigo até
que sejam dadas garantias positivas de proteção,
tornando-os “menos vulneráveis aos ataques”.
A Svitzer Marine e os outros operadores que estão preparados
para retornar à rota em torno do Cabo Good Hope têm
demonstrado que uma alternativa segura está disponível a
preço acessível, e eles merecem ser elogiados por sua
resposta humanitária a uma mortal e rápida escalada do
problema, improvável de ser resolvida com o uso de bombas de
efeito moral.
Captain C. R. (Rtd).