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Palavras do Presidente do Centro dos Capitães
Pronunciamento do CLC Álvaro José de Almeida Junior, no almoço em homenagem ao Almirante-de-Esquadra João Afonso Prado Maia de Faria, Comandante de Operações Navais e Diretor Geral de Navegação, realizado no Hotel Guanabara

      Napoleão Bonaparte ao chegar ao Egito com o seu Exército, dirigindo-se aos seus soldados, disse-lhes: “do alto destas pirâmides 40 séculos vos contemplam”.

          Parodiando o Imperador francês diríamos que as três últimas gerações de marinheiros da família Prado Maia de Faria, soma quase um século e meio de bons serviços dedicados à Marinha do Brasil e ao país.

         O nosso homenageado de hoje, Almirante-de-Esquadra João Afonso Prado Maia de Faria é neto e filho de dois destacados chefes navais: seu avô materno, Vice-Almirante João do Prado Maia e seu pai Almirante-de-Esquadra Newton Braga de Faria.

          O DNA das três gerações de marinheiros aqui citados contém água salgada das grandes travessias.

         O patriotismo e o amor pelo mar, de uma família que abraça este ideal, só podem ser mensurados pelo comprometimento com os valores e o futuro de sua pátria. Só os idealistas inscrevem seus nomes nas páginas da história do país.

          O Almirante Prado Maia cedo iniciou a sua travessia profissional. 

          As suas singraduras sempre foram traçadas com as réguas paralelas da ética, da dignidade e do bom senso.

          Na Marinha do Brasil ocupou as mais importantes funções, no Brasil e no exterior, entre as quais se destacam: Comandante do 2º Distrito Naval, Diretor do pessoal militar da Marinha, Comandante-em-chefe da Esquadra, chefe do Estado Maior do Ministério da Defesa e Secretário Geral da Marinha, entre outras.

          Antes de atingir o almirantado realizou o sonho de todo oficial superior da Armada: comandou várias unidades da Esquadra.

       Em 2008, ainda jovem para um oficial general de quatro estrelas, foi promovido a Almirante-de-Esquadra, último posto da hierarquia naval.

          Hoje ocupa as importantes funções de Comandante de Operações Navais e Diretor Geral de Navegação, o que significa dizer que tem sob seu comando todos os Distritos Navais, a Esquadra, a DPC e a DHN. Isto é, exerce o mais importante comando operativo na estrutura da Marinha do Brasil.

        Em breve o nosso homenageado assumirá, em Brasília, as funções de Chefe de Estado Maior da Armada o que lhe conferirá o mais elevado cargo na hierarquia naval, apenas superado pelas funções de Comandante da Marinha. 

        Almirante Prado Maia, uma parcela considerável do Poder Marítimo brasileiro está aqui representada, tanto pelo segmento civil, quanto pela significativa presença de representantes do Poder Militar.

          Desejamos que os nossos legisladores e autoridades do Poder Executivo compreendam que um país que se situa entre as 10 maiores economias do mundo, necessita respaldar essa posição com um Poder Marítimo à altura de seu desenvolvimento.

      Precisamos de uma Marinha Mercante forte e competitiva, para transportar a nossa extensa pauta de exportações e importações e dar maior visibilidade à nossa bandeira no exterior, e de um Poder Naval capaz de defender a Marinha Mercante e o nosso litoral no qual se inserem a Amazônia Azul e uma extensa bacia petrolífera.

        Hoje, como no passado, prevalecem as palavras do Almirante norte americano Alfred Mahan: “Grande é a nação que é grande no mar”.

       Almirante Prado Maia, o Centro dos Capitães, representado por seus membros, e todos os homens e mulheres do mar da Marinha Mercante, bem como importantes representantes da comunidade marítima que participam deste almoço, desejam-lhe continuado sucesso nas próximas missões que o aguardam.

         Esperamos que esse sucesso ocorra numa singradura de esperança que aquece a vida e norteia o rumo.

         Sabemos Almirante que a sua tarefa é árdua, mas temos observado a sua tática marinheira de administrar conflitos seguindo as palavras de Dom Helder Câmara: “quando os problemas se tornam absurdos, os desafios se tornam apaixonantes”.

          Nesta oportunidade referenciamos o profissional e o ser humano, ambos admiráveis.

          Muito obrigado!

Rio de Janeiro - em 31.10.2011

PRONUNCIAMENTO do
CLC Alvaro José de Almeida Junior, presidente do CCMM,
no almoço em homenagem à Transpetro no Hotel Guanabara em 22.06.2011.

Iuri Gagarin quando atingiu o espaço sideral em sua nave e vislumbrou o nosso planeta girando sobre seu eixo, surpreendeu-se e exclamou: “A terra é azul!”. Tal constatação já era certeza para os navegadores pioneiros que cruzaram as três quartas partes líquidas do nosso planeta. O som profundo que vem do mar já nos assegurava que a terra é azul. Os oceanos são os grandes responsáveis pela bela tonalidade colorida que envolve o nosso planeta e que encantou o astronauta russo e permitiu a integração de um mundo outrora dividido.

Este preâmbulo é a nossa homenagem não só à TRANSPETRO, nos seus 13 anos de vitoriosa existência, como também aos bravos navegadores de todas as latitudes que, singrando os mares, ajudaram a construir o mundo que habitamos. Sem eles não teríamos alcançado o estágio atual, seríamos apenas, “barcos parados nos mares do tédio”, como afirmou Fernão Campelo Gaivota. Em 1949 o presidente Eurico Gaspar Dutra, dentro do seu programa de governo, criou o PLANO SALTE, sigla de quatro importantes itens de desenvolvimento: Saúde – Alimentação – Transporte e Educação.

Na esteira de seu programa, no destaque transporte, era prevista a aquisição de 22 navios petroleiros e a consequente fundação da Frota Nacional de Petroleiros – FRONAPE, criada por Getúlio Vargas em 1950. Esta foi a precursora da TRANSPETRO e o embrião da própria PETROBRAS que só surgiria 3 anos depois. A mais importante empresa brasileira e uma das maiores do mundo, na exploração de petróleo, nasceu no mar e continua a desenvolver-se nas águas mornas do nosso litoral. À medida que a PETROBRAS crescia um de seus principais suportes que é o transporte marítimo acompanhava esse crescimento passo a passo numa simbiose perfeita.

Em 1997 o Congresso Nacional, através da Lei 9478, determinava que a PETROBRAS deveria constituir uma subsidiária com atribuições específicas de operar e construir seus dutos, terminais marítimos e embarcações para o transporte de petróleo, seus derivados e gás natural. A intenção era fortalecer e ampliar esse importante setor da PETROBRAS. Assim nascia a TRANSPETRO. Um ano depois foi realizada a 1ª reunião da Diretoria que chancelou a fundação. Encontrava-se no comando da FRONAPE, nessa ocasião, o nosso colega CLC Ronaldo Cevidanes Nunes Machado e na Diretoria de Transportes da PETROBRAS, o Almirante-de-Esquadra Arnaldo Leite Pereira, que participa deste almoço.

Na ocasião, em seu pronunciamento sobre o evento, o Comandante Ronaldo afirmou: Neste momento de tantas mudanças na área de Transporte da Petrobras, quando sua atividade marítima vai deixar de ser um órgão da empresa para ser uma de suas subsidiárias, é indispensável avaliar pela importância estratégica e econômica do navio, na estrutura da Petrobras, o melhor perfil com que a nova subsidiária deva ser criada. Há oito anos o Senador Sérgio Machado assumiu a Presidência da TRANSPETRO. Compreendendo a importância da nova subsidiária na composição da PETROBRAS, liderou o programa de renovação da frota, com decisivo apoio do presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Surgiu nessa ocasião um ousado programa de construção de navios denominado PROMEF: (Programa de Renovação e Expansão da Frota). O PROMEF trouxe em seu bojo a revitalização da indústria de construção naval que, após ter sido uma das maiores do mundo na década de 70, do século passado, encontrava-se abandonada e sucateada. Enquanto isso a PETROBRAS seguia o seu processo desenvolvimentista com a descoberta do pré-sal e outras bacias petrolíferas “offshore”. Hoje o petróleo é para o nosso país o que foi no passado o café: “uma pepita de ouro no garimpo da esperança”.

Dentro desse contexto a TRANSPETRO transformou-se na maior empresa de navegação marítima do Brasil. É também uma referência na Marinha Mercante pela resistência em manter a nossa bandeira tremulando em seus navios e os nossos tripulantes em seus postos de trabalho. É uma empresa que teima em ter esperança. Respeitamos aqueles que discordam da nossa opinião, mas será que o Brasil não tem condições de transportar com os nossos tripulantes e com bandeira brasileira o petróleo e a carga que produz?

Será que precisamos chamar as bandeiras de conveniência, verdadeiras bandeiras de aluguel, para substituir o nosso Pavilhão nas adriças e mastros dos nossos navios? Será que apesar do respeito que merecem esses trabalhadores, precisamos convocar filipinos, croatas, coreanos e outras nacionalidades para substituírem os nossos tripulantes? Acreditamos que existam dificuldades, mas não cremos em problema sem solução. Na administração do Dr. Sérgio Machado têm sido tomadas medidas corajosas que engrandecem a Empresa e aqueles que a dirigem.

A Marinha do Brasil, a TRANSPETRO e os Armadores que acreditam no nosso país, certamente envidarão esforços para solucionar os problemas que se apresentam. “Pior que a criança que tem medo do escuro é o adulto que se apavora com a luz”. Agradecemos ao Dr. Sérgio Machado pela oportunidade que tem dado aos companheiros que exercem comando e chefia em seus navios, acreditando que a experiência adquirida no mar é útil a sua administração em terra.

Companheiros do mar como:
CLC José Menezes Filho
CLC Hidehiko Kaneco
CLC Hilton Santos Moreno
CLC Nilson Ferreira Nunes Filho
OSM Fernando Esper Mota
CLC Jones Alexandre Barros Soares
CLC Marco Antonio Gonçalves e muitos outros, ocupam lugares de destaque na Empresa e cerram fileiras com os Diretores, engenheiros e demais funcionários que há longos anos trabalham em prol do desenvolvimento da TRANSPETRO e da Marinha Mercante Brasileira.

A eles, o nosso apreço e a nossa homenagem. A palavra “apagão” tem sido usada para caracterizar a falta de oficiais que guarnecem os nossos navios. Preferimos não acreditar nesse exagero.

O apagão que mais tememos é o “apagão” do patriotismo, da esperança, da nossa bandeira nos mastros dos nossos navios e da oportunidade para os tripulantes brasileiros. Dr. Sergio Machado, como disse, este almoço tem o propósito de homenagear a TRANSPETRO.

Por este motivo o CCMM reuniu aqui Chefes Navais de grande prestígio, Armadores, Autoridades, Líderes Sindicais, Presidentes e Diretores de entidades ligadas a nossa solidária comunidade marítimas. Amigos e amigas também se encontram presentes a este evento para ajudar a apagar essas significativas 13 velas.

Não importa que sejam 13 ou 130, o essencial é sabermos que em todas as ocasiões a TRANSPETRO tem tido fôlego para apagá-las. Parabéns Presidente, pelo patriótico trabalho em prol da Marinha Mercante, da PETROBRAS e do Brasil. Só conquistam o mundo os que ousam; os burocratas não conseguem, sequer, escrever uma página na história. A TRANSPETRO, no mar, cumpre a sua missão.

Parabéns pela ousadia, pela determinação e principalmente pela coragem com que enfrentam e solucionam os problemas que se apresentam. Não existem grandes marinheiros sem grandes tormentas.

Muito Obrigado!


MENSAGEM DE AGRADECIMENTO


Agradeço aos colegas, amigos e demais companheiros que se solidarizaram comigo por ocasião do problema de saúde que enfrentei recentemente. Foi confortador receber as mensagens e sentir a preocupação e o carinho de vocês.

A solidariedade é a mais nobre das virtudes humanas e está intimamente ligada a nossa profissão.
Mais do que nunca sinto orgulho da minha condição de homem do mar e feliz por continuar entre todos.
Os marinheiros são como as árvores: morrem de pé.

Saudações marinheiras!

Alvaro Almeida Junior.

5-12-2010

Pronunciamento do CLC Álvaro José de Almeida Junior, presidente do CCMM no almoço de confraternização de fim de ano, no Hotel Guanabara – 15.12.2010.

O nosso almoço de confraternização de hoje reveste-se de grande importância.

A primeira década do século XXI está prestes a terminar e a IMO teve a feliz iniciativa de considerar 2010 o ano Marítimo Internacional, na nossa avaliação, um acontecimento marcante. Pelo motivo exposto convidamos para este evento importantes chefes navais de elevado prestígio na Marinha do Brasil e que exerceram o cargo de chefes da Delegação Brasileira na IMO. Encontram-se presentes os Almirantes-de-Esquadra Mauro César Ribeiro e Sérgio Gitirana Florêncio Chagas Teles, ex-ministros da Marinha, bem como os Almirantes-de-Esquadra Miguel Ângelo Davena e Carlos Augusto Vasconcelos Saraiva Ribeiro, ex-membros destacados do Almirantado.

Não podemos esquecer, entretanto, o Almirante-de-Esquadra Mauro Magalhães de Souza Pinto, Chefe Naval dos mais dignos e respeitados, que partiu numa singradura de saudade quando exercia, em Londres, as funções de Delegado da Comissão Brasileira na IMO. 

Um povo que não cultua os seus valores não pode almejar o respeito das gerações futuras.

Aos Almirantes citados e suas equipes, o reconhecimento da Comunidade Marítima Brasileira.          

A IMO (International Maritime Organization), como sabemos, é a agência da ONU que trata da política de Transporte Marítimo no mundo, e que conta com 169 países membros e três Estados associados.

A importância do Transporte Marítimo está expressa nas palavras do Secretário Geral da Organização: “se todos os navios que navegam pelos mares parassem, a metade do mundo morreria de fome e a outra metade morreria de frio”. Não existe exagero nessas palavras para aqueles que conhecem a importância do transporte sobre água. 

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que deu nome de ano, foi um individuo genial.

Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

E aí entra o milagre da renovação.

Tudo começa outra vez, com outro número, outra vontade de recomeçar, acreditando que daqui para diante vai ser diferente”.

Com essas palavras de Carlos Drummond de Andrade, levamos a nossa mensagem de esperança a todos que aqui compareceram: aos Srs. Almirantes e demais oficiais da Marinha do Brasil, aos membros da Comunidade Marítima, representados por líderes sindicais, Armadores, presidentes e diretores de entidades de classe, os amigos diletos presentes, às senhoras e senhoritas, representantes da mais generosa manifestação da criação: a mulher – e, finalmente, aos caros colegas, homens e mulheres companheiros do mar que são os verdadeiros anfitriões deste evento. Não podemos esquecer, neste momento, os companheiros que estão no mar, cumprindo uma importante missão no exercício de uma das mais valorosas profissões, como também àqueles que partiram para a última singradura, deixando uma esteira de saudade e exemplos a serem seguidos.

Desejamos que no próximo ano toda a sociedade permaneça unida em seus objetivos, particularmente a comunidade marítima, pois sem a força dessa coesão “somos barcos parados nos mares do tédio”, dizia Fernão Capelo Gaivota.

Que no ano vindouro a fraternidade e a solidariedade sejam virtudes presentes em nosso cotidiano: não permitamos que alguém venha até nós e vá embora sem se sentir um pouco mais feliz.

A todos um Natal compartilhado e um ano de renovadas esperanças. Não há limite para o sonho, basta acreditar.

Deixo a todos para meditação, como mensagem para o próximo ano, palavras de William Shakespeare: “Plante o seu jardim e decore a sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores”.

 

Muito obrigado!

E boa sorte.  

 

 





20-07-2010


HOMENAGEM AOS MORTOS DAS MARINHAS DE GUERRA E MERCANTE NA 2ª. GUERRA MUNDIAL

Pronunciamento do CLC Álvaro José de Almeida Junior – Presidente do CCMM.

        Nesta cripta de saudade, às margens do glauco espelho de águas serenas da baia de Guanabara, encontram-se gravados, além dos pracinhas do Exército e da Força Aérea, os nomes de mais de mil e quinhentos heróis do mar, entre tripulantes de navios da Marinha Brasileira, da Marinha Mercante e passageiros que tiveram como destino o mais nobre dos túmulos: o mar.
        Uma nação, seja marítima ou não, depende, em última análise, do mar.
        Se considerarmos a Marinha do Brasil e a Marinha Mercante unidas em seus objetivos, isto é, o Poder Marítimo Brasileiro, teremos a importância de um poder determinante, sem o qual nenhum país no mundo pode impor-se como nação desenvolvida. Foi assim no passado, é assim no presente e será assim no futuro.
        Durante a 2ª guerra mundial, os americanos construíram em 4 anos cinco mil navios mercantes para socorrer, com material bélico e alimentos, a Grã-Bretanha e a Rússia, debilitadas pela ação do inimigo e que, com sacrifício, resistiam ao domínio nazista no continente europeu. Do outro lado encontravam-se os alemães e italianos com suas frotas de submarinos, prontos para interromper esse fluxo.                   Cerca de 20% da numerosa frota mercante foi afundada e milhares de vidas ceifadas. Não tememos afirmar que o Poder Marítimo americano, com sua força naval de superfície protegendo os milhares de navios mercantes, garantiu a logística de abastecimento dos países aliados seriamente ameaçados.
        Mais uma vez o Poder Marítimo mostrou a sua força no hemisfério norte.
        No hemisfério sul, embora sem os meios de que dispunham os nórdicos, a nossa ação no mar foi tão heróica quanto a dos nossos aliados setentrionais. Afinal, os homens e mulheres do mar têm todos as mesmas aspirações, os mesmos ideais e as mesmas esperanças.
        Hoje não nos cabe citar números, todos os presentes conhecem as nossas perdas e os atos de bravura dos nossos marinheiros.             Estamos reunidos para reverenciar aqueles que lutaram e morreram por uma causa nobre, naquilo que acreditavam: a liberdade.
      Alguns ex-combatentes heróicos estão presentes a este evento, certamente em número menor que no ano passado. Uma das ausências mais sentidas é a do Almirante-de-Esquadra Eddy Sampaio Spellet, que partiu recentemente. A sua presença austera e ao mesmo tempo cativante, era uma constante em eventos como este, no qual se reverencia os heróis da 1ª e 2ª guerras mundiais. Partiu       numa singradura de saudade e nos deixou um exemplo de vida, de profissionalismo e de amor a Pátria.
        Como no hemisfério norte, as nossas Marinha Mercante e Marinha do Brasil sofreram perdas humanas e materiais consideráveis, mas jamais os nossos marinheiros fugiram ao cumprimento do dever. Os submarinos inimigos não os intimidaram. Foram até o fim fiéis ao princípio de que “à Pátria nada se pede tudo se dá, se preciso a própria vida”. Foi o que motivou os bravos marinheiros do nosso país.
        A Marinha do Brasil, guardiã dos nossos feitos no mar, tem mantido acesa a chama ao reverenciar, como acontece hoje, os brasileiros que participaram nos oceanos de confrontos armados. As gerações futuras precisam desta indispensável referência. Infeliz o povo que não cultua a sua história e não festeja os seus heróis. Por outro lado, feliz a nação que pranteia aqueles que não a desonraram.
        Sabemos que entre nações não existe amizade e sim interesses. Os amigos de hoje podem ser os inimigos de amanhã. Por essa razão o país deve estar preparado para o confronto ou para a dissuasão, bem como para manter o fluxo de suas exportações e importações.
    O Poder Marítimo, com seus componentes Civil e Militar, precisa ter suas frotas renovadas para que possamos ser militar e economicamente respeitados. A deficiência de um certamente enfraquecerá o todo: “nenhuma corrente é mais forte do que o seu elo mais fraco”.
        Meus queridos ex-combatentes, aqui ou no além, a Pátria agradece. Lembrem-se: “o mar é o nosso compromisso e o horizonte o nosso infinito”.

        Muito obrigado!





14-07-2010


HOMENAGEM DO CCMM AO VICE-ALMIRANTE PAULO JOSÉ RODRIGUES DE CARVALHO

Pronunciamento do CLC Álvaro José de Almeida Junior - Presidente do CCMM.


        “Grande na sua modéstia e modesto na sua grandeza”.
        Esta máxima poderia encimar à biografia do nosso homenageado, Vice-Almirante Paulo José Rodrigues de Carvalho.
     Após carreira de sucesso na Marinha do Brasil, graças ao seu espírito marinheiro e a sua eficiência profissional, em boa hora foi nomeado Diretor de Portos e Costas. Se considerarmos que a DPC é uma OM de alcance nacional, compreenderemos a preocupação do Comando da Marinha em designar, para a sua direção, Chefes Navais de elevado conceito.
        Representando o Poder Marítimo Brasileiro e interagindo diretamente com setores vitais da Marinha Mercante, é a DPC um importante elo entre os componentes civil e militar do Poder Marítimo, setor estratégico na composição política de qualquer estado soberano, principalmente em se tratando de um país com mais de sete mil quilômetros de Costa oceânica e 40 mil quilômetros de hidrovias interiores.
        Durante a sua permanência na DPC, que se prolongou por quase três anos, o Almirante Paulo José dispensou especial atenção a vários setores fundamentais para o funcionamento do transporte marítimo, com ênfase no ensino profissional marítimo, e conseguiu verba para as grandes reformas do CIABA que, juntamente com o CIAGA, constituem a nossa universidade do mar. A expansão do ensino profissional marítimo foi outra de suas preocupações imediatas.
        Procurou suprir a falta de tripulantes, particularmente de oficiais, indispensáveis ao fluxo da frota mercante. Fez o que era possível e tentou o impossível. Várias NORMANS, contemplando setores vitais de nossa atividade foram assinadas. No âmbito do fundo profissional marítimo atendeu às reivindicações dos membros do conselho, sempre com o propósito de dirimir dúvidas e compartilhar dos anseios dessa importante atividade.
        Inúmeras outras realizações foram levadas a efeito durante a sua gestão na DPC, com o propósito de atender a demanda dos meios e preservar a dignidade dos homens e mulheres do mar que prestam relevantes serviços a bordo de seus navios.
        O Centro dos Capitães vos é grato pela maneira cordial com que sempre nos recebeu, assim como ao total apoio aos nossos pleitos, todos visando o sucesso da Marinha Mercante Brasileira. Destacamos a impressão da 1ª edição do livro “História da Marinha Mercante”, em 2 volumes, organizada e escrita pelo nosso colega CLC Alberto Aquino com apoio do CLC Carlos Eugênio Dufriche, e o hino da Marinha Mercante Brasileira, de autoria também de dois Capitães-de-longo-curso e que foi oficializado pela MB graças ao vosso indispensável apoio. Debitamos também ao Almte. Paulo José o empenho à portaria nº: 14 que criou o distintivo de Comodoro para premiar os comandantes com maior tempo de serviço e que se destacaram no mar. Várias outras reivindicações foram atendidas.
        O Almirante Paulo José é desses raros chefes que tem a preocupação de não deixar que as pessoas cheguem até ele e se retirem sem se sentirem um pouco mais felizes.
        Na nossa apreciação, o que mais chama atenção na personalidade de nosso homenageado, é a simplicidade com que desempenha as elevadas funções que assume.
        A propósito de vossa profícua atuação na DPC, desejamos saudá-lo com os dizeres de um soneto de Carlos Drummond de Andrade:
        “As coisas findas, muito mais que lindas, sempre ficarão...”
        Resta-nos desejar ao dileto amigo uma singradura de sucesso na nova estratégica missão que assumiu à frente do Estado Maior da mais importante OM operativa da Marinha do Brasil: o Comando de Operações Navais e a Diretoria Geral de Navegação.
        Estamos certos que falamos não só em nome do Centro dos Capitães como, certamente, em nome de todos os seguimentos do transporte aquaviário aqui presentes, na pessoa de seus mais legítimos e destacados líderes.
        Almirante, existem emoções que as palavras não traduzem, não obstante, desejamos materializar o nosso grande apreço e estima na placa que passamos às vossas mãos .





A revolução dos portacontentores (full-containers)

Comte. Álvaro José de Almeida Júnior - CLC                                                                                             22-06-2009




Os navios portacontentores são unidades celulares que surgiram na segunda metade do século passado e evoluíram numa tecnologia dinâmica, alcançando hoje o gigantismo dos navios graneleiros, petroleiros e passageiros.
Podemos dizer que o navio “full-container” revolucionou o sistema de transporte marítimo de carga geral e possibilitou uma economia de escala nunca vista em outro meio de transporte.
O Brasil atrasou-se muito na modernização da sua frota, isto é, na substituição dos navios convencionais de carga geral por portacontentores.
Os motivos dessa revolução ocorrida no transporte sobre água devem-se às seguintes vantagens: carga protegida de avaria e roubo; não interrupção da operação em consequência de chuva ou precipitação de neve; unitização de carga que admite a simultaneidade na operação de carregamento e descarga com o emprego de apenas dois homens no controle.
Podemos acrescentar que a carga transportada por um navio portacontentores, dependendo do porte, poderá representar a carga de vários navios convencionais e asseguramos que a navegação de cabotagem só foi retomada com o emprego desse tipo de navio.

O primeiro “full-container” brasileiro – N/M “Copacabana” - foi construído na Alemanha, em Flensburg, para a Empresa de Navegação Aliança (grupo Fischer) e chegou ao Brasil em 1984, pouco antes do “Loide Pacifico”, construído no Japão para o Loyd Brasileiro.
O “Copacabana”, que recebemos a agradável missão de ser seu primeiro Comandante, continua no tráfego, e é um navio para 1.300 TEUs, com porões frigoríficos para carga insulada e dispositivos no convés para ligações de contêineres frigoríficos.
Convém acrescentar que apesar de ser um navio construído há 25 anos, saiu do estaleiro com equipamentos ainda hoje considerados modernos: hélice de passo controlável, “bow-thruster”, gerador de eixo, computador de carga, 2 radares arpa, etc.

Hoje os portacontentores são verdadeiros gigantes dos mares com capacidade para 15.000 TEUs ou mais, capazes de per si receberem a carga de 12 navios convencionais.

Abaixo, uma expressão de amor ao N/M "Copacabana" que expressa todo o sentimento e dedicação que este Navio nos merece.
Pesquisado na Internet

Autor: Ozawa, em 18 Abr, 2008 às 11:02

1984…, ao cair de uma tarde de sábado, durante uma visitação pública à embarcações dos EEUU, atracadas no pier da Pça. Mauá/RJ, após a operação UNITAS, no castelo de proa de uma fragata americana, estávamos eu, meu irmão e meu pai, quando vi aquela cena indescritível, aquele lindo mercante, cores vivíssimas, “novo de fábrica”, amplamente iluminado, suspendia do porto do Rio…
Sua imagem me magnetizou e jamais pude esquecer-lhe o nome, as linhas e as cores…
Hoje, por este sítio, salvo sua belísisma imagem e ilustro a área de trabalho de meu vídeo como uma visão eterna daquela tarde de sábado…, seu nome:  N/M COPACABANA !

Um exemplo a ser seguido 

Comte. Álvaro José de Almeida Júnior - CLC

                O porto de Xangai na China é o segundo maior porto do mundo por movimento de contêineres e o maior por volume de carga, a caminho de superar Cingapura no ano que vem.

     O complexo portuário naquela cidade chinesa é administrado pela prefeitura local que arrenda as operações do porto a empresas privadas, sem que isso afete o projeto do dirigente chinês Deng Xiaoping (1904-1998) de criar a sua “economia de mercado socialista”.

            Parece um paradoxo que um regime comunista entregue para empresas privadas internacionais os espaços de seus portos para funcionarem como terminais privados multinacionais, enquanto em países democráticos, como o nosso, alguns portos permaneçam no antigo sistema arcaico burocrático. 

             Mas não há contradição nas decisões lúcidas de Xiaoping que já profetizou um dia: “não importa a cor do gato desde que ele cace os ratos...”

              Se existe paradoxo na atitude do falecido líder chinês, este é um saudável contrassenso, pois contribuiu para que a China aumentasse o seu produto interno bruto em mais de 10% ao ano, além de passar a contar com um dos maiores portos do planeta.

             Planeta que, ao invés de Terra, deveria mais apropriadamente, chamar-se Planeta Água.

Mensagem de Ano Novo do Presidente
Chegamos ao final de mais um ano. A exemplo do anterior, 2009 chegou como que a desafiar o tempo. As pessoas não são mais as mesmas, o mundo não é o mesmo. A mudança é evidente.
Vivemos momentos de expectativa quanto ao futuro do nosso planeta. O medo nos atormenta: o medo do desconhecido, da incerteza, dos anos que passaram, dos anos futuros, da nova ordem social do país e da crise econômica que vem abalando o mundo financeiro. Em suma, estamos vivendo tempos de incertezas, mas também de esperanças.
É tempo de transição. Esperamos que esta nos conduza a dias melhores.
Deste modo, o que fazer? Qual a atitude mais recomendável? Embora com incertezas, podemos fazer um exercício mental a respeito do que nos parece razoável – “pensemos como cidadãos”. Um mundo melhor só depende de nós.
Promover a mudança de mentalidade para atender as exigências do mundo moderno é um bom meio. O Brasil é um país de uma sociedade aberta, cujos esforços para atingir a maturidade devem ser estimulados por uma política que dependa exatamente da mobilização popular e por um ímpeto criador que não se confunda com agitação.
Precisamos de mudanças. A primeira é aquela sem a qual nenhuma outra se torna possível – “a mudança de mentalidade”. Afinal somos um povo sem preconceito racial, devemos ser também um povo sem preconceito ideológico.
Não nos deixemos dividir, pois unidos faremos o que o Brasil espera de nós. Nesta linha de raciocínio, o nosso problema não é o de simples reformas, mas de uma revolução profunda e verdadeira. Não a revolução da violência das guerras, mas a revolução positiva e a ação planejada, dentro dos limites da democracia.
É necessária a transformação do modo de pensar da sociedade, em favor de dias melhores para muitos que aguardam ações significativas e de efeito duradouro.
O exemplo dos EEUU se insere nessas mudanças. Pela primeira vez na sua história, a maior potência econômica e militar do mundo, elege um negro para dirigir os seus destinos.
No Brasil, embora se reconheça que já aconteceram algumas alterações interessantes no campo político e social nestes últimos anos, outras são necessárias. Adiá-las não seria procedimento aconselhável.
Finalizando, quero deixar uma mensagem de otimismo, de confiança no futuro e de mudanças positivas.
Não há limites para sonhar. Basta acreditar.

“FELIZ ANO NOVO”.

Saudações marinheiras!

Álvaro José de Almeida Jr.
Presidente do Centro dos Capitães da Marinha Mercante.

Palavras do Diretor

CLC- JUAREZ OLIVEIRA LIMA
DIRETOR DE MARKETING E PROPAGANDA                   

Já há algum tempo o Centro dos Capitães da Marinha Mercante-CCMM vinha sentindo a lacuna da ausência de um “site” que permitisse aos internautas navegar nas atividades do dia-a-dia da nossa Associação.

Agora, tudo isso é possível: os internautas poderão saber, com a devida antecedência, das nossas atividades agendadas e as que serão realizadas, bem como efetuar consultas de interesse ao meio marítimo.

Além disso, os temas abordados em nosso site serão de suma importância, ou seja, têm sempre precedência sobre quaisquer outros que por ventura venham a surgir no decorrer de suas publicações.                                                                                                          
Gostaríamos ainda de lembrar aos nossos leitores, que a visão do nosso site não é de “ativista”, ou seja, atividade pela atividade, e sim, a de trabalharmos enquanto é dia, atendendo e obedecendo  aos interesses dos  internautas.

Portanto, a nossa pretensão, ao se criar o site do CCMM, nunca será a atividade em si, mas aquilo que dela poderá resultar de positivo nas pesquisas dos leitores.

Aproveitamos aqui para agradecer a todos que trabalharam com denodo e dedicação na elaboração do site, esperando receber, por parte dos nossos internautas, suas contribuições de maneira que possamos enriquecer e aprimorar cada vez mais os assuntos abordados.

Agora que tudo está pronto pode parecer fácil.
Todavia, os companheiros não fazem idéia do que é preparar um trabalho como este, cuja essência principal é estabelecer um elo “on line” entre o Centro dos Capitães da Marinha Mercante e toda classe marítima, ou não, que buscam fontes de informações ricas em assuntos do quotidiano marítimo. 

Então, cabe a nós colocarmos mãos à obra e tocarmos em frente essa missão; ou melhor: dar um “GO AHEAD” em direção ao sucesso do site do CCMM.

Concluindo, lembramos a todos,  mais uma vez, de que a participação espontânea de cada um dos nossos leitores, é de suma importância para o  êxito deste trabalho.

Podemos contar com V O C Ê?





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