Não Há Navios Sem Marinheiros



 Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 108  

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Pirataria: O que fazer?

Comte. Luiz Augusto C. VENTURA – CLC

venturalac@yahoo.com.br

       O seqüestro do M/V “Sirius Star” na costa do Quênia por piratas somalis, a cerca de 400 milhas do litoral, impressiona pela ousadia, pois se trata de atacar um VLCC (Very Large Crude Carrier) com 318.000 Tpb, comprimento de 332 metros, carregado com quase 2 milhões de barris de petróleo, carga com valor estimado em Us$ 100 milhões, a uma distância da costa que ele mesmo levaria 27 horas para percorrer. Como conseqüência, dentre outras, prevê-se que essa ousadia deve elevar os custos de seguros e de segurança no transporte marítimo.

        Esses ataques podem levar as seguradoras a exigir seguro especial a exemplo do que foi feito na Guerra do Golfo. A partir de maio as seguradoras já declararam o Golfo de Aden “zona de risco de guerra” e as transportadoras que usam essa rota de três dias passaram a pagar um prêmio de milhares de dólares por dia, conceito que pode agora ser ampliado Se os ataques não forem contidos nessa rota de três dias pelo Golfo de Aden, as seguradoras devem aumentar os preços. Cogita-se inclusive declarar a rota do Cabo Good Hope como uma rota de risco de guerra.

      Algumas companhias de navegação estão treinando seus Capitães e tripulações para evitar a pirataria, ao mesmo tempo em que alguns governos especulam em armar seus navios.

         Evitar a pirataria não significa enfrentar a pirataria e sim adotar rotas que minimizem o perigo. Armar os navios seria enfrentar a pirataria. Não se sabe como seria armar um petroleiro e treinar sua tripulação para trocar tiros com meia dúzia de lanchas com tripulantes bem armados e dispostos a tudo. Armar a tripulação seria colocar o navio em situação ainda mais perigosa Seria uma temeridade. Outras atitudes defensivas em áreas de risco podem e devem ser tomadas como desligar o AIS, manter vigilância constante e reforçada e controlar a iluminação noturna de modo a chamar a atenção o menos possível.

         A repressão à pirataria deveria ser feita efetivamente por uma força internacional. Na Guerra do Golfo vários países se mobilizaram e mandaram navios de guerra para o Golfo Pérsico e Golfo de Suez. Para enfrentar meia dúzia de piratas famintos de um país sem governo, não deveria ser preciso tanto.

          Armadores como a Transpetro, Odjfell SE e AP Moller já estudam ou adotam rotas alternativas que, mesmo prolongando a viagem e consumindo mais combustível, proporcionem mais segurança a seus navios e tripulações.

(Rio, 09/12/2008)
INGLATERRA

Capitães devem recusar-se a navegar em zonas de pirataria.

(Carta de um Comte. inglês à revista Lloyd’s List - Tradução livre)

Senhor, lemos na Lloyd's List (6 de novembro), que um petroleiro, pela segunda vez em um dia, esteve sob ataque de três barcos com quatro homens em cada um utilizando "pequenas armas capazes de sustentar uma barragem de fogo”.
Para dissuadi-los, uma aeronave da coalizão lançou bombas de efeito moral, insuficientes para o grau de ataque e, a seguir, presumivelmente decolou para procurar outra vítima indefesa.
A reportagem adverte que “não é sensato supor que a CTF150 (Força-Tarefa Combinada) será capaz de prestar assistência a um navio que possa ser ameaçado ou agredido” e que “continua a ser responsabilidade dos Comandantes tornar seus navios menos vulneráveis ao ataque”. 
Nesta página também se lê: “A responsabilidade fundamental do Comandante é a segurança do seu navio e da sua tripulação” não obstante “ter de cumprir as instruções de terra que muitas vezes ignoram os problemas que enfrentam face às implicações de segurança”.
Será que alguém realmente acredita que o Comandante do navio no desempenho de sua função em uma área de risco conhecida, deliberadamente expondo sua tripulação a risco de morte ou lesão e seu navio e carga a risco de danos e perdas - quando existe uma alternativa - está agindo no melhor interesse de alguém que contestaria que o Comandante tenha abdicado de sua “fundamental responsabilidade?”.
Além disso, no caso de um acidente a bordo, se o Comandante não seguir as instruções, ele será acusado de negligência criminosa e não os indivíduos de terra que o orientam a transitar em áreas de alto risco, sem garantir as salvaguardas adequadas, apesar de estarem conscientes do perigo.
Esta é a hora dos Comandantes chamarem para si próprios o exercício de suas “fundamentais responsabilidades” e se recusarem terminantemente a navegar em áreas de extremo perigo até que sejam dadas garantias positivas de proteção, tornando-os “menos vulneráveis aos ataques”.
A Svitzer Marine e os outros operadores que estão preparados para retornar à rota em torno do Cabo Good Hope têm demonstrado que uma alternativa segura está disponível a preço acessível, e eles merecem ser elogiados por sua resposta humanitária a uma mortal e rápida escalada do problema, improvável de ser resolvida com o uso de bombas de efeito moral.
Captain C. R. (Rtd).

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